Mundo
06/10/2008 - 22h41

Às vésperas de debate, campanhas de Obama e McCain ampliam ataques

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da Folha Online

Às vésperas do segundo debate presidencial entre o candidato republicano, John McCain, e o democrata, Barack Obama, as duas campanhas acirraram o tom de seus ataques prometendo um confronto exaltado amanhã em Nashville.

Obama e McCain se enfrentam às 21h (22h de Brasília) na Universidade Belmont, em Nashville, Tennessee. O embate contará com a participação dos telespectadores e internautas que enviarão perguntas para os candidatos. No próximo dia 15 acontece o terceiro e último debate antes do pleito, que será em 4 de novembro.

Brian Snyder-03.out.08/Reuters
U.S. Republican presidential nominee Senator John McCain (R-AZ) delivers a statement on the tarmac in Flagstaff, Arizona October 3, 2008 about the passage of the Wall Street bailout bill. "This rescue bill isn't perfect. It's an outrage that it's even necessary," the Arizona senator told reporters. REUTERS/Brian Snyder (UNITED STATES) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008 (USA)
McCain discursa em Arizona; ele tem muito a ganhar com debate

A campanha republicana elevou o tom de seus ataques a Obama desde a semana passada, quando passou a colecionar números desfavoráveis em pesquisas. No fim de semana, a candidata a vice republicana, Sarah Palin, disse que Obama mantém "relações amistosas com terroristas".

A governadora do Alasca baseou seu comentário em uma reportagem do 'The New York Times' sobre Bill Ayers, fundador do grupo radical Weatherman, que na década de 1960 planejava atentados contra o Congresso americano.

O jornal afirma que Ayers, atualmente professor universitário, encontrou Obama em Chicago em algumas reuniões sobre a reforma educacional nos anos 1990 e "seus caminhos se cruzaram algumas vezes desde então", entre outras coisas porque vivem na mesma vizinhança.

Embora o "New York Times" também indique que a relação entre os dois "não parece ter sido estreita e Obama nunca expressou simpatia pelos pontos de vista e as ações radicais de Ayers", Palin relacionou os dois e questionou o patriotismo de Obama. "Este é alguém que vê a América como um país imperfeito o suficiente para trabalhar ao lado de um ex-terrorista que tinha o próprio país como alvo", afirmou Palin.

As acusações foram imediatamente qualificadas pela campanha de Obama como falsas e fruto de "política baixa".

Já McCain questionou, durante campanha no Novo México, se o democrata haveria de fato conquistado algum mérito na vida política. "É como se as regras comuns não se aplicassem, e enquanto outros candidatos têm de explicar sobre si mesmo e seu passado, o senador Obama parece pensar que está acima de todos", afirmou McCain.

Em resposta nesta segunda-feira, a campanha democrata pôs na internet um vídeo que lembra o papel de McCain em um escândalo financeiro dos anos 1960. "O histórico de McCain com o caso Keating é relevante e os eleitores merecem saber os fatos", afirmou o diretor de campanha de Obama, David Plouffe. A equipe democrata chamou McCain hoje de "errático" sobre a crise econômica.

Desvio de foco

A crescente troca de farpas entre as campanhas acontece um dia antes do segundo debate presidencial, com McCain esperando que uma forte performance possa lhe fornecer uma reviravolta na disputa à Casa Branca e desacelerar a vantagem de quase 10 pontos de Obama nas últimas pesquisas de intenção de voto.

Obama continua à frente do republicano John McCain em cinco pesquisas de intenção de voto de âmbito nacional que foram divulgadas nesta segunda-feira. Uma das pesquisas que aponta a maior margem favorável a Obama --de oito pontos-- é do instituto Gallup. Conforme o instituto, o democrata tem 50% da preferência e McCain, 42%. Foram entrevistadas 2.744 pessoas, entre os últimos dias 3 e 5.

Alex Brandon/AP
Obama em campanha, na Carolina do Norte
Obama em campanha, na Carolina do Norte

O acirramento da crise financeira é tido como fator-crucial para a escalada de Obama nas sondagens, já que cresce o número de americanos que associam McCain às fracassadas políticas econômicas dos oito anos de governo do presidente George W. Bush.

A campanha de McCain tenta desviar o foco eleitoral da economia para Obama e seus supostos laços com figuras polêmicas como Ayers. O democrata criticou McCain por querer "virar a página da economia". "Não posso imaginar nada mais importante do que falar sobre a crise econômica", afirmou Obama a repórteres em Asheville, Carolina do Norte, onde se preparava para o debate.

Nesta segunda feira, as bolsas européias registraram quedas recordes devido a uma crise generalizada de confiança nos mercados financeiros, segundo analistas. E diante disso, nem mesmo a aprovação do tão esperado pacote de US$ 700 bilhões para socorrer os bancos dos Estados Unidos conseguiu acalmar os investidores.

Entenda a evolução da crise que atinge a economia dos EUA

Na semana passada, a nova versão do plano de US$ 700 bilhões para combater a crise financeira que abala os EUA, aprovado pelo Senado, também passou pela Câmara dos Representantes (deputados). Obama e McCain fizeram parte da mesa bipartidária que ajudou a rever o pacote de resgate em Washington; os dois apoiaram o texto final como crucial para evitar "um desastre econômico".

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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