Eleitores sabatinam Obama e McCain sobre crise; candidatos se reafirmam
da Folha Online
O segundo debate entre os presidenciáveis John McCain e Barack Obama se centrou na crise econômica, repetindo o mote do primeiro embate entre os candidatos, há quase duas semanas. Em resposta a perguntas formuladas por 80 eleitores indecisos e internautas, os candidatos reafirmaram suas plataformas de campanha, dando ênfase a seus históricos políticos e pessoais.
O encontro em Nashville era tido como oportunidade crucial para o senador republicano reverter a vantagem de Obama nas pesquisas de intenção de voto. Desde o acirramento da crise financeira, o democrata ampliou sua margem de intenção de voto em nove pontos sobre McCain, que é cada vez mais associado ao governo impopular do presidente, também republicano, George W. Bush.
| Jim Young/Reuters |
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| Barack Obama e John McCain, durante debate em Nashville, no Tennessee (EUA) |
Devido a essa queda no desempenho, a expectativa era a de que McCain atacasse Obama com mais ferocidade, mas isso não chegou a acontecer. No fim de semana antes do encontro, as duas campanhas ameaçaram elevar o tom dos ataques, com os republicano acusando o democrata de terrorista e Obama afirmando que McCain tentava distrair o foco da economia.
Obama foi o primeiro a falar e reiterou suas críticas às "políticas falidas de Bush", como a desregulamentação de Wall Street. Já McCain reiterou suas propostas para a crise, como o financiamento de compra de hipotecas de baixa liquidez, e rebateu o ataque, falando pausadamente e sempre se dirigindo diretamente aos eleitores, que estavam sentados no palco e fizeram perguntas aos candidatos.
Para o democrata, a crise ainda deve piorar antes do problema ser resolvido. Mas McCain rebateu afirmando que isso depende de como o problema seria resolvido. O democrata defendeu o corte de impostos e o republicano o corte de gastos do governo.
"Estamos na pior crise financeira desde a Grande Depressão, todos vocês se preocupam com suas contas, suas aposentadorias. E isso é fruto das políticas falidas de Bush que disse que nós podíamos acabar com a supervisão [do sistema financeiro] e que iríamos prosperar", disse Obama, em resposta à primeira pergunta da noite, feita por um dos 80 eleitores indecisos escolhidos para o evento.
"Agora precisamos de um plano de resgate que começou com a aprovação do pacote bilionário nesta semana. Mas nós precisamos de supervisão e de garantia de que os contribuintes terão seu dinheiro de volta", continuou Obama, sobre o plano aprovado pelo governo que prevê a injeção de US$ 700 bilhões para a compra de títulos podres.
O democrata reiterou seu apoio à classe média. "A classe média precisa de um pacote financeiro que envolva corte de impostos, ajuda a proprietários de casas e projetos que os mantenham em seus empregos", listou o senador.
Em sua vez, McCain afirmou que os "americanos estão irritados e temerosos" com a crise. "Eu tenho um plano que envolve energia. Precisamos parar de enviar dinheiro a países que são nossos inimigos, precisamos cortar impostos, precisamos de um pacote de reformas que leve à prosperidade er paz no mundo", disse.
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Históricos em foco
Em meio à maior crise financeira do país desde a Grande Depressão de 1929, Obama e McCain também tentaram mostrar aos eleitores que sabem as dificuldades que o povo enfrenta e o que é necessário para superar o momento difícil. Eles reiteraram suas vidas de dificuldades e superação.
