Mundo
11/10/2008 - 12h43

EUA retiram Coréia do Norte de lista negra do terrorismo

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da Folha Online

Os Estados Unidos anunciaram neste sábado, como esperado, a retirada da Coréia do Norte da lista negra dos países patrocinadores do terrorismo, em um esforço que visa retomar as conversas sobre a desnuclearização do país comunista nos meses finais da administração do republicano George W. Bush.

O porta-voz do Departamento do Estado, Sean McCormack, afirmou que a decisão foi feita após a Coréia do Norte concordar com uma série de medidas de verificação de suas plantas nucleares.

13.ago.2002-Space Imaging Asia/AP
Imagem de satélite de Yongbyon em 2002
Planta nuclear de Yongbyon deve ser desativada após retirada do país da lista

McCormack afirmou também que o país, liderado por Kim Jong-li, vai destruir suas plantas nucleares.

A Coréia do Norte anunciou pouco antes da retirada de seu nome da lista que aceitou abrir suas instalações nucleares aos inspetores e a dar um "papel importante" à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no processo para verificar sua desnuclearização.

A lista de países patrocinadores do terrorismo inclui ainda Síria, Cuba, Sudão e Irã e impõe uma série de sanções.

A decisão, que deve ser mal recebida entre os conservadores republicanos, vem depois de dias de deliberações após a visita do enviado americano, Chris Hill, a Pyongyang, na semana passada.

Segundo uma fonte ligada às conversas, Hill trouxe de volta um rascunho das garantias para a verificação, incluindo alguns elementos chaves que os norte-coreanos concedem pela primeira vez.

O Ministério de Relações Exteriores da Coréia do Sul, aliado dos EUA, aprovou as negociações e ressaltou que os americanos mostraram flexibilidade no acordo.

O esforço para reacender as negociações vem no momento em que o governo norte-coreano toma ações para reiniciar seu programa nuclear, reconstruindo a usina de Yongbyon e banindo os monitores da União Européia da planta --ações que Washington afirmou que devem ser revertidas.

Pacto

O pacto de desnuclearização de Pyongyang foi feito em 2005, sob a mediação de China, Japão, Rússia, Coréia do Sul e Estados Unidos. O governo concordou em abandonar todos os seus programas nucleares em troca de benefícios econômicos e diplomáticos.

Em acordo subseqüente, os Estados Unidos sugeriram retirar a Coréia do Norte da lista negra de terrorismo em troca de uma declaração 'completa e correta' de todos os programas.

O acordo ficou paralisado com a relutância da COréia do Norte em aceitar um mecanismo que permitisse aos Estados Unidos e outros membros na negociação verificar a declaração.

Em 2006, a Coréia do Norte testou um mecanismo nuclear e foi acusada de iniciar programa de enriquecimento de urânio, que seria o segundo passo para fazer mísseis nucleares.

Em junho deste ano, a Coréia do Norte destruiu a torre de resfriamento da usina nuclear de Pyongyang, o símbolo mais visível de seu programa nuclear. O gesto foi um sinal de seu comprometimento em cessar a fabricação de bombas atômicas.

Contudo, dois meses depois, o país anunciou que interrompeu seu processo de desnuclearização por causa da recusa dos EUA de retirar o país comunista da lista de nações terroristas, medida que Pyongyang considera uma "clara violação" do acordo que iniciou o processo.

Em setembro, em resposta à ameaça, o Departamento de Estado americano negou que a Coréia do Norte tenha reiniciado a atividade de sua planta nuclear, mas ressaltou que o país estava "bem próximo de fazê-lo" e ameaçou o país de isolamento caso o reator de Yongbyon fosse reativado.

 

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