Mundo
03/10/2008 - 09h25

Pesquisas dão vitória de debate entre vices ao democrata Joe Biden

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da Folha Online

O candidato democrata à vice-Presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, venceu o primeiro e único debate contra a vice da chapa republicana, Sarah Palin, na noite desta quinta-feira, em Saint Louis (Missouri), segundo pesquisas divulgadas pela imprensa americana.

Larry Rubenstein/Reuters
Democratic vice presidential nominee Senator Joe Biden (D-DE) and Republican vice presidential nominee Alaska Governor Sarah Palin shake hands after the vice presidential debate at Washington University in St. Louis, Missouri October 2, 2008. REUTERS/Larry Rubenstein (UNITED STATES) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008 (USA)
Candidatos a vice dos EUA, Joe Biden e Sarah Palin, se cumprimentam no debate

De acordo com pesquisa da CNN/Opinion Research Corp., 51% dos eleitores disseram achar que Biden venceu o debate, contra 36% para Sarah Palin. Ainda de acordo com a sondagem, ambos os candidatos superaram as expectativas: 84% disseram que Palin se saiu melhor que o esperado, enquanto 64% disseram que Biden também superou as expectativas. A margem de erro da pesquisa é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

Outra pesquisa, divulgada pela rede CBS, afirma que 46% dos eleitores que ainda não tinham escolhido candidato ou que estavam abertos a mudanças na escolha apontaram o democrata como o vencedor, contra 21% para a republicana. Cerca de um terço dos entrevistados disse achar que o resultado do debate foi empate. A margem de erro é de cinco pontos percentuais para qualquer direção.

O debate, considerado de grandes oportunidades e riscos, transcorreu sem grandes danos para ambos os lados. Palin conseguiu repetir a retórica republicana sem cometer nenhuma gafe, mas não foi páreo para a disputa contra os 35 anos de experiência de Biden no Senado.

Em todos os assuntos, Biden reafirmou a mensagem de mudança da campanha democrata, associando as políticas do presidenciável republicano, John McCain, aos oito anos de governo do presidente George W. Bush.

Orientações

Desde o começo da semana, Biden recebeu orientações de líderes democratas femininas para assegurar que seu tom --mais profissional e distante que o de Palin-- não soasse sexista. E conseguiu, mesmo nos embates mais longos.

Para isso, Biden buscou não responder diretamente a Palin, mas preferiu lançar golpes freqüentes contra o McCain. O democrata disse que McCain não é independente "para as questões realmente importantes para o povo americano". "Ele votou contra incluir crianças no plano de saúde, votou a favor do orçamento de Bush", afirmou Biden, "ele não foi independente na guerra e em nada realmente importante".

Do ponto de vista da campanha republicana, Palin tropeçou --como era esperado-- nas perguntas sobre política internacional, mas conseguiu reforçar a imagem de McCain, que insistiu em chamar de "maverick" (independente). "McCain é independente e ele enfrentou críticas dos dois lados ao defender o melhor para o povo americano. E foi isso que eu fiz no Alasca", afirmou Palin, que reiterou várias vezes suas conquistas como governadora do Alasca para provar que estaria qualificada para ser vice-presidente.

Palin apelou para a simpatia, se dirigindo sempre sorridente para os espectadores. Ela reafirmou seu apelo às famílias americanas de classe média --um dos motivos para sua entrada na chapa republicana-- inclusive com gírias de jogos de hóquei como "you betcha" ("pode apostar", em tradução livre). "Nós lutaremos pela América, lutaremos pelas famílias de classe média. Eu estive lá e conheço os desafios e as felicidades de ser americana", disse.

Economia

A economia, principal preocupação do eleitor americano, dominou o debate. Os dois evitaram um confronto direto e centraram ataques nos candidatos à Presidência.

A governadora defendeu McCain destacando que o Senador denunciou há tempos o descontrole em Wall Street e o risco que representava a questão hipotecária, e Biden lembrou que Obama enviou uma carta ao Tesouro americano para advertir sobre os mesmos temas.

Os dois candidatos a vice concordaram em que é preciso haver mais controle sobre o setor financeiro nos EUA, e Biden acusou os republicanos pelo descontrole no setor, uma das causas da atual crise.

Nos últimos oito anos, diante dos pedidos dos democratas para um maior controle financeiro, "a resposta republicana sempre foi: desregulamentação, desregulamentação", disse Biden. Palin afirmou que "é preciso acabar com a corrupção em Wall Street. É preciso dizer: nunca mais".

Já Biden acusou os republicanos de aproveitar a crise para cortar impostos de quem ganha mais de 250 mil dólares por ano.

Iraque

Na questão internacional, o forte do senador democrata, a governadora republicana acusou Barack Obama de agitar "uma bandeira branca" no Iraque com seu plano de retirada das tropas americanas.

"Saberemos quando terminou no Iraque assim que o governo iraquiano puder cuidar de sua gente e as forças de segurança iraquianas conseguirem garantir a segurança da população", destacou Palin. "Nossos comandantes no Iraque nos dirão quando estas condições forem alcançadas. Precisamos vencer no Iraque (...) e cada vez mais nos aproximamos da vitória".

Biden rebateu destacando que se Obama vencer a eleição de 4 de novembro, "vamos acabar com a guerra" no Iraque, mas se McCain ganhar, "não haverá uma perspectiva" para o fim do conflito.

Segundo Biden, os republicanos não têm um plano para acabar com o conflito no Iraque, que já custou a vida de mais de 4.000 soldados americanos, mas Obama oferece um caminho claro: "Passar a responsabilidade aos iraquianos nos próximos 16 meses".

"Esta é uma diferença fundamental entre nós. Queremos o fim da guerra, mas para John McCain não há perspectiva para o fim desta guerra. (...) Estamos gastando US$ 10 bilhões por mês (no Iraque), enquanto os iraquianos têm um superávit de US$ 80 bilhões", destacou o senador.

Política externa

Palin criticou a disposição de Obama de discutir diretamente com ditadores como o iraniano Mahmoud Ahmadinejad e o norte-coreano Kim Jong-Il, chamando o candidato democrata de ingênuo ou desinformado.

Um candidato à Presidência que se dispõe a negociar com "ditadores" como o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o líder norte-coreano, Kim Jong-il, "está além da ingenuidade ou do erro de julgamento (...) é perigoso", disse Palin.

A governadora afirmou que ela e McCain "não vão se reunir, sem condições prévias, com líderes como Ahmadinejad, que tentam adquirir uma arma atômica e apagar da face da Terra um aliado como Israel".

Biden respondeu dizendo que Obama "jamais afirmou que se sentaria com Ahmadinejad" e destacou estar surpreso por McCain não saber que Ahmadinejad "não controla o aparato de segurança no Irã". É a "teocracia que controla a segurança".

O senador lembrou que os aliados dos EUA querem que Washington negocie com os países inimigos, e que cinco ex-secretários americanos de Estado compartilham esta opinião.

Com France Presse

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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