Mundo
15/10/2008 - 15h20

McCain chega ao último debate com poucas chances de reverter disputa

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MÁRCIA SOMAN MORAES
CAROLINA MONTENEGRO
colaboração para a Folha Online

Desde que estourou a crise financeira nos Estados Unidos, o candidato republicano à Casa Branca, John McCain, está atrás nas pesquisas de intenção de voto. A três semanas da eleição, ele chega ao último debate presidencial com poucas oportunidades de reviver sua campanha, pressionado pelo partido e em clima de última chance.

"McCain deu azar de a crise ter estourado durante a disputa presidencial. A economia é seu ponto fraco e ele sofre com a má fama do governo republicano, que os eleitores consideram culpado pela atual situação de crise", afirma Lynn Vavreck, professora de ciência política da Universidade da Califórnia e especialista em campanhas presidenciais, em entrevista por telefone à Folha Online.

Steven Clemons, diretor do programa de Estratégia Americana do New America Foundation, instituto político de Washington concorda. "Nunca antes a economia ditou desta forma a disputa presidencial. A intensificação da crise se tornou o centro do debate eleitoral", afirmou.

McCain enfrenta o presidenciável democrata, Barack Obama, nesta noite, às 21h (22h em Brasília) na Universidade de Hofstra, em Nova York, no último grande evento da campanha presidencial. O tema será economia e o formato, similar ao do primeiro embate no qual os candidatos têm tempos iguais para responder às questões do moderador Bob Schiefer e chance de confronto direto.

Carlos Barria-14out.08 /Reuters
U.S. Republican presidential nominee Senator John McCain (R-AZ) speaks to supporters during a rally in Blue Bell, Pennsylvania October 14, 2008. REUTERS/Carlos Barria (UNITED STATES) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008 (USA)
Republicano John McCain faz comício na Pensilvânia; analistas vêem poucas chances dele reverter sua derrota nas pesquisas

Para Vavreck, não há mais estratégias que possam reverter a derrota republicana nas urnas do próximo dia 4 de novembro diante da vantagem consolidada de Obama "até em Estados que deram vitórias sólidas ao republicano George W. Bush, em 2004".

Confira o mapa de tendências de voto em cada Estado

Donald Green, professor de ciência política da Universidade Yale, também aposta na vitória de Obama. "Não há fórmulas mágicas. Enquanto o debate estiver focado na economia, McCain não joga com os pontos fortes. Sua força é seu comando em assuntos de política externa e experiência em lidar com assuntos militares. Enquanto o país estiver em crise econômica e o tema estiver na mente dos eleitores, ele não consegue reverter o jogo."

Embora tenha tido muita cautela durante a campanha em não associar-se diretamente ao presidente, McCain parece estar sofrendo os efeitos da baixa popularidade do governo Bush. Segundo sondagem realizada pelo Gallup, A aprovação de atual governo atingiu seu índice mais baixo, 25%, e a desaprovação o mais alto, 71%.

A pesquisa apontou ainda diversos reflexos da desconfiança e preocupação dos americanos; 91%, dizem estar descontente com o modo como o governo está resolvendo a situação --a maior porcentagem nas três décadas de pesquisas Gallup.

"Os republicanos estão sendo vistos de maneira negativa por causa da economia e, acima das propostas de McCain, está seu partido", afirma Green, acrescentando que o senador por Arizona tem tudo para perder. "Tudo aponta para sua derrota enquanto caminhamos para as últimas três semanas; ele tem menos dinheiro, menos funcionários, aparece derrotado nas pesquisas e faz uma campanha desorganizada e confusa."

Para Clemons, até meados de agosto McCain ainda tinha chances de abrir vantagem sobre Obama. "Mas o avanço da crise desde o final de setembro foram determinantes para alavancar o democrata. McCain se tornou o candidato de Bush, visto como culpado pelo fiasco da economia americana", acrescentou.

Ataque

Em clima de tudo ou nada, McCain parece apelar para uma estratégia desesperada, os duros ataques negativos contra Obama, a quem prometeu "dar uma chicotada você-sabe-onde" no debate de hoje.

Jim Young-07out.08/Reuters
Barack Obama e John McCain, durante debate em Nashville, no Tennessee (EUA)
Republicano John McCain fala durante segundo debate presidencial, em Nashville

E para McCain a missão é não apenas vencer Obama no encontro, mas superar a fama de irritável que está aparecendo cada vez mais em seus eventos de campanha e encontros com repórteres. O título preocupa os assessores que temem o efeito de seu mau humor sobre os eleitores que buscam, acima de tudo, um líder otimista para enfrentar a crise financeira.

"No geral, este comentário ["chicotada"] será visto de maneira negativa, especialmente se você tem uma reputação de ter cabeça quente. McCain é cada vez mais visto como alguém instável concorrendo à Presidência", avalia Green.

E os ataques ferinos de McCain influenciam positivamente na vantagem de Obama, afirma o professor. "Obama deve manter no debate o mesmo ar superior que manteve nos dois anteriores. Ele já está na frente e não tem nada a ganhar batendo de frente com o senador McCain. Assim, ele mantém imagem de um candidato calmo e íntegro." Ele ressalta, porém, que "é muito mais fácil atacar em eventos de campanha do que ao vivo, na televisão". "McCain deve ficar longe dos ataques e focar nas críticas à política de Obama."

Para Vavreck, McCain já percebeu a falha na estratégia e se mostrou arrependido dos ataques pessoais duvidosos ao pedir respeito dos partidários em relação a Obama. "Os ataques não trouxeram resultados para McCain, não mudaram as pesquisas. Acho difícil ele trazer este tom agressivo para o debate."

Sem novidades

Mesmo diante da ansiedade gerada pela crise financeira, Vavreck não prevê grandes novidades --ou efeitos- para o debate desta quarta-feira. "Os dois senadores apresentaram novas propostas para a crise nesta semana, acho difícil que tenham restado cartas na manga para o confronto", afirma.

Jim Bourg-26set.08/AP
Problemas da economia dos EUA ocuparam quase metade dos 90 minutos do debate
Problemas da economia dos EUA ocuparam quase metade do primeiro debate

E simplesmente detalhar as propostas já apresentadas não terá influência na votação já que os eleitores, afirma Vavreck, não compreendem tudo que está sendo apresentado. "Eles não entendem os detalhes dos planos, mas percebem quem está falando com mais confiança e quem mostra que pode efetivamente resolver a crise."

Para Green, a noite pode guardar algumas surpresas de McCain, que está "desesperado". "Eu acho que Obama vai ficar com o que tem. Já o que McCain fará está no ar, ele tirou o coelho do chapéu na última vez com sua idéia de comprar hipotecas falidas. Ficou incerta a extensão do que ele estava propondo, mas ao menos trouxe algo novo", afirma.

Mas o movimento exige cautela porque ao mesmo tempo que os americanos pedem por uma solução confiável à crise, oferecer muitas soluções a esta altura pode parecer uma ação desesperada. "Se começarem a tirar muita coisa do chapéu, vai parecer que são desorganizados e as pessoas vão questionar porque não trouxeram estas idéias antes. Principalmente porque o tema está sendo debatido no Congresso", afirma Green.

A campanha republicana mantém as esperanças. "A pesquisa que realmente importa é o 4 de novembro", defendeu Hessy Fernandez, porta-voz do senador, citado pela agência de notícias Reuters. "Os analistas tem matado sua campanha, a imprensa também, mas o senador é um lutador."

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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