Integridade territorial da Geórgia é inegociável, diz chanceler alemã
da Folha Online
Em entrevista à imprensa concedida ao lado do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, voltou a dizer nesta quinta-feira que "a integridade territorial da Geórgia é inegociável". Recentemente, Medvedev reconheceu a soberania das duas regiões separatistas da Geórgia, a Ossétia do Sul e a Abkházia.
Em agosto passado, tropas russas invadiram a Geórgia para defender a Ossétia do Sul. O conflito entre os países durou seis dias e culminou em um cessar-fogo pelo qual os russos deviam deixar o país em breve, mas isso ainda não foi feito. Foi estabelecido, então, que a retirada deveria acontecer nos próximos dez dias, sob a supervisão de observadores da UE (União Européia). Ontem, cerca de 200 chegaram à Ossétia do Sul.
| Arte/Folha Online |
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Para Merkel, a permanência das tropas russas na Geórgia é inaceitável, e a expectativa é a de que o conflito entre os países vizinhos termine com negociações internacionais marcadas para começar no fim deste mês.
"Nós acreditamos que a reação da Rússia na crise não foi apropriada", disse Merkel. Para a chanceler, o conflito entre Rússia e Geórgia mostrou que o sistema global de segurança que existe atualmente "não é capaz de prevenir aventuras militares". "Temos que fazer algo para criar uma moderna e confiável arquitetura para esse sistema, no futuro."
Medvedev defendeu novamente a criação de um sistema que inclua a Rússia, a Europa e a América do Norte. "Espero que o número de defensores da idéia aumente", disse.
O presidente russo também voltou a dizer que a troca de farpas com o Ocidente --os diálogos com Ossétia do Sul e Abkházia ocorrem a despeito do protesto da comunidade internacional-- não irá originar uma nova Guerra Fria. "Talvez alguém queira dividir o mundo entre aliados e estranhos, entre certos e errados, mas aqui na Rússia estamos confiantes de que o tempo para isso está irreparavelmente encerrado."
"O retorno à Guerra Fria é tão impossível quanto a reconstrução do Muro de Berlim", disse.
Putin
O chanceler russo, Vladimir Putin, afirmou, também nesta quinta-feira, que a Ucrânia enviou armas e militares à Geórgia em agosto passado, durante o conflito com a Rússia. Depois de uma longa conversa com a chanceler ucraniana, Yulia Tymoshenko, Putin afirmou que, anos atrás, "ninguém pensaria, nem em pesadelos, que russos e ucranianos estariam lutando uns contra os outros". "Mas isso aconteceu, e é crime."
Tymoshenko afirmou que uma comissão parlamentar da Ucrânia irá investigar a acusação.
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