Após decisão dos EUA, Coréia do Norte diz que retomará desnuclearização
da France Presse, em Seul
colaboração para a Folha Online
A Coréia do Norte anunciou neste domingo que vai retomar o desmantelamento de suas centrais nucleares e aceitará novamente as visitas dos inspetores da ONU. A declaração veio um dia depois dos Estados Unidos anunciarem que vão retirar o país da sua lista negra de Estados terroristas.
Seul afirmou aos países envolvidos nas negociações para o desarmamento de Pyongyang --China, Japão, Rússia, Coréia do Sul e EUA-- que a decisão americana viabiliza a continuidade do processo.
| 13.ago.2002-Space Imaging Asia/AP |
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| Planta nuclear de Yongbyon deve ser desativada após retirada do país da lista |
"Como os Estados Unidos cumpriram com seu compromisso de dar uma recompensa política e um procedimento justo de verificação (...) a DPRK [Coréia do Norte] decidiu retomar o desmantelamento das instalações nucleares de Yongbyon e permitir que os inspetores dos EUA e da Aiea [Agência Internacional de Energia Atômica] realizem seu trabalho", destacou o porta-voz da chancelaria norte-coreana.
O porta-voz da chancelaria, citado pela Agência central de notícias norte-coreana, manifestou sua satisfação pela medida anunciada pelos EUA no sábado e disse que a Coréia do Norte vai colaborar com a verificação.
Agora, as seis partes que assinaram este acordo devem cumprir com a entrega de ajuda energética no valor de centenas de milhões de dólares prometida em troca da desativação de Yongbyon.
O acordo foi concluído durante a visita à capital norte-coreana do chefe dos negociadores americano, Christopher Hill, no país desde o início deste mês.
Pacto
O pacto de desnuclearização de Pyongyang foi feito em 2005. O governo concordou em abandonar todos os seus programas nucleares em troca de benefícios econômicos e diplomáticos.
Em acordo subseqüente, os Estados Unidos sugeriram retirar a Coréia do Norte da lista negra de terrorismo em troca de uma declaração "completa e correta" de todos os programas.
O acordo ficou paralisado com a relutância da Coréia do Norte em aceitar um mecanismo que permitisse aos Estados Unidos e outros membros na negociação verificar a declaração.
Em 2006, a Coréia do Norte testou um mecanismo nuclear e foi acusada de iniciar programa de enriquecimento de urânio, que seria o segundo passo para fazer mísseis nucleares.
Em junho deste ano, a Coréia do Norte destruiu a torre de resfriamento da usina nuclear de Pyongyang, o símbolo mais visível de seu programa nuclear. O gesto foi um sinal de seu comprometimento em cessar a fabricação de bombas atômicas.
Contudo, dois meses depois, o país anunciou que interrompeu seu processo de desnuclearização por causa da recusa dos EUA de retirar o país comunista da lista de nações terroristas, medida que Pyongyang considera uma 'clara violação' do acordo que iniciou o processo.
Em setembro, em resposta à ameaça, o Departamento de Estado americano negou que a Coréia do Norte tenha reiniciado a atividade de sua planta nuclear, mas ressaltou que o país estava "bem próximo de fazê-lo" e ameaçou o país de isolamento caso o reator de Yongbyon fosse reativado.
No sábado, o Departamento de Estado dos EUA anunciou, como esperado, a retirada da Coréia do Norte da lista negra dos países patrocinadores do terrorismo, em um esforço que visa retomar as conversas sobre a desnuclearização do país comunista nos meses finais da administração do republicano George W. Bush.
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