Carro de Jorg Haider saiu da pista por excesso de velocidade
da France Presse, em Viena
colaboração para a Folha Online
O líder da extrema direita austríaca, Jorg Haider, morreu neste sábado em um acidente quando seu carro, que estava acima do limite de 70 km/h, saiu da pista e se chocou contra um poste, informou a polícia.
Filho de um nazista, brilhante orador e líder carismática da extrema direita do país, Haider conduzia seu veículo "muito mais rápido" que os 70 km/h permitidos para a via, afirmou Ernst Friessnegger, responsável pela investigação do acidente.
| Roberto Telsing-10out.08/Efe |
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| Jorg Haider (esq. ao lado do jornalista Rutter) morreu hoje em acidente de carro, na Áustria |
Haider, dirigente do partido populista austríaco BZO (Aliança para o Futuro da Áustria) e governador de Carinthia, sofreu graves ferimentos na cabeça, no peito e na coluna vertebral e morreu enquanto era levado ao hospital de Klagenfurt, afirmou o diretor do hospital Thomas Koperna.
Haider, 58, era casado e tinha duas filhas. Ele tinha acabado de colocar o BZO em destaque no cenário nacional, no quarto lugar em número de votos nas eleições de 28 de setembro.
Ele era conhecido por suas posições críticas à imigração e a União Européia e era um dos mais radicais da Europa. Diante da "tragédia humana", o presidente austríaco, Heinz Fischer, elogiou o "político de grande talento" que conseguiu despertar "tanto o entusiasmo como críticas energéticas".
O chanceler socialdemocrata, Alfred Gusenbauer, manifestou seus pêsames e destacou que Haider "marcou a vida política do país por várias décadas".
O ex-chanceler conservador Wolfgang Schuessel, que de 2000 a 2007 formou uma coalizão governamental com o partido de Haider, saudou o governador como "um político extremamente talentoso que sabia escutar".
Perfil
Haider se tornou conhecido na Europa por sua demagogia populista de ares xenófobos e sua ambigüidade a respeito do nacional-socialismo, apesar de nos últimos anos ter moderado seu discurso para atrair os eleitores democratas-cristãos.
| Hans Klaus Techt/Efe |
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| Cidadãos deixam flores para Haider na entrada da sede do governo de Carinthia |
Sua entrada no governo austríaco em 2000, liderado por Schüssel, desencadeou uma medida única de 14 membros da União Européia (UE): congelar durante oito meses os contatos bilaterais com um parceiro de bloco.
A morte de Haider acontece no momento em que ele tinha voltado ao primeiro plano da política nacional, quando, liderando a Aliança pelo Futuro da Áustria (BZÖ), triplicou o número de cadeiras do partido no Parlamento e conquistou mais de 10% dos votos nas eleições de setembro.
Desde 1999 ele governava o estado federado da Caríntia (sul da Áustria), onde contava com um apoio de aproximadamente 45% da população.
No entanto, sua ascensão política se deve também ao Partido Liberal da Áustria (FPÖ), do qual assumiu a chefia em 1986 e que, em 1999, com quase 27% dos votos, conquistou o melhor resultado de sua história, diante do estupor de toda a Europa.
Entre 1969 e 1973, Haider cursou Direito e se graduou pela Universidade de Viena, onde iniciou também sua militância no FPÖ, que na época era uma legenda liberal de pouca importância no país.
Com o FPÖ, conquistou grande parte do voto operário, tradicionalmente fiel aos social-democratas. Para isso, adotou uma campanha xenófoba que aproveitou os temores a uma imigração em massa procedente dos países do Leste da Europa.
No ano de 2005, criou o BZÖ, partido que conseguiu levar à quarta posição nas eleições parlamentares de setembro, com 10,7% dos votos.
Com o BZÖ, adotou um tom mais moderado para atrair votos conservadores, mas mesmo assim tinha deixado claro que desejava uma "Áustria para os austríacos", e defendeu a expansão ao resto do país da proibição de construir mesquitas e minaretes, o que já está em vigor na Caríntia.
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