Mundo
12/10/2008 - 11h42

Após decisão dos EUA, Coréia do Norte diz que retomará desnuclearização

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da France Presse, em Seul
colaboração para a Folha Online

A Coréia do Norte anunciou neste domingo que vai retomar o desmantelamento de suas centrais nucleares e aceitará novamente as visitas dos inspetores da ONU. A declaração veio um dia depois dos Estados Unidos anunciarem que vão retirar o país da sua lista negra de Estados terroristas.

Seul afirmou aos países envolvidos nas negociações para o desarmamento de Pyongyang --China, Japão, Rússia, Coréia do Sul e EUA-- que a decisão americana viabiliza a continuidade do processo.

13.ago.2002-Space Imaging Asia/AP
Imagem de satélite de Yongbyon em 2002
Planta nuclear de Yongbyon deve ser desativada após retirada do país da lista

"Como os Estados Unidos cumpriram com seu compromisso de dar uma recompensa política e um procedimento justo de verificação (...) a DPRK [Coréia do Norte] decidiu retomar o desmantelamento das instalações nucleares de Yongbyon e permitir que os inspetores dos EUA e da Aiea [Agência Internacional de Energia Atômica] realizem seu trabalho", destacou o porta-voz da chancelaria norte-coreana.

O porta-voz da chancelaria, citado pela Agência central de notícias norte-coreana, manifestou sua satisfação pela medida anunciada pelos EUA no sábado e disse que a Coréia do Norte vai colaborar com a verificação.

Agora, as seis partes que assinaram este acordo devem cumprir com a entrega de ajuda energética no valor de centenas de milhões de dólares prometida em troca da desativação de Yongbyon.

O acordo foi concluído durante a visita à capital norte-coreana do chefe dos negociadores americano, Christopher Hill, no país desde o início deste mês.

Pacto

O pacto de desnuclearização de Pyongyang foi feito em 2005. O governo concordou em abandonar todos os seus programas nucleares em troca de benefícios econômicos e diplomáticos.

Em acordo subseqüente, os Estados Unidos sugeriram retirar a Coréia do Norte da lista negra de terrorismo em troca de uma declaração "completa e correta" de todos os programas.

O acordo ficou paralisado com a relutância da Coréia do Norte em aceitar um mecanismo que permitisse aos Estados Unidos e outros membros na negociação verificar a declaração.

Em 2006, a Coréia do Norte testou um mecanismo nuclear e foi acusada de iniciar programa de enriquecimento de urânio, que seria o segundo passo para fazer mísseis nucleares.

Em junho deste ano, a Coréia do Norte destruiu a torre de resfriamento da usina nuclear de Pyongyang, o símbolo mais visível de seu programa nuclear. O gesto foi um sinal de seu comprometimento em cessar a fabricação de bombas atômicas.

Contudo, dois meses depois, o país anunciou que interrompeu seu processo de desnuclearização por causa da recusa dos EUA de retirar o país comunista da lista de nações terroristas, medida que Pyongyang considera uma 'clara violação' do acordo que iniciou o processo.

Em setembro, em resposta à ameaça, o Departamento de Estado americano negou que a Coréia do Norte tenha reiniciado a atividade de sua planta nuclear, mas ressaltou que o país estava "bem próximo de fazê-lo" e ameaçou o país de isolamento caso o reator de Yongbyon fosse reativado.

No sábado, o Departamento de Estado dos EUA anunciou, como esperado, a retirada da Coréia do Norte da lista negra dos países patrocinadores do terrorismo, em um esforço que visa retomar as conversas sobre a desnuclearização do país comunista nos meses finais da administração do republicano George W. Bush.

 

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