Agricultores argentinos retomam protestos contra governo na sexta-feira
da Folha Online
As organizações de agricultores da Argentina anunciaram nesta terça-feira que voltarão a paralisar a comercialização de grãos e de gado, por seis dias, a partir desta sexta-feira (03), em protesto contra a política agropecuária do governo. O locaute, porém, não incluirá as áreas afetadas pela seca, uma das mais intensas da história do país.
"O governo voltou a ignorar nossos pedidos. É impossível não perceber o agravamento da situação dos produtores, causada pela alta dos custos (de produção), pelo aumento do petróleo e pela queda dos preços internacionais devido à crise financeira mundial", declarou um dos líderes agrícolas, Hugo Biolcatti.
Milhares de agricultores organizaram uma greve este ano, que durou 128 dias e terminou com a rejeição no Congresso de um projeto da presidente argentina, Cristina Kirchner, que tentava aumentar os impostos sobre as exportações de grãos, especialmente a soja.
"Não venderemos grãos nem para exportação nem para o mercado interno", afirmou Biolcatti.
A Argentina é o maior exportador de farinha e óleo de soja do mundo, o segundo maior de milho, o terceiro maior de soja em grão e o quarto maior de trigo, segundo dados da secretaria de Agricultura americana.
As exportações de matérias-primas agrícolas e agroindustriais representam mais de 50% das vendas externas do país.
Os principais destinos das exportações argentinas são Mercosul, União Européia e Ásia. O volume de vendas para estes compradores caiu entre março e julho deste ano, quando os agricultores grevistas bloquearam estradas, pararam de comercializar seus produtos e protestaram contra a presidente Kirchner.
A nova greve não bloqueará estradas da região central do país, o rico Pampa, mas uma marcha de produtores será organizada até Buenos Aires, terminando com o abraço simbólico do prédio do Parlamento, na quarta-feira.
"Queremos a eliminação plena das retenções (impostos sobre as exportações). Que sejam reduzidas a zero", disse Biolcatti.
Desaceleração do PIB
Em agosto, Cristina Kirchner admitiu que houve uma desaceleração do crescimento econômico no país, atribuindo o fato à greve agrária, e criticando o setor financeiro e as agências de classificação de risco.
Em um ato político na localidade de San Martín, Cristina disse que o PIB (Produto Interno Bruto) argentino aumentou 6,5% em junho em relação ao mesmo mês de 2007, abaixo do ritmo que vinha crescendo, e ligou a desaceleração ao conflito agropecuário.
A paralisação dos produtores rurais na Argentina começou em março deste ano e se estendeu por quatro meses. Os agricultores interromperam a comercialização de grãos para exportação e bloquearam estradas, provocando o desabastecimento interno.
Apesar disso, a presidente argentina destacou a marcha da economia, argumentando que o PIB cresceu 8,1% durante o primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2007 e 8,5% entre julho do ano passado e junho deste ano.
Superada sua pior crise, a economia argentina engrenou uma vigorosa recuperação a partir de 2003, ano em que o PIB registrou uma melhora de 8,8%. Desde então, esse crescimento continuou apresentando bons números, alcançando um pico em 2004 (9,0%) e 2005 (9,2%) e diminuindo um pouco o ritmo em 2006 (8,5%) e 2007 (8,7%).
Com France Presse
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