Mundo
10/10/2008 - 17h30

Obama acusa McCain de usar estratégia do medo e prefere falar de esperança

Publicidade

da France Presse, em Chilicothe
da Folha Online

O candidato democrata Barack Obama repreendeu nesta sexta-feira seu adversário republicano John McCain por realizar uma campanha de "raiva e divisão" em meio à pior crise econômica desde a Grande Depressão dos anos 1930.

Obama respondeu, assim, ao golpe da equipe de McCain, que resolveu investir nas acusações feitas pela candidata republicana à vice, Sarah Palin, sobre suas supostas ligações com um ativista de extrema-direita, num momento em que McCain perde terreno nas pesquisas.

AP/Efe
Presidenciáveis Barack Obama, em Ohio, e o republicano John McCain, no Winsconsin
Presidenciáveis Barack Obama, em Ohio, e o republicano John McCain, no Winsconsin

"Nos últimos dias temos visto uma enxurrada de insinuações e ataques repugnantes; e estou certo de que veremos muito mais nos próximos 25 dias", afirmou Obama.

A reprimenda de Obama foi feita em Chillicothe (Estado de Ohio) e aconteceu depois de McCain ter lançado um novo anúncio negativo contra o democrata, na qual o acusa de mentir sobre sua relação com o ex-ativista radical William Ayers --um dos fundadores do grupo radical esquerdista Weather Underground, que se opunha à guerra do Vietnã (1959 a 1975) nos anos 1960 e que colocou bombas no Congresso e no Pentágono no início dos anos 1970.

"É fácil irritar uma multidão apelando para a raiva", afirmou Obama depois de ter sido atacado, em alguns comícios de McCain, com gritos de "traidor" e "socialista", o que, para muitos americanos, é um tremendo insulto.

'Mas isso não é o que precisamos agora nos EUA. Os tempos em que vivemos são muito importantes. Os desafios são enormes. O povo americano não está em busca de alguém que divida seu país, está em busca de alguém que o lidere", afirmou o democrata.

"Estamos numa crise séria; agora mais do que nunca é o momento de pôr o país na frente da política", insistiu Obama aludindo ao slogan da campanha republicana que diz "o país em primeiro lugar".

"Terrorista"

A equipe republicana respondeu afirmando que Obama se esconde por trás da crise econômica, usando-a para sufocar qualquer investigação sobre seu passado.

"Ao invés de reconhecer as verdadeiras diferenças que existem nesta eleição, Barack Obama está usando a crise econômica dos EUA para desviar a atenção de críticas legítimas sobre ele e seu histórico", afirmou o porta-voz de McCain, Tucker Bounds.

Além disso, a equipe de McCain divulgou nesta sexta-feira uma nova propaganda de TV sobre os vínculos de Obama com Bill Ayers, em que o nome de Ayers e a palavra "terrorista" se repetem sem cessar.

A propaganda, intitulada "Ambition" e difundida em todo o país, segundo comunicado da equipe de McCain tenta convencer os eleitores de uma suposta relação entre o senador de Illinois, 47, e Bill Ayers, 63, que hoje é professor universitário em Chicago.

"A ambição cega de Barack Obama o levou a trabalhar com um terrorista não arrependido", afirma a propaganda eleitoral.

No início da semana, a candidata republicana à vice-presidência Sarah Palin prosseguiu questionando os vínculos do candidato democrata Barack Obama com terroristas, principalmente Bill Ayer.

"Segundo o 'New York Times', ele era um terrorista local e parte de um grupo que, cito, 'lançou uma campanha de ataques com bomba que teria como alvo o Pentágono e o Capitólio'", declarou.

O tom da campanha americana se endureceu no fim de semana passado, quando os republicanos insistiram em acusar o democrata Barack Obama de ter ligações com terroristas, uma estratégia que pode dar certo junto aos eleitores do país, preocupados no momento com a crise financeira, mas sempre atentos à questão de segurança nacional.

Os democratas já classificaram esses ataques como "ridículos, desonestos e imorais".

Quando Ayers era ativista, Barack Obama tinha oito anos, ironizou, em uma entrevista à rede de televisão CNN Rahm Emmanuel, representante democrata no Illinois.

"Eles acham realmente que os Estados Unidos vão achar que Barack Obama 'é amigo de terroristas'?", ironizou no canal Fox Claire McCaskill, senadora democrata no Missouri (centro), aludindo à equipe republicana.

Para os democratas, os ataques têm como único objetivo "mudar de assunto", considerando que o tema em voga - a crise econômica -, é extremamente negativo para os republicanos.

Segundo eles, nos últimos 15 dias de crise financeira, McCain se mostrou um "lunático", manifestando assim sua "incompetência para assuntos econômicos".

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
avalie fechar
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
avalie fechar
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2849)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca