Manifestantes indígenas chegam a Cali para dialogar com Uribe
da Efe, em Bogotá
A grande passeata indígena chegou neste sábado à cidade de Cali com mais de 40 mil manifestantes que caminharam cem quilômetros para se reunir neste domingo (26) com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Eles exigirão o fim da violência contra suas populações e reivindicarão terras que consideram de seus ancestrais.
Membro do Conselho Regional Indígena do Cauca, Feliciano Valencia afirmou à agência Efe que, para o encontro de amanhã com Uribe, estarão mais de 50 mil pessoas, entre nativos, sindicalistas, caminhoneiros e cortadores de cana-de-açúcar, em greve desde 15 de setembro. "Já estamos em Cali e ficaremos na Universidad del Valle, onde descansaremos e nos prepararemos para o dia de amanhã", disse.
Os indígenas esperam se reunir com Uribe às 9h (12h em Brasília) para negociar uma agenda de cinco pontos, entre eles "o grave problema de violação dos direitos humanos e a crise humanitária vivida por todas as populações indígenas".
Além disso, exigem a anulação de algumas iniciativas legislativas "que atentam contra a integridade territorial, trabalhista e cultural dos povos e em rejeição à assinatura de tratados de livre-comércio pelo grave e nocivo que são esses tipos de acordos", acrescentou Valencia.
Outro dos pontos é o cumprimento no tema das "terras, território, ressarcimento e reparação integral, além de medidas de proteção para a comunidade perseguida e uma agenda para continuar caminhando por todo o país". Valencia disse que caso não haja um acordo com Uribe amanhã, os manifestantes seguirão "até Bogotá".
Passeata
Os indígenas do departamento do Cauca iniciaram a passeata na terça-feira passada (21) em La María, um assentamento nativo em Piendamó, e três manifestantes morreram desde então em circunstâncias não esclarecidas.
Uribe fez um pronunciamento à nação na quarta-feira à noite (22) no qual reconheceu que policiais atiraram contra os confusos incidentes protagonizados pelos indígenas no sudoeste do país, mas negou que os tiros causaram a morte dos manifestantes.
Segundo os nativos, desde que Uribe chegou ao poder, em 2002, "foram assassinados 1.253 indígenas na Colômbia, e pelo menos 54 mil foram expulsos de seus territórios ancestrais".
Os manifestantes também estão preocupados com várias das 102 populações indígenas que correm risco de desaparecer na Colômbia. Desse total, 18 têm menos de 200 habitantes e dez não chegam aos cem indivíduos.
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