Suposto ataque dos EUA deixa sete mortos em zona tribal do Paquistão
da Folha Online
Ao menos sete pessoas morreram nesta quinta-feira no noroeste do Paquistão quando vários mísseis, possivelmente disparados por aviões não-tripulados norte-americanos, atingiram uma zona tribal onde fica uma escola religiosa que teria ligações com um comandante do Taleban, informaram autoridades de inteligência.
Aparentemente, o ataque tinha como alvo o veterano islâmico Jalaluddin Haqqani e poderia ser a última de uma série de operações militares norte-americanas em solo paquistanês, que tornaram tensas as relações entre Islamabad e Washington nos últimos meses. O número de mortos ainda é incerto. Algumas agências falam em até 11 mortos.
| Haji Mujtaba/Reuters |
![]() |
| Homens observam local atingido por suposto ataque de mísseis dos EUA |
Segundo agência Associated Press, a escola religiosa pertence a um clérigo pró-Taleban que tem relações com Haqqani --considerado um dos principais inimigos dos EUA--, informaram autoridades da inteligência, sob condição de anonimato.
O ataque aconteceu horas depois de o Parlamento paquistanês alertar em uma resolução contra qualquer "incursão" em solo paquistanês, pedir a revisão da estratégia de segurança nacional antiterrorista e tornar o diálogo com os militantes prioridade máxima. Um dos objetivos seria defender a soberania do país.
Os funcionários disseram que a madraçal --escola religiosa islâmica-- atacada foi fundada por Haqqani perto de Miran Shah, na região do Waziristão do Norte, nos anos 80, durante a jihad (guerra santa) contra as forças soviéticas no Afeganistão. A escola seria dirigida atualmente por um dos comandantes de Haqqani, o mulá Mansur, e recentemente foi usada como albergue de "estudantes internacionais e locais".
"Dois aviões-espiões dispararam três mísseis contra a madrassa do mulá Mansur", disse um autoridade de segurança à France Presse, que fala em 11 mortos. "Os moradores procuram por mais corpos entre os escombros", acrescentou.
Um ataque similar contra outra residência de Haqqani em 8 de setembro matou 23 pessoas, incluindo membros de sua grande família. Haqqani foi um dos líderes destacados da luta contra os soviéticos entre 1978 e 1989. Ele logo se aproximou de mulá Omar, o principal dirigente do regime taleban que governou o Afeganistão entre 1996 e 2001, quando foi derrocado por uma intervenção militar internacional liderada pelos EUA.
Desde a queda do regime, Haqqani se converteu em um dos dirigentes talebans mais ativos, lançando ataques contra as tropas estrangeiras no Afeganistão a partir de seu refúgio no Paquistão.
O Exército paquistanês disse que estava averiguando o ocorrido. "Estão sendo reunidos detalhes sobre o número exato de vítimas do ataque", disse o porta-voz das Forças Armadas, o tenente-general Athar Abbas.
Nem a coalizão militar liderada pelos EUA no Afeganistão nem a CIA (agência de inteligência americana), que dispõe de aparatos não-tripulados capazes de disparar mísseis, confirmaram o ataque.
Com agências internacionais


