Uribe reconhece que polícia atirou durante manifestação indígena
colaboração para a Folha Online
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, reconheceu nesta quarta-feira (22) que um policial disparou sua arma durante as manifestações de indígenas e camponeses no sudoeste do país. Ele negou, no entanto, que os tiros tenham matado algum manifestante.
"A polícia realmente disparou (...) mas os indígenas morreram, perderam a vida, como foi atestado pelo Instituto Médico Legal, por causa dos explosivos detonados pelos terroristas infiltrados nas manifestações", disse Uribe em entrevista coletiva.
O presidente admitiu os disparos --que haviam sido proibidos e negados pelas autoridades-- depois que o canal de notícias CNN divulgou um vídeo amador no qual um policial vestindo máscaras atira três vezes com um rifle durante as manifestações. Na gravação, não é possível ver para onde o policial atirava.
Clique aqui para assistir reportagem da CNN com o vídeo.
Na terça-feira (21), dois indígenas morreram em meio aos protestos por distribuição de terras na Colômbia. Segundo o Conselho Regional Indígena de Cauca (CRIC), uma das entidades que organiza a manifestação, os índios Jesus Antonio Nene e Elver Brito, da etnia Paez, levaram tiros na cabeça e nas costas. Eles teriam sido alvejados quando tentavam se juntar à marcha que une milhares de manifestantes em direção à cidade de Cali.
Uribe disse que o policial que disparou admitiu o ocorrido a seus superiores, mas alegou que atirou para o ar, para afastar manifestantes que lançavam bombas de fabricação caseira contra os policiais. A polícia alega que as mortes dos indígenas foram provocadas por explosivos dos próprios manifestantes.
O governo informou que ao menos 32 policiais foram feridos nas manifestações e que um deles perdeu as mãos em uma explosão. O governo ainda diz que existem guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) apoiando os manifestantes, especialmente no departamento (Estado) de Cauca, o que os indígenas negam.
Cerca de 20 mil indígenas caminham para a cidade de Cali, a segunda maior da Colômbia. Eles pretendem chegar no domingo (26) ou na segunda para um debate "cara a cara" com o presidente colombiano. Além de reivindicar a reforma agrária, eles protestam contra a violência infligida a minorias étnicas na Colômbia.
Marcha pela Dignidade
A Marcha pela Dignidade dos Povos, nome da manifestação, começou na terça-feira (21) e já reúne mais de 20 mil pessoas. Eles caminham na estrada que une as cidades de Popayán e Cali. Uribe confirmou, nesta quarta-feira (22), que irá se encontrar com os manifestantes no domingo (26), pela manhã, em Cali.
Segundo os organizadores do protesto, desde que Uribe chegou ao poder, em 2002, 1.253 indígenas foram assassinados no país, e ao menos 54 mil foram expulsos de suas regiões de origem. Os líderes se dizem ainda preocupados com a possibilidade de desaparecimento de 102 povos indígenas. Em 18 deles há menos de 200 integrantes, e outros dez têm até cem membros.
Os índios colombianos exigem que o governo devolva terras aos 1,3 milhões de indígenas, libere mais dinheiro para a educação e sistema de saúde e respeitem a sua autonomia. Além disso, eles querem que o governo evite que empresas invadam suas terras. O governo alega que os indígenas constituem 3,2% da população, mas que possuem 27% do território da Colômbia.
Ontem, estudantes universitários entraram em confronto com a polícia durante manifestação em Bogotá. Os estudantes afirmaram que o protesto era em apoio aos trabalhadores e indígenas. Os protestos indígenas por maior dignidade e terras começaram antes da marcha, no dia 14 de outubro, no sudoeste da Colômbia.
Nesta quinta-feira, os funcionários públicos do maior sindicato da Colômbia fazem uma paralisação de 24 horas para protestar contra a política econômica e social do governo. A parada foi convocada pela Central Unitária dos Trabalhadores (que tem mais de 500 mil afiliados) e prevê marchas nas principais cidades. O ministro do Interior, Fabio Valencia, disse que o governo respeita a paralisação e garantirá a segurança dos manifestantes.
Com agências internacionais
Leia mais
- Após mortes, marcha de indígenas espera mais manifestantes na Colômbia
- Confrontos entre índios e polícia deixam dois mortos na Colômbia
- Mais de 8.000 indígenas pedem por restituição de terras na Colômbia
- Confrontos entre polícia e indígenas deixam dois mortos na Colômbia
- Cruz Vermelha alerta para crescimento de deslocados internos na Colômbia
Especial
Livraria

