Bento 16 defende Pio 12 de acusações de insensibilidade no Holocausto
colaboração para a Folha Online
O papa Bento 16 expressou nesta quinta-feira seu desejo de que Pio 12 seja beatificado e defendeu o antigo chefe da Igreja Católica de acusações de que ele teria feito pouco para defender os judeus do Holocausto. As declarações foram feitas durante uma missa no Vaticano em memória do papa morto há 50 anos. Pio 12 chefiou a Igreja Católica entre 1939 a 1958, durante e depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
| Tony Gentile/Reuters |
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| Bento 16 defende Pio 12 de insensibilidade com o Holocausto |
O papa não disse, no entanto, quando assinará o decreto que abre caminho para a beatificação. Segundo o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, o papa "considera oportuno que haja um tempo de reflexão" para assinar o decreto de beatificação. O processo para a beatificação de Pio 12 foi aberto na década de 60 pelo Vaticano, sem obter resultados até o momento.
Ainda assim, Bento 16 declarou em seu sermão que Pio 12 sempre atuou "de maneira secreta e silenciosa porque, à luz das situações concretas desse momento histórico complexo [a Segunda Guerra], teve a intuição de que era o único meio de poder evitar o pior e salvar o maior número possível de judeus".
"Como podemos nos esquecer da mensagem de Natal de dezembro de 1942?", questionou o papa antes de citar o discurso proferido por Pio 12 na ocasião. "Com uma voz quebrantada pela emoção ele lamentou a situação de 'centenas de milhares de pessoas, que, sem nenhuma culpa, apenas em razão de suas raízes nacionais ou étnicas, foram destinados para a morte ou para uma lenta deterioração'", disse o papa.
Editorial
O jornal do Vaticano, "L'Osservatore Romano", dedicou um editorial e dois grandes artigos ao pontífice que liderou a Igreja Católica de 1939 a 1958, para combater a "lenda negra" da qual foi vítima depois de ter sido taxado de "insensível ante o Holocausto e favorável aos nazistas".
"A história absolverá Pio 12", escreveu o editorialista e historiador italiano Paolo Mieli, que considera que o "papa pagou por ser anticomunista".
O sermão do papa era muito esperado pela comunidade judaica e representa uma espécie de desagravo às críticas feitas na segunda-feira (6) no Vaticano pelo rabino de Haifa (Israel), principal religioso judeu convidado a fazer um pronunciamento durante o sínodo que é realizado no Palácio Apostólico.
O grande rabino de Haifa (Israel), Shear Yshuv Cohen, expressou as reservas de muitos judeus ante o processo de beatificação de Pio 12. Cohen pediu que Pio 12 "não seja tomado como modelo e não seja beatificado porque não ergueu sua voz contra o Holocausto", disse.
O Vaticano divulgou na segunda-feira um texto do cardeal Tarcisio Bertone, número dois da Santa Sé, no qual considera que é "profundamente injusto estender um véu humilhante sobre a obra de Pio 12, esquecendo o contexto histórico e seu enorme trabalho caridoso" em favor dos judeus.
O mesmo Bento 16 declarou no dia 18 de setembro que Pio 12 "não economizou esforços" para salvar milhares de judeus do extermínio. Bento 16, de nacionalidade alemã, já havia afirmado em março passado que Pio 12 havia sido um "dom" para o século 20 porque "defendeu o povo alemão durante a grande catástrofe que a guerra representou".
Com France Presse e Associated Press
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