Mundo
27/10/2008 - 10h12

Restrições ao voto ameaçam democratas

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ANDREA MURTA
da Folha de S.Paulo, em Nova York

Exigências de documentação com foto para votar, dificuldades de registro eleitoral e regras sobre passado criminal vêm restringindo o direito de voto de milhões de potenciais eleitores nos EUA, em ações que poderão influenciar a escolha entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain como próximo ocupante da Casa Branca, em 4 de novembro.

Segundo analistas ouvidos pela Folha, há um claro padrão de problemas que prejudica mais jovens, idosos e minorias, inclusive negros --que tendem a votar em democratas.

"Nenhum partido tem as mãos limpas", afirma Adam Skaggs, advogado e pesquisador do apartidário Centro Brennan para Justiça, da Universidade de Nova York. "Mas a maioria das tentativas de restringir votos está partindo de republicanos, que temem o efeito nas urnas do grande volume de novos eleitores democratas neste ano."

Os problemas aparecem com mais freqüência em Estados onde a disputa está acirrada, como Carolina do Norte e Indiana. E já há apreensões sobre uma nova "Flórida" --alusão a problemas de contagem de votos no Estado que, em 2000, deixaram nas mãos da Suprema Corte a decisão sobre o resultado da eleição.

"É muito alta a probabilidade de termos outra vez dificuldades na votação e na contagem de votos", afirma Alexander Keyssar, professor de política e especialista em direito do voto da Universidade Harvard. "Aprendi a nunca subestimar a incompetência honesta das pessoas, mas há uma realidade partidária aqui."

Documento de identidade

Uma das questões mais graves diz respeito a novas exigências de identificação dos eleitores nas sessões eleitorais.

Segundo Keyssar, desde 2004 republicanos pressionam por regras mais ou menos rígidas sobre a necessidade de o eleitor apresentar documento com foto para votar, como tentativa de evitar fraudes. As regras já foram implementadas em Indiana, Georgia, Flórida, Arizona e Missouri e outros.

O problema é que, nos EUA, cerca de 12% da população não tem documento com foto emitido pelo governo --não há carteira de identidade nacional. E o grupo é formado principalmente por cidadãos de baixa renda e minorias. "É legítimo indagar quais os reais motivos de quem implementa esse tipo de medida, pois ela notoriamente afeta de modo desproporcional grupos menos favorecidos", diz Skaggs.

O efeito da exigência em locais como Indiana, em que a margem de vitória de um ou outro candidato será mínima, poderá ser decisivo. Hoje, McCain perde ali por apenas meio ponto percentual (46,8% a 47,3%, segundo média do site Real Clear Politics).

Fora da lista

Outro problema é a dificuldade para entrar e se manter em listas de registro de eleitores, que estão sendo contestadas em vários Estados.

Um dos incidentes mais graves está ocorrendo em Ohio, que atualmente pende para Obama (49,9% a 43,8% na média das pesquisas). Lá, republicanos estão questionando registros de mais de 200 mil pessoas cujos dados em fichas eleitorais não batem com os de outras bancos de dados, como a seguridade social.

Eles afirmam que muitos casos são de registros fraudulentos. Para o Centro Brennan, porém, os dados não batem por erros simples como ortografia ou mudança de endereço. A Flórida enfrenta problemas similares de dados que não combinam, e há 9.000 registros bloqueados. Dos que a cor e a ascendência são conhecidas, 39% são negros e 34%, latinos.

Os EUA enfrentam também inúmeras tentativas de desestimular e desinformar eleitores em potencial em Estados cruciais nesta eleição, como Virgínia, Pensilvânia, Ohio, Novo México e Carolina do Norte.

Na Filadélfia (Pensilvânia), por exemplo, bairros negros foram inundados com cartazes afirmando que eleitores com mandados de prisão e até multas de trânsito não pagas seriam presos nas urnas --o que não é verdade.

A questão dos condenados

Há ainda um debate feroz sobre o direito de voto de pessoas com condenações criminais no passado, que vem ganhando visibilidade devido ao extraordinário crescimento do número de detentos no país --1% da população está atrás das grades.

Atualmente, 5,3 milhões de americanos não podem votar por causa das regras, que variam por Estado. Os mais rígidos impedem todos os que têm passado criminal de votar pelo resto da vida (Kentucky e Virgínia). Alguns impõem a perda vitalícia de direitos para alguns crimes (Flórida, Nevada, Arizona e outros). Só no Maine e em Vermont os presos votam.

Mais uma vez, a regra afeta de forma desproporcional algumas fatias da população. Em todo o país, 13% dos negros perderam o direito de voto, percentual sete vezes maior do que a média nacional. Em alguns Estados, o número de negros sem direito a voto chega a 15%.

O reflexo nos negros transformou a questão em disputa partidária. Para um legislador republicano do Tennessee citado por Keyssar, os democratas "estão desesperados para encontrar novos eleitores, e vão buscá-los até nas prisões se for necessário". "Há tantos problemas que, nos EUA, a noção de "sufrágio universal" é discutível", diz Keyssar. Ainda assim, ele mantém o otimismo. "Acho que em 2008 o resultado da eleição será decisivo o suficiente para evitar uma nova 'Flórida'."

Comentários dos leitores
hugo chavez (262) 11/01/2010 22h49
hugo chavez (262) 11/01/2010 22h49
As "autoridades" de imigração dos eua encobriram maus-tratos a estrangeiros e falta de atendimento médico nos casos de detidos mortos na prisão nos últimos anos, denunciou o jornal "The New York Times". A informação é parte do conteúdo de documentos internos e confidenciais obtidos pela publicação e a ONG União Americana de Liberdades Civis. Ambos se acolheram a uma lei de transparência que obriga à divulgação deste tipo de informação pelo governo. Os documentos mencionam os casos de 107 estrangeiros que morreram nos centros de detenção para imigrantes desde outubro de 2003. "Certos funcionários, alguns deles ainda em postos-chave, usaram seu cargo para ocultar provas de maus-tratos, desviar a atenção da imprensa e preparar declarações públicas com desculpas, após ter obtido dados que apontavam os abusos". É mais uma da "democracia" estadounidense que vive apontando o dedo para os outros. Quanto tempo e quantas patifarias ainda faltam para que alguns reconheçam que "liberdade e democracia" são MITOS nos eua. Ali acontece todo o tipo de manipulação, tortura, conchavo, tráfico, suborno, violência, abuso, enfim, toda a sorte de patifarias. Os eua estão mergulhados no mais profundo colapso em TODOS os sentidos. Não dá mais para encobrir que eles não se diferenciam em nada de TODOS os regimes que criticam, mas, como tem o poder das armas e são totalmente influenciados pela doutrina nazi sionista racista e fascista, são os maiores e verdadeiros grandes TERRORISTAS do mundo. São os condutores das maiores mazelas nos 4 cantos e o povo estadounidense precisa recuperar o poder e realmente conseguir resgatar sua Nação. Para começar, é preciso ter presidentes de verdade e não fantoches de 2 partidos que têm os mesmos "senhores", o sionismo internacional. Vivemos um momento decisivo onde devemos apoiar a Resistência mundial e lutar para derrubar o eixo que venceu o outro eixo na 2ª guerra e construir um mundo livre voltado para o socialismo do século XXI. Não ao capitalismo e ao comunismo, duas faces da mesma moeda controladas pelos sionismo. sem opinião
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Luciano Edler Suzart (40) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (40) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 8 opiniões
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