Mundo
27/09/2008 - 01h23

"Eu não vou ameaçar publicamente o Paquistão", critica McCain

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colaboração para a Folha Online

O candidato republicano à Casa Branca, John McCain, criticou a postura militarista do rival democrata em relação ao Paquistão e reiterou que, diferentemente de Barack Obama, não vai ameaçar publicamente o país.

"Não estou preparado para ameaçar como o senador Obama aparentemente quer fazer, ao dizer que promoveria ofensivas militares no Paquistão. Não se faz isso. Não se diz isso alto. Se você tem que fazer coisas, você faz coisas e trabalha em colaboração com o governo do Paquistão", disse McCain durante o primeiro dos três debates presidenciais que precedem as eleições de 4 de novembro próximo. Obama negou a afirmação.

Questionado sobre sua posição em relação ao Afeganistão, centro da luta contra o terrorismo logo após o 11 de Setembro, Obama afirmou ser necessário "lidar com o Paquistão, porque lá o [grupo terrorista] Al Qaeda tem pontos seguros". "Eles não fizeram o suficiente para acabar com esses pontos", afirmou o democrata.

Jim Bourg/AP
Republican presidential candidate, Sen. John McCain, R-Ariz., speaks during his first presidential debate with Democratic presidential candidate, Sen. Barack Obama, D-Ill., right, at the University of Mississippi in Oxford, Miss., Friday, Sept. 26, 2008. (AP Photo/Jim Bourg, Pool)
Senador John McCain (esq.) participa de debate ao lado de Barack Obama (dir.)

Os maiores confrontos entre tropas americanas e os terroristas acontece na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, onde, afiram os americanos, as forças da Al Qaeda e do Taleban residem em locais seguros e sem nenhuma resistência do governo.

Em uma inversão de papéis --Obama costuma defender a diplomacia e McCain, apostar em sanções e isolamento--, o republicano afirmou que os Estados Unidos precisam conseguir a cooperação do povo e do governo paquistanês. "Obama pede por mais tropas, mas o que ele não entende é que precisamos de estratégia, a mesma estratégia que nos trouxe o sucesso no Iraque", afirmou McCain.

Obama rebateu as críticas reiterando as falhas na política do atual governo Bush --nome que apareceu com freqüência em suas respostas.

"Ninguém falou em atacar o Paquistão. O que disse --e, se John quiser discordar, que me avise-- foi que, se os EUA têm Al Qaeda, Bin Laden e combatentes de cúpula à vista, mas Paquistão está impossibilitado ou se recusa a agir, nós temos que fazê-lo." "O problema na estratégia adotada nos últimos dez anos é que nós minamos [o ditador Pervez] Musharraf, nós alienamos a população e fomos antidemocráticos", completou Obama.

McCain rebateu a resposta de Obama lembrando de seu histórico de votação no Congresso, no qual apoiou "a luta contra o genocídio na Bósnia e na Somália" e desviou a discussão novamente para o Iraque.

"Em um comício em New Hampshire, em agosto do ano passado, uma mulher pediu que eu usasse o bracelete com o nome de seu filho que morreu em Bagdá e ela pediu que a morte de seu filho não fosse em vão", disse o republicano.

Obama respondeu na mesma moeda. "Também tenho o bracelete que a mãe de um general me deu em Green Bay e ela pediu para que eu garantisse que nenhuma outra mãe passasse pelo que ela passou. Elas sabem que ninguém morre em vão, as tropas foram brilhantes em sua atuação, mas a questão é se fazemos bom julgamento para manter a América segura", disse o democrata.

Obama levou o debate de volta ao Afeganistão e aproveitou para acusar McCain por não ter se preocupado "o tempo inteiro" com o combate no país. "Nós tiramos os olhos do Afeganistão e não é verdade que você sempre se preocupou com o Afeganistão."

McCain respondeu com ironia: "Você pode pensar que, com esta preocupação toda, ele iria ao Afeganistão conversar com as tropas. Eu visitei o Afeganistão, eu viajei a estes países e sei quais são as nossas necessidades."

"O ponto é que vamos vencer no Afeganistão, mas para isso precisamos de uma nova estratégia e o plano de Obama [da transferência das tropas do Iraque para o Afeganistão] terá efeito calamitoso no Iraque".

Leia o que os candidatos falaram sobre o Iraque
Leia o que os candidatos falaram sobre a crise econômica

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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