Mundo
01/10/2008 - 17h51

Otan pede envio de mais tropas ao Afeganistão "o mais rápido possível"

Publicidade

da Folha Online

O principal responsável pelas tropas da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Afeganistão, o general americano David McKiernan, pediu nesta quarta-feira o envio de tropas adicionais ao país "o mais rápido possível".

McKiernan, que assumiu o comando das tropas da Otan no Afeganistão em junho, lamentou a falta de recursos das forças internacionais para enfrentar o conflito no país. "É necessário que o aumento da capacidade militar que viemos pedindo há muito tempo chegue o mais rápido possível", declarou o general em entrevista coletiva no Pentágono.

Arte Folha Online

O general, que ainda hoje deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, explicou que não se trata apenas de enviar mais tropas, mas de mais ajuda econômica e mais apoio político também.

O americano afirmou que são necessárias mais "botas em solo", assim como apoio de "helicópteros, recursos de inteligência, de logística, de transporte, e por aí vai".

Há uma semana, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse que um batalhão será enviado ao Afeganistão em novembro e uma brigada, em janeiro, mas não haverá outros envios de tropas ao país muito antes do meio de 2009.

Na semana antes do anúncio de Gates, McKiernan havia pedido por mais quatro brigadas --três a mais do que o aprovado para janeiro. Três brigadas representam cerca de 12 mil homens.

O comandante disse ter sido detectado um forte aumento de insurgentes estrangeiros, principalmente do Paquistão, mas também de Tchetchênia, Uzbequistão Arábia Saudita e inclusive da Europa.

O militar disse estar "cautelosamente otimista" sobre a intervenção do Exército paquistanês na fronteira com o Afeganistão, mas afirmou que ainda é cedo para determinar sua efetividade no combate aos insurgentes que se refugiam na região.

Ano mais sangrento

Fontes militares estimam que a violência no Afeganistão aumentou 30% neste ano em relação a 2007.

Os membros do grupo radical Taleban se associaram às redes da organização terrorista Al Qaeda e seguiram cometendo atentados --que aumentaram consideravelmente nos últimos anos.

Durante 2008, morreram mais soldados americanos que em qualquer outro ano desde que os Estados Unidos invadiram o Afeganistão, em 2001.

"Estamos envolvidos em um combate muito duro", declarou McKiernan. "A possibilidade de que a situação, ao invés de melhorar, possa ser pior é real", acrescentou.

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, afirmou na semana passada que tentará mandar mais tropas para o Afeganistão a partir do início do próximo ano.

Alguns oficiais calcularam em dez mil o número de soldados adicionais que seriam necessários para treinar o Exército afegão e continuar lutando contra a insurgência.

Atualmente a Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), sob comando da Otan, conta com mais de 52 mil soldados de cerca de 40 países aliados e associados a esta entidade.

Guerra

O novo comandante militar dos Estados Unidos na região, general David Petraeus, disse em entrevista publicada nesta quarta-feira pelo "The New York Times" que os talebans estão se tornando mais fortes no Afeganistão e no Paquistão.

Petraeus afirmou que a insurgência taleban chegou a ter tanta estrutura que não podia ser derrotada apenas por meios militares. Ele pediu a criação de um plano para a reconciliação entre governos e setores sociais que enfrentam o poder central. Ele disse que "não se pode matar ou capturar [o suficiente] a ponto de acabar com uma insurgência de dimensões tão grandes como era a do Iraque e do Afeganistão".

Para o general, o novo presidente do Paquistão, Ali Asif Zardari, está comprometido com a luta contra a insurgência.

Com agências internacionais

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca