Mundo
28/10/2008 - 10h53

60% da América Latina é indiferente à corrida presidencial dos EUA

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LUÍS FERRARI
da Folha de S.Paulo

A mais cara eleição de todos os tempos nos EUA não interessa para 60% da população da América Latina. A conclusão foi apresentada em um relatório preliminar do Estudo Latinobarómetro 2008, que focou o impacto do pleito da próxima semana nos 18 países da região pesquisados pela ONG chilena.

Ao serem indagados sobre o candidato (Barack Obama ou John McCain) cuja vitória mais convém à América Latina, 60% dos entrevistados falaram que "dá no mesmo" (29%) ou não souberam responder (31%). Foram ouvidas de 1.000 a 1.200 pessoas em cada um dos 18 países entre 5 de setembro e 5 de outubro.

Segundo o estudo, "os dados são representativos de toda a população acima de 18 anos desde o rio Grande [na fronteira do México com os EUA] até Punta Arenas [no sul do Chile], cerca de 500 milhões de habitantes". A margem de erro varia de 2,8 a 3 pontos percentuais nos dois sentidos.

O Latinobarómetro mediu o nível de ciência que os latino-americanos têm da disputa nos EUA. Notou que 57% da população tem "pouco ou nenhum" conhecimento da eleição.

Em primeiro lugar entre os países cuja população tem "muito ou algum conhecimento sobre a eleição" está a República Dominicana, com 66%. O Brasil é o sétimo da lista, com 46% (atrás de outros três países sul-americanos).

Na questão sobre o candidato que mais convém, ainda que tenha ficado atrás da fatia que não sabe (31%) e empatado com "dá no mesmo", com 29%, o democrata Obama supera McCain com folga. O republicano teve 8% das menções. A República Dominicana é o país mais pró-Obama, que teve 52% de citações. Depois vêm a Costa Rica (43%), o Brasil e o Uruguai (ambos com 41%).

McCain se destaca na Colômbia, com 19%. A seguir aparece El Salvador, com 16% de menções ao republicano --o percentual corresponde à mais baixa taxa de aprovação a Obama. No Brasil (quinto entre os países com mais citações ao republicano), o índice foi de 10%. No Panamá, onde nasceu, o candidato do partido do presidente George W. Bush teve 6%, contra 18% de Obama.

A preferência dos latinos estratificada por nível econômico revelou duas conclusões interessantes. A indiferença entre os candidatos ("dá no mesmo") é homogênea em todos os grupos. E a preferência pelo democrata não é maior entre os de mais baixa renda --"a suposição de que haveria identificação em massa dos mais empobrecidos na América Latina com Barack Obama não se cumpre", aponta o estudo.

O Latinobarómetro mediu também quanta atenção as pessoas acham que o novo mandatário dos EUA dispensará à região. O mesmo que o atual foi a resposta mais dada (34%), um ponto acima de quem não sabe. A fatia dos que acham que será maior é de 22%, e 8% acham que será dada menos atenção. Entre os países que crêem em mais atenção, a República Dominicana lidera (39%), e o Brasil (31%) é o segundo.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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