Mundo
04/10/2008 - 20h44

Irmão de presidente do Afeganistão é acusado de tráfico de drogas

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da Folha Online

Ahmed Wali Karzai, irmão do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, poderia estar envolvido em um caso de tráfico de drogas, segundo a edição deste sábado do jornal americano "The New York Times".

O periódico teve acesso às notas de uma reunião entre membros das forças de segurança afegãs e uma equipe americana que investiga a relação entre Ahmed Wali Karzai com uma rede de tráfico de drogas.

Arte Folha Online
mapa afeganistão

Em 2004, segundo os documentos, as forças de segurança afegãs encontraram um enorme carregamento de heroína escondido nos blocos de concreto em um trator-reboque fora de Candahar.

O comandante afegão nessa cidade apreendeu o caminhão imediatamente e notificou a seu chefe, Habibullah Jan.

Jan contou aos investigadores americanos que recebeu uma ligação telefônica de Ahmed Wali Karzai para pedir que liberasse o veículo e a droga.

Sem investigação

Segundo o comandante, ele deixou o caminhão em liberdade após receber uma nova ligação de um assistente do presidente afegão.

Dois anos mais tarde, durante as operações conjuntas dos Estados Unidos e Afeganistão na luta contra o tráfico de drogas, outro caminhão, desta vez perto de Cabul, foi apreendido com mais de 55 kg de heroína.

Pouco depois da apreensão, segundo as notas da reunião, os investigadores americanos informaram às tropas dos EUA que tinham descoberto ligações entre o envio de drogas e um guarda-costas o qual consideravam que atuava como intermediário para Ahmed Wali Karzai.

As afirmações sobre a participação do irmão do presidente nos fatos nunca foram investigados, segundo funcionários americanos e afegãos, apesar de os rumores de sua ligação com o tráfico de drogas circularem amplamente no Afeganistão.

Tanto o presidente afegão quanto seu irmão, atual chefe do Conselho Provincial de Candahar, a segunda maior cidade do país, negam as denúncias e as atribuem a ataques de seus inimigos políticos.

EUA

"Eu não sou um traficante de drogas, nunca fui e nunca serei", disse Ahmed Wali Karzai em entrevista por telefone ao jornal. "Sou uma vítima da cruel política", acrescentou.

No entanto, as notícias preocuparam profundamente os funcionários americanos em Cabul e em Washington, segundo o "New York Times".

Os EUA temem que a percepção de que o presidente afegão possa estar protegendo o irmão esteja afetando sua credibilidade e mine os esforços de Karzai para consolidar seu governo como bastião da luta contra a insurgência taleban --financiada pelo dinheiro da droga.

Uma de suas preocupações é a intensificação da violência no último ano, que levou o governo americano a enviar mais tropas ao Afeganistão.

"O que parece ser uma percepção comum da corrupção das instituições públicas para os afegãos é um elemento extremamente corrosivo contra nosso trabalho para estabelecer a confiança no governo", disse o tenente-general David W. Barno ao jornal.

Reflexos políticos

Barno, que foi o comandante das forças militares de coalizão no Afeganistão entre 2003 e 2005 e agora está aposentado, destacou que se trata de "um assunto muito grave" e poderia ser um problema para a estratégia dos EUA na região.

Dois altos funcionários da Administração do presidente George W. Bush reconheceram ao "New York Times" que a Casa Branca acredita que Ahmed Wali Karzai está envolvido no tráfico de drogas, e autoridades americanas advertiram em repetidas ocasiões ao presidente Karzai que seu irmão é uma responsabilidade política.

Por sua vez, Humayun Hamidzada, secretário de imprensa de Karzai, negou que o irmão do presidente esteja envolvido no tráfico de drogas ou que o chefe de Estado tenha intervindo para ajudá-lo.

"Foram feitas denúncias sem provas", afirmou Hamidzada, enquanto fontes do Departamento de Estado ou do Escritório de Inteligência Nacional não quiseram fazer declarações.

Com Efe

 

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