Milhares marcham em Paris em defesa da imigração para a UE
colaboração para a Folha Online
Milhares de pessoas participaram de uma manifestação neste sábado em Paris a favor de "pontes e não muros" entre os povos, para denunciar o caráter restritivo das políticas migratórias européias.
A manifestação acontece dois dias depois da aprovação pelos líderes europeus do Pacto Europeu sobre Imigração e Asilo, que estabelece regras mais rígidas para a entrada de estrangeiros em todos os países da UE (União Européia).
O protesto foi convocado por ao menos 300 ONGs de 30 países, principalmente africanas, que desde sexta-feira (17) organizam uma "reunião cidadã" para protestar contra uma visão européia muito restritiva à imigração.
Em passeata, os manifestantes percorreram o centro da capital francesa; a caminhada começou no início da tarde na Praça da Bastilha. A manifestação deverá terminar na noite deste sábado com um show gratuito na Praça da República.
Cerca de 7.000 pessoas participaram do protesto, segundo seus organizadores. Já a polícia de Paris indicou 1.400 participantes.
Pacto
| Thierry Roge/Reuters |
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| O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou a aprovação do pacto de imigração |
Na quinta-feira (16), os líderes da UE (União Européia) aprovaram por unanimidade o Pacto Europeu sobre Imigração e Asilo, que estabelece uma política comum para a imigração. O acordo traz os princípios a serem seguidos para criar um controle mais estrito sobre a entrada de estrangeiros nos 27 países que compõem o bloco.
O objetivo do pacto é controlar a imigração conforme a necessidade do mercado de trabalho dos países europeus. Pelo acordo, cada país do bloco decidirá as condições de admissão em seu território e definirá o número de imigrantes que pode receber, sempre em função do mercado de trabalho. O combate à imigração ilegal também será estimulado.
Analistas e organizações expressaram preocupação quanto ao risco de que o acordo motive ações que comprometam as políticas de asilo político a estrangeiros que fogem de regimes autoritários. Líderes da América Latina e oficiais africanos também criticaram as novas regras contra a imigração ilegal acusando que, com o pacto, o bloco não trata os imigrantes com dignidade.
Desemprego
Também neste sábado, reportagem do "Times" noticiou que o governo do Reino Unido planeja limitar a entrada de imigrantes no país para combater o aumento do desemprego, agravado pela atual crise econômica. A informação foi dada ao jornal pelo secretário de Estado para a Imigração, Phil Woolas.
"Se há pessoas que estão ficando desempregadas, a questão da imigração se torna extremamente espinhosa", disse Woolas ao jornal. "No passado foi muito fácil entrar neste país, mas vai se tornar mais difícil", acrescentou.
A taxa de desemprego no Reino Unido alcançou seu nível máximo em oito anos, em 5,7%, no período entre junho e agosto, segundo dados oficiais divulgados na quarta-feira (15).
Recentemente, o governo adotou um sistema que concede pontos para pessoas que estão solicitando imigração, de acordo com seu "valor" para a economia britânica para encorajar a entrada de imigrantes profissionalmente qualificados no país.
A imigração ao Reino Unido cresceu desde o início do governo trabalhista em 1997 e, segundo o "Times" o ingresso de estrangeiros no país deve somar mais de 200 mil pessoas por ano até 2012.
Com agências internacionais
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