Crise domina debate entre Obama e McCain; Iraque exalta ânimos
da Folha Online
A crise financeira e a Guerra no Iraque foram os pontos altos do primeiro debate presidencial entre os candidatos à Casa Branca, Barack Obama e John McCain . Os problemas da economia dos Estados Unidos, que não estavam na pauta oficial da noite, ocuparam quase metade dos 90 minutos de duração do debate, mas foi o Iraque que exaltou os ânimos da discussão.
Enquanto Obama culpou os republicanos pela crise, tentando associar a imagem de McCain a impopularidade do atual governo de George W. Bush, o adversário republicano propôs como solução o corte de gastos. O democrata também não fugiu da cartilha de seu partido e voltou a insistir na proposta de corte de impostos para 95% dos americanos.
| Jim Bourg/AP |
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| Problemas da economia dos EUA ocuparam quase metade dos 90 minutos do debate |
McCain reforçou a importância da aliança entre democratas e republicanos para a discussão do plano de resgate financeiro de US$ 700 bilhões do Tesouro em Washington. Para Obama, a crise é fruto dos oito anos de políticas fracassadas dos republicanos na Casa Branca.
"O senador McCain está propondo corte de impostos que vão deixar 500 mil americanos de fora, privilegiando as grandes empresas. Eu defendo o corte de impostos para 95% dos americanos, isto significa que as famílias poderão comprar um computador para seus filhos estudarem", rebateu Obama.
"Temos que resolver os problemas, começando pelos gastos do governo e de Wall Street. Os gastos estão totalmente fora do controle. Nós republicanos subimos ao poder para mudar o governo, mas o governo nos mudou", defendeu McCain.
"Como presidente, vou vetar todos os gastos em excesso, demitir os que não estiverem fazendo seus trabalhos e verificar os gastos do governo (...) Eu sei fazer isso, estou envolvido com políticas assim há muitos anos", acrescentou, em referência às décadas de experiência no Senado. O republicano também prometeu reduzir o orçamento da Defesa.
Iraque
Mas quando a Guerra no Iraque entrou em debate não houve espaço para consenso. Obama prometeu a retirada das tropas americanas e McCain o taxou de "ingênuo", após repetir várias vezes para o democrata a frase "você não entende".
"O senador Obama se recusa a admitir que estamos vencendo no Iraque", afirmou McCain. Ao que Obama respondeu prontamente: "Não é verdade, não é verdade."
"Quando a guerra começou, você disse que ela seria rápida e fácil. Você disse que sabíamos onde as armas de destruição em massa estavam", rebateu Obama, criticando o principal argumento da Casa Branca para a invasão do Iraque em 2003.
"McCain está certo que a violência no país reduziu com o trabalho de nossas tropas, mas entenda que esta foi uma tática desenhada para conter o mal gerenciamento dos quatro anos anteriores. McCain quer fingir que a guerra começou em 2007", disse Obama, questionado sobre quais as lições aprendidas com o conflito no Iraque.
"Esta é uma área em que temos uma diferença fundamental. Para mim, a questão é se deveríamos ter ido ao Iraque", acrescentou o democrata. McCain, que defendeu a ofensiva americana no Iraque desde seu início há cinco anos, citou suas viagens ao fronte no Orinte Médio e sua familiaridade com o tema, como veterano da Guerra do Vietnã.
Obama defendeu a diplomacia nas relações com outros países, mas McCain o criticou por aceitar "sentar a mesa com inimigos de Israel", em referência ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
11 de Setembro
Questionados sobre a possibilidade hoje de um novo 11 de Setembro, McCain defendeu que os EUA estão mais seguros e que "há atualmente menor chance de um ataque terrorista em solo americano do que no dia seguinte ao 11 de Setembro".
"Somos uma nação mais segura, mas ainda estamos distante da segurança. Temos que trabalhar mais ao lado de nossos aliados e nunca mais torturar prisioneiros novamente", afirmou McCain.
