Obama acusa McCain de não querer discutir crise econômica
da Efe, em Washington
O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, acusou neste domingo o republicano John McCain de estar mais interessado em iniciar uma campanha de desprestígio contra si que em se concentrar na situação econômica do país.
O senador por Illinois respondeu hoje às declarações feitas pela candidata republicana à vice-Presidência, Sarah Palin, que o acusou de "manter relações amistosas com terroristas" após reportagem publicada no jornal "The New York Times".
"Nosso adversário é alguém que vê os Estados Unidos como algo tão imperfeito que é amigo de terroristas capazes de cometer ações terroristas contra seu próprio país", disse Palin neste sábado.
A acusação toca em um tema delicado nos Estados Unidos, o terrorismo, já que ainda são recentes os ataques de 11 de setembro de 2001, e volta à questão do "patriotismo" de Obama, que os republicanos questionaram anteriormente.
"Distração"
Apesar de a campanha democrata ter, imediatamente, se lançado a desmentir as acusações de Palin, Obama respondeu diretamente aos republicanos em um comício ao qual assistiram mais de 20 mil pessoas em Asheville, Carolina do Norte, um dos Estados-chave para as eleições de 4 de novembro.
"O senador McCain e sua campanha estão tentando distrair com calúnias", disse Obama, que afirmou que os republicanos "preferem colocar para baixo nossa campanha em vez de levantar o país".
Obama acusou o adversário de estar "fora da realidade" e de tentar "virar a página" para evitar falar da crise econômica pela qual o país passa. Uma idéia que a campanha democrata repetirá com uma série de anúncios que começará a ser exibida na segunda-feira.
A aposta por colocar a economia como centro da campanha pode ser acertada, pois Obama, segundo as últimas pesquisas, é visto como o candidato que mais pode enfrentar a situação econômica.
O congressista democrata Rahm Emanuel disse, em declarações à emissora CNN, que a campanha de Obama não vai permitir ataques como os de Palin e afirmou que, assim, "os americanos não vão ganhar".
A campanha republicana, por sua parte, não perdeu a oportunidade de demonstrar que a maquinaria do partido já iniciou a batalha para reforçar a mensagem contra Obama.
Ataques
Alguns de seus assessores defenderam, nos programas políticos de televisão de domingo, a ligação de Obama com Ayers, mantendo as acusações de Palin no ar.
Ayers foi um dos fundadores do grupo radical Weathermen, que cometeu uma série de atentados na década de 1960, quando Obama tinha oito anos, embora seus caminhos tenham se cruzado mais tarde.
Segundo a reportagem do "New York Times", Obama se reuniu com Ayers --atualmente professor universitário-- no começo de sua carreira política em Chicago para debater a reforma educativa.
O senador republicano pela Flórida, Mel Martínez, disse na cadeia ABC que essas reuniões não ocorreram quando Obama tinha oito anos, mas no início de sua campanha política e considerou "importante saber com quem se reuniu durante esses anos".
O senador Joe Lieberman, um independente de Connecticut, que apóia McCain, disse na cadeia FOX que explicar esta relação "é fair play".
Neste sentido, Tucker Bounds, porta-voz da campanha de McCain, disse que nas últimas quatro semanas antes das eleições os cidadãos americanos querem saber mais sobre Obama, "um homem com pouca experiência, o qual é relacionado com pessoas que não se arrependem de ter cometido terrorismo, como William Ayers".
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