"Mas eu cresci numa família onde meu pai não estava porque cuidava dos negócios, minha mãe criou a gente, sei o que são tempos difíceis, sei o que é confiar nos outros por amor, coragem em tempos difíceis", disse o republicano McCain, em sua conclusão. "Eu acredito na grandeza deste país, foi uma honra servir tantos anos e peço para as pessoas me darem uma chance. Na minha vida coloquei sempre o país em primeiro lugar", completou, em referência ao seu principal slogan de campanha.
| Mark Humphrey/AP |
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| Presidenciáveis Obama e McCain cumprimentam o público ao entrarem no palco do 2º debate, na Universidade Belmont |
McCain falou inúmeras vezes de seu histórico no Senado, de seu "bom julgamento" e de como ele tem a experiência e o conhecimento necessários para tirar o país da crise financeira e para lidar com questões de política externa.
"E eu estou convencido de que meu histórico, meu julgamento são corretos. O senador Obama estava errado sobre Iraque, sobre Rússia quando cometeu agressão contra Geórgia e em sua carreira curta não soube o que fazer sobre política externa. Não temos tempo para praticar", afirmou o senador, que manteve o tempo todo um tom de superioridade em relação ao rival.
Já o democrata Obama contou novamente sua história de vida, de como foi criado pela mãe e pela avó e enfrentou dificuldades para ir às "melhores escolas". "Vim de uma família simples, se não fossem bolsas de estudo, se não fossem minha mãe e minha avó, eu não teria ido às melhores escolas e eu não poderia ter sido bem sucedido", disse.
Obama apelou até mesmo para a morte de sua mãe, aos 53 anos, depois de uma longa luta contra o câncer, para se defender das críticas do rival sobre seu plano para a saúde. "Acho que deveria ser injusto em um país rico como o nosso as pessoas não terem plano de saúde. Acho injusto minha mãe morrer de câncer aos 53 anos e lutar com planos de saúde por não a aceitarem. Há alguma coisa fundamentalmente errada com isso", disse.
Política internacional
Os ânimos se exaltaram quando os candidatos discutiram políticas dos EUA para as guerras no Iraque e no Afeganistão. Obama defendeu a priorização da ofensiva americana no Afeganistão, "onde a Al Qaeda e o Taleban estão", em detrimento do fronte no Iraque.
"Temos uma situação difícil no Paquistão. Parte disso se deve ao fato de termos ido ao Iraque antes de termos completado o trabalho no Afeganistão. É lá que está a principal frente na luta contra o terrorismo", afirmou Obama.
"Precisamos apoiar a democracia no Paquistão e trabalhar ao lado do governo local, mas se tivermos Osama bin Laden à vista e eles não quiserem colaborar, teremos de agir. Temos que matar Bin Laden", acrescentou o democrata.
McCain interpretou a declaração com ironia, afirmando que Obama estava ameaçando atacar o Paquistão. "O senador Obama gosta de falar alto. Nossas relações com o Paquistão são críticas, precisamos do apoio deles. Não podemos ameaçá-los", afirmou o republicano.
Obama ainda voltou a responder as críticas de McCain. "Ninguém pediu invasão nenhuma do Paquistão. Devemos matar Bin Laden, esta deve ser nossa prioridade. McCain me critica, mas ele é quem apóia a invasão da Coréia do Norte e do Irã", afirmou.
Formato interativo
O debate começou às 21h (22h em Brasília) na Universidade Belmont, em Nashville (Tennessee). O confronto foi transmitido pela rede CNN (em inglês e espanhol) e pela GloboNews e Record News com tradução simultânea em português.
Além dos telespectadores presentes, usuários da internet apresentaram suas perguntas aos dois senadores. "O debate abordará todas as perguntas feitas pelo público", informou em sua página na internet a Comissão de Debates Presidenciais, que organiza o evento.
McCain se preparou para o debate até ontem em sua casa em Sedona, no Arizona, enquanto Obama participou de ato de campanha, em Asheville, na Carolina do Norte.
Os dois presidenciáveis participam ainda de um último debate, na quarta-feira (15). O confronto acontece na Universidade Hofstra, em Hempstead, Nova York. O jornalista Bob Schieffer comandará o evento sobre a economia americana em formato similar ao do primeiro encontro, onde os dois debatem diretamente.
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Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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