Mundo
24/09/2008 - 14h22

Pesquisas divergem sobre plano de resgate dos EUA; Obama sai beneficiado

Publicidade

colaboração para a Folha Online

Duas pesquisas divulgadas na terça-feira apontam opiniões divergentes dos americanos em relação ao plano de resgate financeiro proposto pelo governo. Pesquisa do Pew Research aponta que a maioria (57%) diz que o governo está agindo corretamente. Já sondagem Bloomberg indica que, para 55% dos entrevistados, o governo não deveria auxiliar as empresas prejudicadas.

Em meio à grave crise financeira, quem sai beneficiado é o candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, que é visto, em ambas as pesquisas, como o candidato mais apto a lidar com os problemas econômicos dos EUA.

Chuck Burton/AP
Democratic presidential candidate Sen. Barack Obama, D-Ill., speaks during a campaign stop in Charlotte, N.C., Sunday, Sept. 21, 2008. (AP Photo/Chuck Burton)
Candidato democrata Barack Obama se beneficia da crise financeira dos EUA

Segundo a pesquisa "Pew Research", o plano do governo americano de injetar US$ 700 bilhões para a compra de "títulos podres" (sem liquidez) dos bancos pelo Estado é aprovado por uma grande margem, 27 pontos percentuais. Assim, apenas 30% dos eleitores indicam que o governo está agindo erroneamente ao investir bilhões para estabilizar o mercado financeiro e hipotecário.

Entenda a crise financeira que atinge a economia dos EUA

O Pew Research indica ainda que a aprovação do plano de resgate --que deve ser aprovado nesta semana pelo Congresso-- é bipartidária. O projeto é aprovado pela maioria dos eleitores democratas (56%), republicanos (64%) e independentes (54%), com margens parecidas.

Contudo, a mesma sondagem indica que apenas 19% classificam como "excelente ou ótimo" o trabalho do governo ao lidar com os problemas financeiros de Wall Street. A maioria (44%) indica que o governo faz um trabalho regular e significativos 33% dizem acreditar que a atual administração republicana faz um trabalho ruim.

A má avaliação do trabalho do governo é unânime entre democratas, republicanos e independentes que apontam em sua maioria que o governo faz um trabalho regular --com 48%, 43% e 44% respectivamente. Como esperado, os republicanos são os que mais apontam o trabalho do presidente George W. Bush como bom, com 32% das indicações.

Oposto

Já a pesquisa realizada pelo site especializado Bloomberg em parceria com o jornal "Los Angeles Times" aponta que a maioria dos americanos desaprova o plano bilionário proposto pelo governo Bush para auxiliar as empresas em crise e acusa Wall Street e o presidente pela crise financeira.

Por uma margem de 24 pontos percentuais (55% contra 31%), os entrevistados indicam que não é responsabilidade do governo auxiliar companhias privadas com o dinheiro dos contribuintes, mesmo que seu colapso afete a economia nacional.

Mais de 60% dos entrevistados disseram ainda que a falta de regulamentação é parte do motivo que levou à crise. Outros 24% disseram não acreditar que este seja o problema.

Questionados sobre quem seria o culpado pela grave crise, quase um terço dos eleitores culparam as próprias empresas financeiras. Outros 25% acusaram a administração de Goerge W. Bush como a principal culpada. Apenas 11% dizem que a culpa é do COngresso americano.

Depois da crise que levou o tradicional banco Lehman Brothers à falência e que fez o governo assumir o controle das empresas de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac, a maioria dos entrevistados disse que as companhias financeiras não deveriam contar com o dinheiro dos contribuintes para um socorro imediato.

Assim, cerca de 65% dos entrevistados se opõem também ao auxílio governamental às indústrias automobilísticas, que passam por uma grave crise com a redução das vendas, principalmente de caminhonetes e carros grandes --que consomem mais combustível.

Neste mês, o Congresso deve votar um projeto que inclui US$ 25 bilhões em empréstimos para a GM, Ford e Chrysler LLC para o desenvolvimento de veículos de consumo mais eficiente.

O Bloomberg cita a pesquisa do Pew Research e indica a pergunta feita aos entrevistados como justificativa da diferença nos resultados.

O Pew perguntou aos americanos se eles acham certo o governo "potencialmente investir bilhões para tentar manter as instituições financeiras e os mercados seguros". Já o Bloomberg pergunta se os eleitores aprovam o "uso do dinheiro dos contribuintes para auxiliar firmas financeiras privadas cujo colapso pode ter efeitos adversos na economia e no mercado".

Obama

Embora divirjam sobre a opinião dos americanos, ambas as sondagens apontam que, para os eleitores, Obama é o candidato mais apto a lidar com os problemas econômicos enfrentados pelo país.

Segundo a pesquisa Pew Research Center, 47% dos eleitores favorecem Obama contra 35% preferem o republicano John McCain. Enquanto os republicanos e democratas defendem por grandes margens os candidatos de seu partido, os independentes preferem o senador por Illinois por uma margem de 14 pontos percentuais, com 44% contra 30%.

Um cenário muito parecido é indicado pelo Bloomberg/ "Los Angeles Times". Segundo a pesquisa, Obama faria um trabalho melhor diante da crise financeira que McCain por uma margem de 45% contra 33%.

A sondagem do Bloomberg aponta também que, para quase metade dos eleitores, o presidenciável democrata tem melhores idéias do que o rival republicano para fortalecer a economia.

A pesquisa Pew Research foi realizada entre 19 e 22 de setembro, com 1.003 pessoas. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos.

A sondagem Bloomberg foi realizada no mesmo período, com 1.428 adultos e tem margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
avalie fechar
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
avalie fechar
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2849)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca