Mundo
19/10/2008 - 16h28

Ossétia do Sul autoriza polícia a contra-atacar forças da Geórgia

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colaboração para a Folha Online

A polícia da região Ossétia do Sul recebeu uma ordem para atirar de volta quando for atacada, informou o governo separatista.

Neste domingo, o chefe da polícia da Ossétia do Sul expediu a ordem depois que um posto policial na vila georgiana de Nikozi recebeu tiros neste sábado (18). A medida aumenta o risco de novos atos de violência entre a Geórgia e a região separatista apoiada pela Rússia.

O ministro do Interior da Ossétia do Sul, Mikhail Mindzayev, disse que ninguém foi ferido no ataque, que ele classificou como uma "provocação" das forças georgianas. "Nós não vamos permitir que nosso povo e nossos oficiais sejam assassinados", disse o ministro em comunicado.

Arte/Folha Online

O porta-voz do Ministério do Interior da Geórgia, Shota Utiashvili, negou que as forças georgianas atacaram o posto policial e disse que os tiros partiram de um território controlado pela própria Ossétia do Sul.

A ordem de contra-ataque veio em um momento de tensão entre a região separatista e a Geórgia, depois do conflito de agosto que envolveu a Rússia.

Também neste domingo, o secretário-assistente de Estado dos Estados Unidos, Daniel Fried, visitou Nikozi e outras vilas em territórios da Geórgia fora da Ossétia do Sul. Em várias delas, como em Gozi, muitas casas foram queimadas ou saqueadas. Os georgianos culpam a Ossétia do Sul pelos danos.

Tensão

Neste sábado (18), a Ossétia do Sul criticou os monitores da União Européia enviados à região para garantir a segurança dos territórios georgianos com a retirada das tropas russas das vilas. O governo separatista acusou os monitores de preconceito e que eles estão ignorando violações do acordo de cessar-fogo pela Geórgia.

De sua parte, a Geórgia também tem acusado a Rússia e as forças separatistas de atos violência, incluindo a morte de ao menos dois policiais georgianos. Apesar de ter retirado as tropas do território georgiano que contorna a Ossétia do Sul, a Rússia disse que manterá 7.600 soldados dentro da região separatista e também da Abhkázia, que tiveram suas independências reconhecidas pelo Kremlin depois do conflito no início de agosto.

Na semana passada, a primeira reunião entre Rússia e Geórgia promovida por ONU (Organização das Nações Unidas), UE (União Européia) e Osce (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) para a busca de um acordo permanente para o conflito pelas repúblicas separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia, não teve resultados positivos.

Conflito

Rússia e Geórgia vivem sob forte tensão desde agosto, quando Tbilisi, que é aliada dos Estados Unidos, enviou tropas para retomar o controle sobre a Ossétia do Sul, região separatista que declarou independência no começo dos anos 90.

A Rússia entrou no conflito e atacou a Geórgia, em uma reação considerada desproporcional pelo Ocidente. Moscou reagiu à ofensiva porque apóia o pequeno território e mantêm forças de paz na região. O conflito se estendeu também para a Abkházia.

Os dois países assinaram um cessar-fogo, intermediado pela França, mas desde o início dos conflitos vivem sob tensão. Líderes de vários países já fizeram apelos pela paz e pelo compromisso russo com a integridade territorial da Geórgia.

Com Associated Press

 

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