Mundo
27/09/2008 - 13h58

Sucessão de Bush: Obama perde por não impor vitória

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colaboração para a Folha Online

Pesquisas divulgadas horas depois do primeiro debate presidencial entre os candidatos Barack Obama (democrata) e John McCain (republicano), aponta que, para os espectadores entrevistados, o senador democrata saiu como grande vitorioso. Mas, na análise da editora de Mundo da Folha, Claudia Antunes, perdeu por não ter aproveitado melhor o óbvio momento de fragilidade do adversário.

Em post no blog Folha na Sucessão de Bush, Antunes lembra que McCain passou dois dias insistindo no adiamento do debate, mas saiu no mesmo ponto em que entrou, sem aplicar ou levar golpes decisivos, e portanto não perdeu nada.

Jim Bourg-26set.08/AP
Problemas da economia dos EUA ocuparam quase metade dos 90 minutos do debate
John McCain (esq.) e Barack Obama participam de primeiro de três debates

Já Obama começou o confronto mais incisivo, na avaliação de Antunes, dizendo que a crise financeira é o "veredicto final" dos oitos anos do governo de George W. Bush e reiterando que McCain apóia as políticas falidas do impopular presidente. Contudo, o democrata logo se deixou arrastar para o combate no campo das miudezas gerenciais de McCain, que prometeu insistentemente cortar os desperdícios do orçamento americano e restabelecer o equilíbrio das verbas federais.

O mediador Jim Lehrer, âncora do noticiário da rede PBS, trouxe à grave crise financeira na primeira pergunta da noite cujo tema deveria ser política externa e segurança nacional. Ele insistiu, de várias maneiras, para que os candidatos dissessem o que a crise mudará em seu possível governo. Nenhum dos dois respondem de maneira satisfatória.

Quando o assunto do debate foi para política externa, McCain foi muito mais agressivo e soltou boas frases de efeito, como quando disse que não havia sentido em se reunir com Ahmadinejad, o presidente iraniano, para "ouvi-lo dizer na nossa cara que quer varrer Israel do mapa".

Obama marcou forte sua oposição à Guerra do Iraque, mas não foi além das políticas convencionais nos Estados Unidos em outros temas e deixou passar, ou não quis aproveitar, pelo menos duas boas oportunidades de se contrapor a posições do republicano.

Leia matéria completa no blog Folha na Sucessão de Bush

Acusações

O debate desta sexta-feira (26) teve a crise financeira e a Guerra no Iraque como os pontos altos do confronto entre Obama e McCain. Os problemas da economia dos Estados Unidos, que não estavam na pauta oficial da noite, ocuparam quase metade dos 90 minutos de duração do debate, mas foi o Iraque que exaltou os ânimos da discussão.

Enquanto Obama culpou os republicanos pela crise, tentando associar a imagem de McCain a impopularidade do atual governo de George W. Bush, o adversário republicano propôs como solução o corte de gastos. O democrata também não fugiu da cartilha de seu partido e voltou a insistir na proposta de corte de impostos para 95% dos americanos.

Mas quando a Guerra no Iraque entrou em debate não houve espaço para consenso. Obama prometeu a retirada das tropas americanas e criticou McCain por defender um conflito que nunca deveria ter acontecido. O republicano rebateu as críticas e taxou o rival democrata de "ingênuo", após repetir várias vezes para o democrata a frase "você não entende".

"O senador Obama se recusa a admitir que estamos vencendo no Iraque", afirmou McCain. Ao que Obama respondeu prontamente: "Não é verdade, não é verdade."

"Quando a guerra começou, você disse que ela seria rápida e fácil. Você disse que sabíamos onde as armas de destruição em massa estavam", rebateu Obama, criticando o principal argumento da Casa Branca para a invasão do Iraque em 2003.

"McCain está certo que a violência no país reduziu com o trabalho de nossas tropas, mas entenda que esta foi uma tática desenhada para conter o mal gerenciamento dos quatro anos anteriores. McCain quer fingir que a guerra começou em 2007", disse Obama, questionado sobre quais as lições aprendidas com o conflito no Iraque.

Pesquisas

Segundo a pesquisa realizada pelo CNN/Opinion Research Corporation, 51% dos eleitores entrevistados afirmaram que Obama venceu o debate realizado na noite desta sexta-feira (26) enquanto 38% preferiram a atuação de McCain.

O instituto ressalva, no entanto, que o resultado pode refletir o fato de que mais democratas que republicanos assistiram o debate. Entre os espectadores pesquisados, 41% declararam ser democratas; 27% declararam ser republicanos; e 30% declararam ser independentes.

Uma segunda sondagem realizada pela rede de televisão CBS com 500 eleitores declarados indecisos apontou também que o democrata Obama ganhou o primeiro debate presidencial realizado na Universidade do Mississippi.

Para 40% dos indecisos consultados pela rede, o democrata se saiu melhor ao debater a crise financeira dos Estados Unidos, Iraque, Afeganistão e outros temas de política externa e segurança nacional. Apenas 22% dos eleitores escolheram o republicano McCain como ganhador e 8% disseram acreditar que o confronto acabou em empate.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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