Obama concordou, mas disse que "ainda há um longo caminho pela frente". Citou a ameaça nuclear, criticando o Irã por não abandonar seu programa de enriquecimento de urânio, e a necessidade de aumentar os esforços militares no Afeganistão e Paquistão para combater a rede terrorista da Al Qaeda.
"Vou restaurar a liderança da América no mundo. Hoje somos menos respeitados do que há oito anos", afirmou, elogiando em seguida McCain por ter criticado o uso da tortura, que virou alvo de debate nos EUA por causa dos métodos de coerção adotados na "Guerra ao Terror" de Bush, cujo expoente se tornou a prisão de Guantánamo onde são mantidos acusados de envolvimento com terrorismo.
Energia
Questionados sobre quais seriam as principais metas de suas campanhas, apesar do plano de resgate financeiro, Obama defendeu o fim da dependência energética do Oriente Médio --através da diversificação de fontes alternativas- o investimento em ciência e tecnologia, na educação e na reforma da infra-estrutura da indústria americana, citando estradas e portos.
| Jim Bourg /Reuters |
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| Barack Obama, durante 1º debate contra o republicano John McCain, em Mississippi |
McCain foi mais específico e voltou a insistir no mesmo ponto: o corte de gastos. "É preciso examinar cada agência do governo, os gastos com Defesa, ver quem está trabalhando direito e demitir quem não estiver", afirmou, em referência à sugestão que fez esta semana para que o presidente da SEC (Securities and Exchange Commission, a CVM americana), Christopher Cox, mereceria ser demitido.
A SEC é o órgão que regula o funcionamento das Bolsas de Valores. A declaração de McCain rendeu resposta rápida de Washington, em defesa de Cox e de um plano de resgate financeiro, atualmente debatido pelo Congresso, que prevê a liberação de até US$ 700 bilhões para recomprar os ativos podres acumulados pelos bancos com a crise de créditos 'subprime' (empréstimos imobiliários de segunda linha).
Pesquisas
Pesquisa divulgada nesta sexta-feira pela rede de TV CNN antes do debate indicava que 60% dos americanos acreditavam que o candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, se sairia melhor no primeiro debate com o adversário republicano, John McCain, que acontece hoje à noite, em Oxford, Mississippi. Entre os entrevistados, apenas 34% afirmaram que McCain sairia vencedor.
Obama enfrentou McCain no primeiro debate presidencial deste ano com ao menos uma vantagem reconhecida: a liderança nas pesquisas.
Segundo a média das principais sondagens realizada pelo site especializado RealClearPolitics, Obama tem vantagem de quatro pontos percentuais, com 48,2% contra 44,2% de McCain.
Já a pesquisa diária realizada pelo instituto Gallup dá a Obama uma vantagem pouco menor, de três pontos percentuais. Segundo o instituto, o senador por Illinois conta com 48% das intenções de voto contra 45% do senador por Arizona. No dia anterior, os dois senadores estavam empatados.
O republicano McCain --que viu seu desempenho nas pesquisas subir após a escolha da conservadora Sarah Palin para sua companheira de chapa-- tem vantagem em apenas uma pesquisa, realizada pela Universidade George Washington. Na sondagem, o senador por Arizona está dois pontos a frente de Obama.
Crise financeira
A crise parece ter ajudado o democrata que recuperou a vantagem nas pesquisas e é visto pelos eleitores como o candidato mais apto a resolver a situação de crise em Wall Street.
Para tentar reverter este cenário negativo, McCain anunciou na quarta-feira que suspenderia sua campanha para regressar a Washington e se reunir com Bush, Obama e os líderes do Congresso para ajudar a encontrar uma solução para dissipar a crise.
McCain e Obama, ambos senadores, participaram nesta quinta-feira da reunião, na Casa Branca. O encontro, contudo, terminou sem avanços.
Os dois presidenciáveis se enfrentaram nesta sexta-feira no primeiro de três debates até as eleições de 4 de novembro. O encontro aconteceu na Universidade do Mississippi, em Oxford. Embora o tema da noite fosse política externa e segurança nacional, os candidatos passaram 40 dos 90 minutos discutindo a crise financeira que afeta o país.
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Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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