Mundo
03/10/2008 - 11h03

Bancada republicana encolherá

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ANDREA MURTA
da Folha de S. Paulo

Além de estar à frente na disputa da Casa Branca, o Partido Democrata mantém em 2008 forte vantagem para a renovação do Congresso dos EUA, com chances de expandir a atual maioria em 5 a 7 vagas no Senado e 12 a 17 na Câmara dos Representantes (deputados), segundo o influente centro de análise Cook Political Report.

Se os números se confirmarem, será a maior vantagem de um partido em 15 anos. Desde a eleição de 2006, quando recuperaram maioria perdida em 1994, os democratas têm 49 vagas no Senado, um empate com os republicanos (há dois independentes), e 235 na Câmara, contra 199 oponentes (há uma cadeira vazia).

No cenário mais favorável ao partido, os democratas terão vantagem de 14 legisladores no Senado e 70 na Câmara, controlando 57,5% do Congresso.

Outros institutos corroboram a análise. Larry Sabato, do Centro de Política da Universidade da Virginia, prevê que o partido avance de 9 a 15 vagas na Câmara e de 5 a 7 no Senado.

"Não vimos os republicanos diante de uma reviravolta como esta desde 1974, quando o presidente Richard Nixon [1969-74] renunciou em meio ao [escândalo do] Watergate", disse à Folha David Wasserman, do Cook Political Report.

Ele afirma que, desde o ano passado, as projeções para o avanço democrata em 2008 só cresceram. "Ajudou o fato de que o Iraque saiu do centro do debate político e deu lugar a um tema ainda pior para os republicanos: a economia." Historicamente, democratas são vistos como mais hábeis quando o assunto é finanças.

Nem a péssima avaliação do Congresso atrapalha. As duas Casas, segundo média do site Real Clear Politics, têm hoje 18% de aprovação --menos do que o presidente George W. Bush, com 26%. "O eleitorado é muito crítico ao Congresso, mas não costuma culpar mais o partido no poder do que o outro", diz Wasserman. "Para o público, o problema ali é que as duas legendas não conseguem trabalhar juntas."

O analista destaca como conquistas significativas dos democratas avanços neste ano na Flórida e no Colorado, que costumam enviar republicanos para a Câmara.

Para o especialista em política Adam Sheingate, da Universidade Johns Hopkins, em Nova York, a eleição deste ano "consolida a virada democrata de 2006 para cá, desde quando o partido só faz avançar".

Sheingate, porém, é cauteloso ao avaliar o provável ganho: "Não chega a ser surpreendente. Seria menor do que o verificado na segunda metade da década de 70 e nos anos 80, sobretudo na Câmara", diz.

Um exemplo é o ano de 1975, quando democratas na Câmara pularam de uma maioria de 50 deputados a mais do que os republicanos para 147. E, até 1993, só uma legislatura teve maioria democrata de menos de 71 cadeiras --de 1981 a 1983, quando a vantagem era de 50. No Senado, de 1993 a 1995, os democratas tinham vantagem de 14 legisladores sobre os republicanos, a maior margem de qualquer partido desde então.

Foco na crise

Com a crise econômica, as atenções no Congresso aumentaram. A Câmara dos Representantes foi acusada de rejeitar um impopular pacote de resgate de Wall Street proposto pela Casa Branca por temer a reação nas urnas, já que todas as vagas da Casa vão a voto neste ano --deputados nos EUA têm mandato de dois anos.

Já no Senado, a dinâmica é diferente, pois a Casa é tradicionalmente menos vulnerável a flutuações da opinião pública por ter mandatos intercalados de seis anos. Só um terço do Senado será renovado neste ano.

Com modificações, o resgate a Wall Street foi aprovado nessa Casa na quarta, com apenas 25 votos contra (15 republicanos, 9 democratas e 1 independente). Desses, apenas 8 tentam a reeleição neste ano --2 democratas e 6 republicanos.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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