Mundo
02/10/2008 - 16h21

Eventual fracasso de Palin no debate pode afundar chapa republicana

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MÁRCIA SOMAN MORAES
colaboração para a Folha Online

Na noite desta quinta-feira, os candidatos a vice dos Estados Unidos se enfrentam em um único debate antes das eleições de 4 de novembro. O confronto traz a oportunidade da republicana Sarah Palin refazer sua imagem após seqüência de gafes, mas também o risco de uma queda da chapa republicana nas pesquisas.

"O debate pode ser fundamental para a campanha republicana. Palin pode se mostrar uma grande debatedora ou um fiasco. E se ela fracassar, John McCain verá uma queda ainda maior e talvez irrecuperável nas pesquisas", afirma Howard Rosenthal, professor de política da Universidade de Nova York.

Brian Snyder-29set.08/Reuters
U.S. Republican vice-presidential nominee Alaska Governor Sarah Palin (R) listens to U.S. Republican presidential nominee Senator John McCain (R-AZ) at a campaign rally in Columbus, Ohio September 29, 2008. REUTERS/Brian Snyder (UNITED STATES) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008 (USA)
Palin ouve discurso de McCain; seu desempenho pode afetar chapa

Embora reconheça o grande investimento republicano no preparo de Palin para o confronto, ele ressalta que o debate é um cenário promissor para gafes que podem mudar a imagem do candidato para os eleitores. "Debate é sempre um evento imprevisível, há vezes que a audiência fica histérica com o desempenho dos candidatos, mas há vezes em que simplesmente não parecem se importar. Será interessante assistir."

Terry Bimes, professora de ciência política da Universidade da Califórnia, vê com ressalva a mudança que Palin pode causar nas pesquisas. "Os debates marcam momentos históricos, mas normalmente não mudam a trajetória das eleições", disse a professora.

Ela explica que a maioria dos eleitores que acompanharão o evento desta noite são republicanos e democratas que já tem voto definido e cuja avaliação será fundamentada no partidarismo. "Os independentes, que são considerados chave para esta eleição, não são tão engajados e por isso tendem a ver menos os debates", explica, acrescentando que uma mudança nas pesquisas viria justamente da opinião dos independentes.

Gafes

Ambos concordam, contudo, que os holofotes da Universidade Washington, em St. Louis (Missouri) estarão em Palin, a governadora do Estado do Alasca, que chegou ao cenário nacional como celebridade, se descreveu como "um pit bull de batom" na política, mas ainda não convenceu os eleitores de que está pronta para a Casa Branca.

Morry Gash/AP
Democratic vice presidential candidate Sen. Joe Biden, D-Del., speaks at a fire station Friday, Sept. 26, 2008, in Cudahy, Wis. (AP Photo/Morry Gash)
Experiência do democrata Joe Biden deve dificultar o debate para a Sarah Palin

Bimes lembra que Palin estará sozinha diante do moderador e do experiente rival democrata Joe Biden, depois de semanas sob intenso controle da equipe republicana. "A campanha de McCain a mantém em rédea curta. Eles não a deixaram dar muitas entrevistas, ela não teve oportunidades de falar livremente e estar no horário nobre da televisão. Ela terá que ir de zero a 120 km/h em apenas uma noite", disse a professora.

Além de enfrentar as câmeras, aponta Bimes, Palin tem ainda o desafio de mostrar que é mais articulada e preparada do que demonstrou nas poucas entrevistas que concedeu. "Palin está vindo de entrevistas difíceis para ela, ela não mostrou muito conhecimento sobre o mundo e sobre questões importantes para um vice-presidente. Ela precisa mostrar que pode se manter em um debate e, principalmente, que pode ocupar a Presidência."

Nas entrevistas, ela não conseguiu descrever a doutrina do presidente George W. Bush em assuntos internacionais, pediu que vítimas de estupro e incesto não façam aborto e aparentemente endossou a postura do democrata Obama de perseguir terroristas da Al Qaeda no Paquistão.

E nesta noite, os eleitores estarão prestando muita atenção em Palin e também em Biden, segundo Rosenthal, não somente pelas propostas para o país e para a grave crise financeira, mas principalmente na linguagem corporal.

"Haverá muitos eleitores que simplesmente não acompanharam a campanha e vão procurar informação no debate. O confronto é a oportunidade deles formarem uma impressão, não necessariamente informações sobre suas opiniões ou políticas, mas sobre sua linguagem corporal", argumenta o professor, acrescentando que os eleitores esquecem das propostas, mas sempre lembram da atitude dos candidatos nos debates.

"Pense no que lembramos dos debates entre George Bush e Bill Clinton. A única coisa que lembramos agora é que George Bush olhou para o relógio o tempo inteiro. São coisas que não tem nada a ver com política, mas são importantes para os candidatos ganharem a confiança dos eleitores. E isso é particularmente essencial para a novata Sarah Palin", completa Rosenthal.

Teatro

Desde o anúncio de que Palin seria a companheira de chapa do experiente senador McCain, a campanha republicana tem protegido a governadora de repórteres e de gafes públicas --ela apareceu em apenas três entrevistas na televisão nacional e não deu entrevistas coletivas.

Ramin Talaie-25set.09/Efe
NEW03 NUEVA YORK (ESTADOS UNIDOS), 25/9/08.- La candidata republicana a la vicepresidencia de Estados Unidos, Sarah Palin, se sienta entre el público durante la segunda jornada de la Iniciativa Global Clinton en Nueva York, Estados Unidos, hoy jueves 25 de septiembre. El ex presidente del país, Bill Clinton, organiza cada año este encuentro en paralelo a la Asamblea General de la ONU como parte de las reuniones de la iniciativa global que lleva su nombre, y en él se abordan temas como la pobreza, el cambio climático y la energía. EFE/Ramin Talaie
Sarah Palin terá que enfrentar Biden sem ajuda de seus assessores

Ao mesmo tempo, os melhores assessores republicanos fazem um treinamento intensivo em Palin, que incluiu reuniões com líderes estrangeiros --longe das câmeras-- e um treinamento intensivo de três dias no rancho de McCain, perto de Sedona, no Arizona para o que os assessores republicanos chamam de "acampamento de debate".

Para Rosenthal, o treinamento intensivo é parte da estratégia republicana para evitar mais respostas evasivas. "O que veremos será um teatro. Ela será preparada para 90% do que vai falar e apenas 10% vai ser elaborado na hora."

Bimes aposta em um outro cenário para esta noite. Para a professora, Palin terá apenas "algumas frases prontas". "Em algum ponto da noite, ela terá que sair do roteiro e bolar as respostas por si própria. E esta é a preocupação dos republicanos", afirma. E diante das expectativas criadas sobre Palin, a professora aposta ainda em uma audiência maior que os 52,4 milhões de espectadores que acompanharam o primeiro debate presidencial entre McCain e democrata Barack Obama.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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