Inspetor da ONU reúne-se com Iraque; Bush insiste em ataque
da Folha OnlineO chefe dos inspetores da ONU, o belga Hans Blix, reuniu-se hoje durante uma hora com funcionários iraquianos, para tratar da questão do reinício do controle de armamentos, num encontro considerado "frutífero" por fontes do Iraque.
Horas antes, o presidente norte-americano, George W. Bush, ignorou a decisão do Iraque de receber os inspetores das Nações Unidas e insistiu na necessidade de uma operação contra o ditador iraquiano, Saddam Hussein.
"Está na hora de agir contra Hussein para garantir a paz, está na hora de a ONU agir", declarou hoje Bush, durante uma visita a Nashville, em Tennessee (sul dos EUA).
"Os Estados Unidos permanecem fortes em nossa convicção de que nós não devemos e não vamos deixar que os piores líderes mundiais chantageiem os Estados Unidos e nossos amigos e aliados ou nos ameacem com as piores armas do mundo", afirmou Bush.
O chefe dos inspetores de armas da ONU Hans Blix, iniciou por volta das 16h (17h em Brasília) a reunião com especialistas iraquianos para discutir os detalhes práticos do retorno dos inspetores da organização a Bagdá.
A reunião, proposta pelo Iraque quando decidiu readmitir os inspetores de armas, tratou dos procedimentos logísticos necessários para o funcionamento das operações.
O próximo encontro de Blix com funcionários iraquianos sobre o reinício do controle de armamentos acontecerá em 10 dias em Viena.
O ex-embaixador do Iraque nas Nações Unidas, Said Hassan, disse que a reunião a ser realizada na capital austríaca permitirá "concluir as questões práticas".
Em relação à data da chegada dos inspetores a Bagdá, Hassan afirmou que "isso dependerá das medidas previstas por Blix".
Ele qualificou de "útil e frutífera" a reunião de uma hora realizada com Hans Blix. Esse foi o primeiro encontro entre o chefe de inspetores em desarmamento e representantes do Iraque desde o anúncio de Bagdá de que aceitará o retorno incondicional da missão da ONU.
Blix tem uma equipe de 63 pessoas em Nova York. Algumas delas poderiam ir para Bagdá rapidamente para analisar o estado dos programas de desenvolvimento de armas químicas, nucleares e biológicas de Bagdá. Cerca de 200 especialistas de 44 países estão em alerta e podem ser levados a Bagdá em um prazo de dias.
Os inspetores de armas da ONU são coordenados pela Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), sediada em Viena, e trabalham em conjunto com o órgão chefiado por Blix, a Comissão da ONU de Monitoramento, Verificação e Inspeção (conhecida como Unmovic).
Manobra de Saddam
O governo norte-americano está perdendo o confronto com o presidente do Iraque, Saddam Hussein, ao manter o foco na sua política de inspeção de armas, disse hoje um líder da oposição iraquiana.
O major-general Tawfik al-Yassiri disse que uma resolução da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o desarmamento do Iraque precisa incluir exigências para a entrada de inspetores de direitos humanos pela primeira vez no país, uma investigação sobre crimes de guerra e um compromisso por eleições livres -temas levantados pelos Estados Unidos, mas não propostos nas Nações Unidas.
'Democracia significa o fim de Saddam. Ele não pode aguentar', disse Yassiri. 'O Iraque é um país grande e não será fácil encontrar armas químicas e biológicas. Saddam é obcecado por tais armas. Ele nunca deixará os inspetores pegá-las'.
Os Estados Unidos disseram hoje que ainda é necessária uma resolução da ONU exigindo o desarmamento do Iraque, apesar da oferta de Bagdá de permitir a volta incondicional dos inspetores.
Uma certificação da ONU de que o Iraque está livre de armas de destruição em massa é pré-requisito para o levantamento das sanções impostas após a invasão do Kuait, em 1990.
"A volta dos inspetores nunca deveria ter sido colocada em dúvida. Saddam sempre cede quando sua própria sobrevivência está em jogo", disse Yassiri.
Os inspetores da ONU deixaram o Iraque em dezembro de 1998, poucas horas antes de um bombardeio dos Estados Unidos e do Reino Unido.
O desarmamento do Iraque é uma das principais exigências para acabar com sanções contra o país, que foram impostas quando Bagdá invadiu o Kuait, em agosto de 1990.
Com agências internacionais
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