O.J. Simpson pode pegar prisão perpétua por assalto, seqüestro e roubo
da Efe, em Washington
O ex-jogador de futebol americano O.J. Simpson --famoso por suas vitórias no esporte, suas participações no cinema e pelo julgamento do assassinato de sua ex-mulher do qual foi absolvido-- pode pegar prisão perpétua após ser considerado culpado em Las Vegas de assalto, seqüestro e roubo à mão armada.
Simpson, 61, poderia passar o resto da vida na prisão juntamente com seu companheiro de golfe Clarence Stewart, 54, também considerado culpado de 12 acusações de assalto à mão armada a dois vendedores de artigos esportivos de colecionador em Las Vegas em setembro de 2007.
Após três semanas de julgamento, no qual 20 testemunhas prestaram depoimento, o júri --composto de nove mulheres e três homens-- emitiu seu veredicto por unanimidade.
A juíza Jackie Glass agora deve definir a condenação, que, apesar de inicialmente ter que sair em um prazo de 30 dias, será adiada para 5 de dezembro a pedido da defesa.
Simpson, que esteve tranqüilo durante todo o julgamento, se emocionou quando o veredicto foi lido.
Julgamento polêmico
O processo foi realizado 13 anos depois que Simpson foi absolvido do julgamento em Los Angeles pelo assassinato da ex-mulher, Nicole Brown, e de um amigo dela, Ronald Goldman.
Aquele foi um dos julgamentos mais famosos na história dos Estados Unidos, pois abriu sérias dúvidas sobre o sistema policial e o racismo latente no país.
Além disso, colocou em questão a imparcialidade dos júris, e fez a sociedade tomar consciência das diferenças que persistiam entre negros e brancos (o acusado era negro e as duas vítimas, brancas).
O fator racial foi determinante no julgamento, já que o advogado de defesa destacou o comportamento racista do principal investigador do caso, a quem acusou de plantar provas contra seu cliente por ser um negro famoso.
O julgamento, exibido a todo o momento na televisão americana, se transformou em um espetáculo midiático, que ridicularizou o sistema de júri quando este, de maioria negra, absolveu o acusado.
Pesquisas de opinião da época indicaram que o caso Simpson tinha se tornado causa comum para muitos negros e tinha agravado as diferenças com os brancos, que, em sua maioria, consideravam o veredicto injusto e motivado pela solidariedade de raça.
Livro do assassinato
Após o anúncio da sentença, o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, teve que pedir respeito ao sistema judiciário e fazer um apelo pela unidade da nação.
Mais tarde, Simpson foi considerado culpado em um julgamento civil. O fato, somado ao lançamento, no ano passado, do livro "If I Did It" ("Se Eu Tivesse Feito", em tradução livre), no qual Simpson descreve de maneira fictícia como teria cometido os assassinatos, alimentou as dúvidas se ele realmente matou os dois.
Esse é um fantasma que, segundo o advogado de Simpson, Yale Galanter, influenciou esta sentença, que considera uma revanche do julgamento dos anos 1990, e já anunciou que apelará da sentença.
Há diferenças. Não havia negros no julgamento de Las Vegas. Por outro lado, havia mais mulheres, e o caso Simpson também abriu um debate sobre violência doméstica, pois o ex-jogador supostamente agrediu várias vezes a ex-mulher.
"O veredicto não foi uma surpresa. Sabíamos o que aconteceria", disse Galanter, que afirmou que os membros do júri estavam predispostos a declarar Simpson culpado.
Assalto
O caso pelo qual foi julgado desta vez é o roubo, juntamente com vários amigos, de um vendedor de artigos esportivos que tinha objetos assinados por Simpson da época quando jogava na Liga Nacional de Futebol Americano (NFL, em inglês).
O vendedor, Bruce Fremong, reconheceu que tinha marcado um encontro com um comprador anônimo --Simpson--, que disse então que os artigos em questão pertenciam a ele.
Em seu depoimento, Freemong disse que Simpson começou a gritar: "Essa m... é toda minha! Tudo isso me pertence. Você me roubou. Vamos pegar tudo e sair daqui".
Segundo a testemunha, um dos comparsas de Simpson apontou uma arma para o rosto de Freemong e gritou: "Vou atirar no seu c...".
Quatro das pessoas que acompanhavam Simpson --Charles Cashmore, Walter "Goldie" Alexander, Michael "Spencer" McClinton e Charles Ehrlich-- se declararam culpados das suas acusações e concordaram em depor contra o ex-jogador de futebol americano.
Nos EUA, assalto à mão armada é punido com pena entre dois e 30 anos de prisão, e o seqüestro tem condenações que vão de cinco anos à prisão perpétua.
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