Mundo
26/09/2008 - 23h09

Crise financeira dita início do debate entre McCain e Obama

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da Folha Online

A crise financeira ditou as discussões iniciais do primeiro debate presidencial entre os candidatos Barack Obama e John McCain, nesta sexta-feira em Oxford, Mississippi. Para o senador democrata, a solução do problema está na redução dos impostos para 95% dos americanos, enquanto McCain defendeu a redução drástica dos gastos do governo.

"O senador McCain está propondo corte de impostos que vão deixar 500 mil americanos de fora, privilegiando as grandes empresas. Eu defendo o corte de impostos para 95% dos americanos, isto significa que as famílias poderão comprar um computador para seus filhos estudarem", afirmou Obama.

Desde o início do debate o candidato democrata criticava McCain, associando sua campanha às políticas dos oito anos de governo republicano de George W. Bush, que há meses registra altas taxas de impopularidade após o fracasso da Guerra no Iraque e uma das maiores crises econômicas da história dos EUA. "Não podemos admitir mais quatro anos do mesmo", afirmou Obama.

"Temos que resolver os problemas, começando pelos gastos do governo e de Wall Street. Os gastos estão totalmente fora do controle. Nós republicanos subimos ao poder para mudar o governo, mas o governo nos mudou", rebateu McCain.

"Como presidente, vou vetar todos os gastos em excesso, demitir os que não estiverem fazendo seus trabalhos e verificar os gastos do governo (...) Eu sei fazer isso, estou envolvido com políticas assim há muitos anos", acrescentou, em referência às décadas de experiência no Senado. O republicano também prometeu reduzir o orçamento da Defesa.

Questionados sobre quais seriam as principais metas de suas campanhas, apesar do plano de resgate financeiro, Obama defendeu o fim da dependência energética do Oriente Médio --através da diversificação de fontes alternativas-- o investimento em ciência e tecnologia, na educação e na reforma da infra-estrutura da indústria americana, citando estradas e portos.

McCain foi mais específico e voltou a insistir no mesmo ponto: o corte de gastos. "É preciso examinar cada agência do governo, os gastos com Defesa, ver quem está trabalhando direito e demitir quem não estiver", afirmou, em referência à sugestão que fez esta semana para que o presidente da SEC (Securities and Exchange Commission, a CVM americana), Christopher Cox, mereceria ser demitido.

A SEC é o órgão que regula o funcionamento das Bolsas de Valores. A declaração de McCain rendeu resposta rápida de Washington, em defesa de Cox e de um plano de resgate financeiro, atualmente debatido pelo Congresso, que prevê a liberação de até US$ 700 bilhões para recomprar os ativos podres acumulados pelos bancos com a crise de créditos "subprime" (empréstimos imobiliários de segunda linha).

Entenda a crise financeira que atinge a economia dos EUA

Governo Bush

No início do debate, Obama centrou suas críticas diretamente em McCain, comparando suas propostas às políticas "falidas" do impopular presidente Bush. "Foram oito anos de políticas falidas de Bush, políticas apoiadas por McCain que dizem que podemos dar mais e mais aos ricos. Eu digo que os fundamentos da economia têm que ser medidos pela classe média, como forma de garantir que eles recebam o que é justo", disse Obama, em resposta à primeira pergunta da noite sobre sua postura em relação ao plano de resgate financeiro de Bush.

Apesar do tema ser política externa e segurança nacional, temas no qual o senador, republicano tem clara vantagem, o moderador Jim Lehrer, jornalista veterano da PBS, preferiu começar o debate com o tema que dominou a campanha nas últimas semanas: a grave crise financeira dos EUA.

"Não consigo pensar em um momento mais apropriado para falarmos no futuro do país.Vivemos na pior crise do país desde a Grande Depressão. Acredito que para o pacote ser aprovado é necessário uma série de propostas que garantimos a proteção dos contribuintes", disse Obama.

Lehrer escolheu as perguntas que serão respondidas pelos senadores --que têm dois minutos para responder as questões em ordem definida por moeda.

Na sua vez, McCain citou o senador democrata Edward Kennedy, que foi "[hospitalizado]": nesta quinta-feira. "Nossos pensamentos e orações estão com você", disse.

De volta à pergunta, o senador por Arizona reiterou a importância da união de democratas e republicanos para resolver a situação. "Hoje eu me sinto melhor. Estamos vendo pela primeira vez os republicanos e democratas sentados juntos, trabalhando para solucionar esta crise", disse.

"O pacote tem que ter transparência, responsabilidade, tem que oferecer opções para os proprietários de casas em dificuldades", disse McCain, listando suas ressalvas em relação ao plano.

"Quero enfatizar um ponto para todos os americanos. Esse não é o começo do fim, mas o fim do começo se criarmos um pacote que salve as finanças do país. Nós temos que trabalhar em uma economia que acabe com nossa dependência de petróleo estrangeiro", disse.

Nesta sexta-feira, os dois candidatos chegaram a Oxford com poucos minutos de diferença. Eles se encontraram na Universidade do Mississippi, às 21h (22 em Brasília) para o primeiro de três debates presidenciais.

O tema oficial do debate, o primeiro de três confrontos presidenciais antes das eleições de 4 de novembro, seria política externa e segurança nacional. O moderador da noite é o jornalista Jim Lehrer, da PBS.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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