Mundo
08/10/2008 - 12h22

Em debate, McCain se refere a Obama como "aquele lá" e cria polêmica

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da Folha Online

Embora o debate desta terça-feira à noite entre os dois candidatos à Casa Branca, Barack Obama e John McCain, tenha sido considerado "morno" pela maior parte dos analistas, uma frase rendeu polêmica e virou destaque na imprensa americana nesta quarta-feira.

Jim Young/Reuters
Barack Obama e John McCain, durante debate em Nashville, no Tennessee (EUA)
Barack Obama e John McCain, durante debate em Nashville, no Tennessee (EUA)

Criticando o voto de Obama, no Senado, a favor de uma lei que supostamente favoreceu às grandes petrolíferas americanas em 2005, McCain afirmou: "Você sabe quem votou nela? Você nunca adivinharia. Aquele lá. Você sabe quem votou contra? Eu".

Logo após o comentário de McCain e novamente depois do fim do debate, o porta-voz da campanha democrata, Bill Burton, enviou por e-mail uma mensagem à imprensa, destacando a maneira como McCain havia se referido a Obama.

"John McCain acabou de se referir a Obama como 'aquele lá'?", perguntou Burton, criticando o caráter pejorativo da expressão.

Em declaração após o embate, o diretor da campanha democrata, David Plouffe, voltou a falar da frase de McCain. "McCain está tão chateado com o estado de sua campanha, que se referiu a Barack Obama como 'aquele lá' --da última vez ele não conseguia olhar para o senador Obama, desta vez ele não conseguiu dizer seu nome", afirmou, em referência ao primeiro debate presidencial, dia 26 de setembro, na Universidade de Mississippi.

Segundo o colunista do site americano Politico.com, Ben Smith, a frase foi "o momento mais memorável do debate". "'Aquele lá' tem associações com coisas negativas, terroristas, etc", afirmou Smith.

Questionado sobre a frase polêmica de McCain, o conselheiro da campanha republicana Charlie Black afirmou que não acreditava que McCain não pretendia ofender Obama e que a campanha democrata estava exagerando. "Para mim, parece que a campanha de Obama decidiu antes do debate que em vez de discutir as questões eles diriam 'John McCain é errático'", disse Black. "O povo americano pensa um monte de coisas sobre McCain, mas não pensa que ele é errático", acrescentou.

Alguns dias antes do debate, as duas campanhas já haviam elevado o tom dos ataques verbais, prometendo um confronto mais agressivo na Universidade Belmont, em Nashville. Os democratas divulgaram na internet o documentário 'Os Cinco de Keating', sobre o envolvimento de McCain em um escândalo financeiro em 1989.

O contra-ataque era resposta a declarações feitas pela vice republicana, Sarah Palin, que acusou Obama de 'andar por aí com terroristas', alusão ao fato de o democrata ter participado de um grupo beneficente ao lado de Bill Ayers, ex-ativista do grupo esquerdista Weather Underground que planejava atentados com o Congresso americanos nos anos 1960.

Site

Após a polêmica, um site na internet (www.thatone08.com) já anunciava nesta quarta-feira a venda de camisetas com o slogan "That One 2008" ("Aquele lá"), em apoio a Obama. Camisetas pretas e brancas com o símbolo da campanha democrata eram vendidas a US$ 15,95, nos tamanhos P, M, G e GG, além de quatro opções infantis.

Mark Humphrey/AP
Presidenciáveis Obama e McCain cumprimentam o público ao entrarem no palco do 2º debate, na Universidade Belmont
Presidenciáveis Obama e McCain cumprimentam o público ao entrarem no palco do 2º debate, na Universidade Belmont

Há ainda versões estampadas com uma foto em preto e branco de Obama e a frase polêmica em vermelho e outra com uma imagem de McCain apontando o dedo, sob a legenda "Aquele lá".

O site não trazia a identificação de quem eram os idealizadores da iniciativa. Além das camisas, uma breve biografia de Obama foi publicada. O nome do candidato democrata, porém, era sempre trocado por "Aquele lá".

"Aquele lá foi criado por uma mãe solteira e seus avós. Ele teve de pedir empréstimos para estudar. Aquele lá abandonou empregos lucrativos, após a faculdade de Direito, para voltar a morar em uma comunidade carente de Chicago", diz o texto do site.

O popular site social Facebook também abrigava uma página "That One". Na manhã de hoje 431 pessoas já tinham se cadastrado como fãs da comunidade. Comentários afirmavam: "Vamos torcer para que Aquele lá se torne presidente dos EUA".

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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