Venezuelano revela novos detalhes sobre "caso da mala"
da France Presse, em Miami
O empresário venezuelano Carlos Kauffmann relatou, nesta quinta-feira, em uma corte federal de Miami, como o governo de seu país o encarregou da tarefa de abafar o escândalo do envio de dinheiro, por parte de Caracas, para a campanha presidencial argentina de 2007.
Kauffmann, que acabou sendo detido e se declarou culpado de agir nos Estados Unidos como um agente ilegal de um governo estrangeiro, revelou que foi a uma reunião na sede da Direção de Inteligência da Venezuela (Disip) que recebeu instruções para se ocupar do caso, em Miami.
Esse empresário do setor de petróleo declarou que, na noite de 30 de agosto de 2007, reuniu-se com o chefe da Disip, general Henry Rangel Silva, em seu escritório em Caracas.
No encontro, estavam seu sócio Franklin Durán e o advogado Moisés Maiónica, ambos detidos em Miami, posteriormente, e também acusados como agentes infiltrados da Venezuela.
"Houve uma reunião e, depois, jantamos no último andar da Disip", contou Kauffmann ao júri.
"Caso da mala"
O encontro ocorreu poucas semanas depois da explosão do escândalo pela apreensão de uma maleta com US$ 800 mil, em poder do empresário Guido Antonini Wilson, que saiu de Caracas e desembarcou em Buenos Aires, na madrugada de 4 de agosto.
O dinheiro não era de Antonini, mas do Estado venezuelano. Tratava-se de uma contribuição do governo para a campanha da candidata oficialista e atual presidente argentina, Cristina Kirchner.
Kauffmann e Durán, que viviam entre Caracas e Miami, tinham uma relação permanente de negócios e amizade com Antonini, morador dessa cidade, e assumiram a tarefa de convencê-lo a não revelar a origem e o destino do dinheiro.
"Dissemos a Rangel que iríamos ajudar o governo a solucionar o escândalo, que podia contar conosco", declarou Kauffmann à juíza americana Joan Lenard.
Kauffmann e Durán eram donos, em partes iguais, de empresas de diferentes setores (petróleo, segurança, navegação, entre outros), com as quais obtiveram milionários contratos do governo de Hugo Chávez.
"O nome de Antonini aparecia na imprensa vinculado aos nossos e às nossas empresas, e estávamos preocupados com que esse escândalo afetasse os negócios", admitiu o empresário na corte.
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