Anistia pede que Paraguai faça reforma agrária para combater pobreza
da Efe, em Assunção
colaboração para a Folha Online
Aproveitando o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, a Anistia Internacional (AI) pediu nesta sexta-feira ao governo do Paraguai que execute uma reforma agrária integral para combater a pobreza.
O presidente Fernando Lugo enfrenta grupos de lavradores organizados do departamento de San Pedro, no centro do país, que exigem a saída dos brasileiros que cultivam soja nessa região, conhecidos como brasiguaios e reclamam terras prometidas por Lugo em sua campanha pela reforma agrária.
A AI destacou em comunicado de sua filial em Assunção que, dos pouco mais de 6 milhões de paraguaios que residem no país, 35,6% vivem na pobreza e que 19,4% ocupam a faixa da pobreza extrema.
Destacou, além disso, que a incidência da pobreza extrema nos indígenas do Paraguai é quase oito vezes maior do que no resto da população. "O acesso à terra é o principal reivindicação da maioria dos povos indígenas, grêmios e organizações camponesas", afirmou o organismo internacional.
Em várias regiões agrícolas do país, centenas de camponeses estão acampados ao redor das fazendas e granjas agrícolas sob ameaça de voltar a ocupá-las, após uma trégua acordada com o governo.
Os camponeses radicais argumentam que, no passado, grandes extensões de terra fiscais foram cedidas a pessoas que não participavam da reforma agrária e que o cultivo mecanizado de soja depreda as florestas e polui o meio ambiente com as fumigações maciças.
A AI solicitou, além disso, ao governo de Lugo, uma estratégia que fomente "a eliminação da discriminação no acesso e desfrute dos direitos econômicos, sociais e culturais, e na qual os grupos vulneráveis e marginalizados interessados tenham participação valiosa e ativa".
Também propôs que se aumentem "os esforços para acelerar a demarcação e recuperação de terras e territórios dos povos indígenas do país, garantindo que contém com o título das mesmas".
A população indígena do Paraguai, distribuída em 20 comunidades, é de 108.308 pessoas, o que representa o 2% da população total do país, segundo a Pesquisa Nacional de Lares Indígenas do Paraguai, elaborada pela Direção Geral de Estatísticas, Pesquisas e Censos (DGEEC), entre maio e junho.
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