Mundo
29/09/2008 - 18h44

"Não é hora de apontar culpados, mas de resolver o problema", diz McCain

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da Folha Online

O candidato republicano à Casa Branca, John McCain, afirmou nesta segunda-feira sobre a crise financeira que não é "momento de culpar ninguém, mas sim é hora de resolver o problema". O senador respondia ao anúncio, feito horas antes, pelos deputados americanos que rejeitaram o plano de resgate financeiro do governo George W. Bush no valor de US$ 700 bilhões.

"Trabalhei duro para que todos negociassem na mesa (...) o plano não é perfeito, o fato dos contribuintes terem que pagar para ajudar a economia não me agrada, eu preferia que o plano tivesse sido melhorado para passar no Congresso", afirmou McCain.

Na semana passada, McCain suspendeu sua campanha para ir a Washington negociar com congressistas a aprovação do plano do presidente Bush. O candidato democrata Barack Obama fez o mesmo, após criticar o projeto e destacar que o texto precisava conter garantias para os cidadãos americanos que, segundo ele, iriam financiar o resgate e, por isso, deveriam ser tratados como investidores.

"Mas é importante que todos resolvamos nossas diferenças em uma negociação, não é momento de colocar a culpa em ninguém, é hora de resolvermos o problema e colocar os interesses políticos de lado", acrescentou em referência às críticas de seu adversário democrata.

Contra-ataque

Horas antes, o senador por Illinois realizou um pronunciamento sobre a rejeição do plano de socorro financeiro no Congresso, com ataques diretos ao governo do presidente George W. Bush.

"O que vimos nas últimas semanas é o veredicto final dessa filosofia. Essa é a conseqüência de oito anos de irresponsabilidade. Está na hora de ter a supervisão de um adulto na Casa Branca. Por isso sou candidato. É hora de virarmos a página", disse Obama diante de uma empolgada platéia, em um comitê no Colorado.

No discurso, Obama afirmou que o dinheiro que o governo luta para destinar ao resgate da economia podia ser usado para melhorar os sistemas de saúde e de educação, por exemplo.

"O senador McCain seguiu essa filosofia falida por 36 anos, em Washington. Agora ele quer nos dar mais quatro anos disso", disse. "Em entrevista recente, ele chegou a dizer que essa regulação havia ajudado a minguar a economia. Senador McCain, de qual economia você está falando?", questionou o candidato.

O porta-voz da campanha democrata, Bill Burton, também afirmou em nota que os EUA "vivem um momento de crise nacional" e é "hora dos democratas e republicanos se unirem para evitar uma catástrofe econômica".

Pacote em aberto

No fim de semana, líderes do Congresso e do governo anunciaram que tinham chegado a um acordo sobre o texto do projeto sobre o qual a maioria concordaria. Na manhã desta segunda, Bush disse que a aprovação seria "difícil", mas iria acontecer. O plano, porém, não passou. Obama e McCain, que tinham prometido acordo, não chegaram a votar --o Senado votaria quarta (1º).

O pacote de US$ 700 bilhões de ajuda ao setor financeiro enfrenta agora um futuro incerto. A Casa Branca informou que o presidente Bush vai se reunir com membros do Congresso e da equipe econômica ainda hoje para "determinar os próximos passos".

Entenda crise financeira que afeta os EUA

Após a rejeição, as Bolsas americanas passaram a registrar quedas de mais de 5%. No Brasil, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) retrocede 12,06% e desce para os 44.660 pontos, o nível mais baixo desde março de 2007. O dólar comercial disparou 6,21% --a sua variação mais alta desde janeiro de 1999-- e atingiu R$ 1,966.

A Câmara rejeitou o pacote por 228 votos contra e 205 votos a favor. Segundo o jornal "The New York Times", mais de dois terços dos republicanos e 40% dos democratas se opuseram.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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