Mundo
08/10/2008 - 19h55

Assessores de McCain e Obama debatem sobre comércio exterior

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da Reuters, em Washington

Assessores dos candidatos à Casa Branca participaram nesta quarta-feira de um debate sobre política externa que destacou as diferenças nas plataformas do democrata Barack Obama e do republicano John McCain.

Obama pretende ampliar a pressão sobre a China e outros países que violam regras comerciais, e dará menos ênfase à conclusão de novos tratados caso seja eleito, disse Lael Brainard, especialista licenciada do Instituto Brookings e assessora democrata para o tema.

Ela enfrentou Philip Levy, pesquisador do Instituto da Empresa Americana e assessor de McCain, num debate sobre as posições dos presidenciáveis nas questões de comércio exterior, que podem ter peso decisivo em Estados de forte eleitorado operário, como Ohio.

Os grandes sindicatos americanos, como o AFL-CIO, que reúne milhares de eleitores, são contrários aos tratados de livre comércio, argumentando que os acordos levam à transferência de fábricas americanas para o exterior e a conseqüente perda de postos de trabalho. Obama favorece os sindicalistas --e foi endossado por eles--, McCain mantém postura mais favorável às parcerias.

"Temos de ver uma mudança material nos recursos dentro do USTR (Departamento de Representação Comercial dos EUA)", disse Brainard.

Ela afirmou que o presidente George W. Bush negociou desde 2001 "um monte de acordos comerciais" que geraram poucos benefícios para a classe média norte-americana. Nesse período, os EUA passaram a mover menos processos contra países por violações das regras da Organização Mundial do Comércio -- de uma média de 11 por ano no governo do democrata Bill Clinton para 3 por ano.

Com base na expansão do comércio global e do número de países filiados à OMC, "era de se esperar 17 casos por ano", disse Brainard, que trabalhou no governo Clinton.

Já McCain tem como prioridade concluir a Rodada Doha do comércio global, iniciada em 2001, e obter aprovação do Congresso para acordos comerciais já definidos com Colômbia, Coréia do Sul e Panamá, segundo Levy.

O ex-consultor econômico de Bush questionou se o número de processos movidos na OMC é um critério para avaliar o cumprimento das regras, pois algumas disputas podem ser resolvidas "por meio de uma diplomacia rápida e discreta, o que me pareceria dramaticamente superior".

Guerra de comércio

Brainard também criticou o governo Bush por tolerar a manipulação do câmbio pelo governo chinês, que estaria mantendo o yuan artificialmente desvalorizado para ajudar suas exportações e desestimular o acesso dos EUA e outros ao enorme mercado do país asiático.

"Não podemos dar à China passe-livre para manter uma moeda desvalorizada. Fizemos isso por cerca de sete anos", disse a especialista, acrescentando que o eventual governo Obama usará "as autoridades existentes e todos os meios diplomáticos ao seu alcance" para pressionar Pequim.

Levy concordou que o yuan está excessivamente desvalorizado e que isso é um problema para os EUA em longo prazo. Mas, diante da crise financeira, seria "uma hora um pouco estranha para punir os chineses por mandarem capital para cá".

"Acho que há margem de negociação aqui. Acho que o que o senador McCain tentaria é tomar medidas que sejam eficazes para o povo norte-americano. Começar uma guerra comercial com a China provavelmente não se encaixa nesse projeto."

Na opinião dele, o fracasso definitivo da Rodada Doha "colocaria a OMC sob sério risco de irrelevância ou, ainda pior, uma lenta decadência".

Na sua apresentação, Brainard não citou a Rodada Doha, mas em resposta a uma pergunta afirmou que Obama lamentou o fracasso de uma reunião ministerial, em julho, na qual havia expectativa de conclusão. "Vai levar um tempo para entendermos como voltar", disse ela.

Obama é contrário ao acordo bilateral de livre-comércio com a Colômbia por entender que Bogotá não faz o suficiente para evitar o assassinato de sindicalistas. Com relação à Coréia do Sul, ele quer uma renegociação para obter termos melhores para as montadoras de automóveis dos EUA.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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