Mundo
21/10/2008 - 10h50

Maioria dos eleitores diz que ataques de McCain são injustos, aponta pesquisa

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colaboração para a Folha Online

Quase 60% dos americanos dizem que os ataques do candidato republicano à Casa Branca, John McCain, sobre o rival democrata são injustos, uma percepção negativa que pode explicar, em parte, o fato do republicano continuar atrás nas pesquisas de intenção de voto.

Segundo a rede de televisão CNN, que realizou a pesquisa em parceria com Opinion Research Corporation, a porcentagem aumentou significativamente em comparação com sondagem de setembro. Na época, antes da campanha republicana citar a suposta ligação de Barack Obama com terroristas domésticos e falar que sua política tarifária é socialista, 42% diziam que o senador republicano fazia uma campanha negativa demais.

Jason E. Miczek-18out.08/AP
John McCain diz que método utilizado por campanha de Obama pode levar a escândalo
Campanha negativa de John McCain pode acabar prejudicando sua campanha

A porcentagem é também significativamente maior que os 39% que dizem, na nova pesquisa, que o democrata Obama protagoniza uma campanha negativa.

Nas últimas semanas, ambas as campanhas investiram milhões em anúncios negativos para o rádio e televisão, no qual atacam o histórico do rival. Contudo, McCain parece estar disposto a ir mais longe ao lembrar da relação de Obama com o ex-radical dos anos 69, William Ayers e ao dizer que o democrata tem políticas socialistas para tempos de crise.

A estratégia, apontam analistas, é resultado da vantagem consolidada de Obama desde meados de setembro, com o estouro da crise financeira. Atrás nas pesquisas de intenção de voto, o senador por Arizona parece estar em clima de tudo ou nada e tenta insuflar o medo nos eleitores ao comparar Obama com "temíveis" terroristas e socialistas.

Segundo a CNN, a imagem mais positiva de Obama pode ser resultado também de sua enorme vantagem financeira e o conseqüente maior número de anúncios que ele veicula em todo o país. Sem o limite imposto pelo sistema público de financiamento --de US$ 84 milhões--, Obama pode produzir anúncios positivos que exaltam seu histórico e amenizam os duros ataques a McCain, defende Evan Tracey, do Grupo de Análise de Mídia de Campanha.

"McCain [que aceitou o sistema público] não pode bancar com os anúncios positivos que Obama paga. Não é provável que McCain possa destacar seus próprios pontos positivos com apenas duas semanas sobrando, mas ele pode tentar destacar os pontos negativos de Obama", disse Tracey.

Mas a campanha negativa sobre Obama é arriscada. Com anúncios negativos e ataques sem fundamento, McCain corre o risco de perder eleitores ao mostrar que está desesperado --uma imagem pouco presidencial e que os eleitores vão rejeitar, especialmente em tempos de grave crise financeira.

"Em eleições anteriores, ambos os candidatos foram criticados por ataques mútuos injustos, então a pena de fazê-lo acabou sendo anulada", disse o diretor de pesquisas da CNN, Keating Holland. "Mas este ano, McCain enfrenta o problema sozinho, então qualquer perda afetará somente ele enquanto Obama permanece acima da sujeira".

Líder

Alex Brandon-20out.08/AP
Democratic presidential candidate, Sen. Barack Obama, D-Ill., holds a set of Mickey Mouse ears with his name stitched on them at the airport in Orlando, Monday, Oct. 20, 2008.(AP Photo/Alex Brandon)
Obama segura orelhas do Mickey, na Flórida, e mantém liderança

Em outro cenário preocupante para a campanha republicana, Obama tem uma pequena margem sobre McCain como melhor líder para os Estados Unidos --um quesito no qual McCain sempre teve a liderança e que considera um de seus pontos mais fortes.

Assim, McCain, senador veterano e ex-piloto da Marinha, é visto por 44% dos entrevistados como um melhor líder contra 47% que preferem obama, senador novato por Illinois. Em setembro, aponta a CNN, quase 60% dos eleitores viam McCain como candidato mais qualificado para liderar.

"Ainda está incerto o que afetou sua imagem de líder", disse Holland, acrescentando que pode ser efeito cumulativo dos debates nos quais os eleitores preferiram Obama.

Como outras pesquisas já apontavam, Obama tem margem de 20 pontos percentuais como o candidato mais bem preparado para solucionar a crise financeira que afeta os EUA, uma das principais justificativas para a liderança democrata nas pesquisas de intenção de voto.

Por uma margem de 49% contra 37%, os eleitores dizem que ficariam orgulhosos de chamar o democrata de presidente. Em paralelo, Obama é também o candidato com imagem mais favorável: 63% têm uma visão positiva do democrata contra 56% de McCain.

Nas intenções de voto, outra pesquisa CNN, realizada entre 17 e 19 de outubro, aponta Obama com 51% das intenções de voto contra 46% do rival republicano. Segundo a rede, a vantagem democrata caiu três pontos percentuais em relação à sondagem anterior, realizada entre 3 e 5 de outubro. Na época, Obama contava com oito pontos percentuais sobre o republicano John McCain.

A pesquisa CNN/Opinion Research foi realizada com 1.058 adultos, entre 17 e 19 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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