Mundo
02/10/2008 - 23h46

Palin faz lição de casa, mas experiência de Biden sobressai

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da Folha Online

Atualizado às 02h03

O debate entre os dois candidatos à vice-Presidência dos Estados Unidos, a governadora republicana do Alasca, Sarah Palin, e o senador veterano Joe Biden, da chapa democrata, transcorreu sem grandes danos para ambos os lados. Palin conseguiu repetir a retórica republicana sem cometer nenhuma gafe, mas não foi páreo para a disputa contra Biden e sua experiência de 35 anos no Senado.

Em todos os assuntos, Biden reafirmou a mensagem de mudança da campanha democrata, associando as políticas do presidenciável republicano,John McCain, aos oito anos de governo do presidente George W. Bush.

Larry Rubenstein/Reuters
Democratic vice presidential nominee Senator Joe Biden (D-DE) and Republican vice presidential nominee Alaska Governor Sarah Palin shake hands after the vice presidential debate at Washington University in St. Louis, Missouri October 2, 2008. REUTERS/Larry Rubenstein (UNITED STATES) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008 (USA)
Candidatos a vice dos EUA, Joe Biden e Sarah Palin, se cumprimentam no debate

Desde o começo da semana, Biden recebeu orientações de líderes democratas femininas para assegurar que seu tom --mais profissional e distante que o de Palin-- não soasse sexista. E conseguiu, mesmo nos embates mais longos.

Para isso, Biden buscou não responder diretamente a Palin, mas preferiu lançar golpes freqüentes contra o McCain. O democrata disse que McCain não é independente "para as questões realmente importantes para o povo americano". "Ele votou contra incluir crianças no plano de saúde, votou a favor do orçamento de Bush", afirmou Biden, "ele não foi independente na guerra e em nada realmente importante".

Do ponto de vista da campanha republicana, Palin tropeçou --como era esperado-- nas perguntas sobre política internacional, mas conseguiu reforçar a imagem de McCain, que insistiu em chamar de 'maverick' (independente). "McCain é independente e ele enfrentou críticas dos dois lados ao defender o melhor para o povo americano. E foi isso que eu fiz no Alasca", afirmou Palin, que reiterou várias vezes suas conquistas como governadora do Alasca para provar que estaria qualificada para ser vice-presidente.

Palin apelou para a simpatia, se dirigindo sempre sorridente para os espectadores. Ela reafirmou seu apelo às famílias americanas de classe média --um dos motivos para sua entrada na chapa republicana-- inclusive com gírias de jogos de hóquei como "you betcha" ("pode apostar", em tradução livre). "Nós lutaremos pela América, lutaremos pelas famílias de classe média. Eu estive lá e conheço os desafios e as felicidades de ser americana", disse.

Pesquisa da rede de TV CNN, divulgada após o debate, dava a vitória a Biden com 51%, contra 36% de Palin, números parecidos com os obtidos pelo democrata Barack Obama e McCain. Mas a republicana saiu-se melhor do que o esperado para 84% das pessoas.

Como ocorreu no debate presidencial, a crise financeira dos EUA e a Guerra no Iraque ressaltaram o contraste entre a chapa democrata e a republicana. A primeira pergunta foi novamente sobre a situação na economia americana, tema que dominou a campanha nas últimas semanas.

Crise

Biden culpou "as políticas econômicas ruins dos últimos oito anos" e "o fracasso do governo em controlar e regulamentar o sistema financeiro". "Nós vamos fundamentalmente mudar o foco da economia, focaremos na classe média americana que é onde devemos focar para a economia crescer."

Jeff Roberson/AP
Democratic vice presidential candidate Sen. Joe Biden, D-Del., left, and Republican candidate Alaska Gov. Sarah Palin face off during a vice presidential debate at Washington University in St. Louis, Mo., Thursday, Oct. 2, 2008. (AP Photo/Jeff Roberson)
Joe Biden e Sarah Palin debateram temas tão variados como Guerra do Iraque, crise econômica, casamento gay e impostos

Em sua vez, a republicana Palin --que pediu para chamar Biden apenas de Joe-- afirmou que os americanos estão 'com medo' e querem saber como o crescimento econômico vai ser restabelecido.

"O governo federal não garantiu a supervisão do sistema financeiro de que precisamos", disse a governadora do Alasca, engrossando o coro de críticas a Bush. "John McCain foi um dos legisladores que representou a maior supervisão", continuou Palin, ressaltando que o senador interrompeu sua campanha na semana passada para 'garantir que uma solução para a crise fosse encontrada'.

Em relação ao plano de resgate financeiro do país, Biden ressaltou que o companheiro de chapa, Barack Obama, negociou "mais critérios".

Em relação às políticas tributárias, Biden criticou McCain por "pensar que a desregulamentação de Wall Street era a solução" e exaltou Obama por "defender a regulamentação". "A classe média precisa de menos impostos agora."

Palin rebateu afirmando que Obama, em 94 ocasiões, votou em propostas no Senado que supostamente teriam gerado aumento de impostos. O democrata negou as acusações, afirmando que McCain havia votado da mesma forma que Obama nessas oportunidades, e destacou que a governadora do Alasca não havia respondido sobre a regulamentação de Wall Street.

Iraque

Questionados sobre seus planos para o confronto e para as tropas americanas no Iraque, os dois defenderam as posições de seus companheiros de chapa. Palin disse "ficar feliz" porque os EUA têm um plano para o confronto desenvolvido pelo "grande americano" general David Petraeus --ex-comandante das forças americanas no Iraque-- e apoiado por "outro grande americano" John McCain.

"Quando Barack Obama se apôs ao envio do reforço de tropas para o Iraque, você, senador Biden, criticou o voto dele e afirmou que nisso custaria vidas", criticou a republicana, acrescentando que o plano republicano é ganhar o confronto. "Não podemos perder para a Al Qaeda e para os extremistas. Nós estamos próximos da vitória e seria horrível perder", disse a republicana.

Biden rebateu as críticas dizendo que McCain votou, assim como Obama, contra o destino de mais verbas para as tropas argumentando que havia uma agenda para o fim do conflito. "Obama prometeu retirar as tropas nos próximos 16 meses", lembrou Biden, acrescentando que ele e o presidenciável concordam que é necessário ter uma data para a saída dos soldados americanos.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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