Mundo
30/10/2008 - 12h57

Explosões em série deixam ao menos 61 mortos e 300 feridos na Índia

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da Folha Online

Uma série de explosões em áreas populosas de quatro distritos do nordeste da Índia deixou ao menos 61 mortos e 300 feridos, nesta quinta-feira. Em menos de uma hora, houve cerca de dez explosões em quatro cidades do Estado de Assam, incluindo a principal, Guwahati. A primeira detonação ocorreu por volta das 11h30 (4h no horário de Brasília), de acordo com a agência oficial Press Trust of India.

De acordo com N.I. Hussain, inspetor-geral da polícia de Guwahati, há risco de que haja mais bombas a serem detonadas. "Nunca se sabe", afirmou à TV CNN-IBN. Nenhuma organização assumiu a autoria das explosões ainda.

Anupam Nath/AP
A man tries to extinguish fire near a blast site near a court in Gauhati, India, Thursday, Oct. 30, 2008. At least 11 bombs exploded Thursday across India's northeastern state of Assam, killing at least 20 people and wounding dozens more, police and witnesses said. (AP Photo/ Anupam Nath)
Homem tenta apagar fogo causado por uma da série de explosões na Índia, nesta quinta-feira

"O impacto foi tão grande que um ônibus lotado foi carbonizado. Nós tiramos diversos feridos de dentro dele e os levamos para o hospital", disse Pankaj Goswami, testemunha de uma das explosões de Guwahati. Conforme a imprensa local, depois dos ataques, grupos saíram pelas ruas incendiando carro e atacando policiais e, por isso, foi implantado um toque de recolher.

Grande parte das explosões ocorreu em mercados movimentados. Os artefatos, em geral, estavam escondidos em motocicletas. Informações preliminares indicam que houve bombas em Guwahati, nas localidades de Barpeta e Kokrajhar, e em Bongaigaon, no oeste da região.

Dezenas de grupos separatistas agem em Assam há décadas. Recentemente, porém, a área também sofreu ataques de militantes islâmicos, nas proximidades do vizinho Bangladesh. "As explosões parecem obra de grupos terroristas de Bangladesh, pois é preciso uma estrutura sofisticada para fazer ataques coordenados", disse o consultor de segurança e major Ashok Mehta à agência Reuters. "Não acho que sejam grupos separatistas."

O maior grupo separatista de Assam, a Frente Unida de Libertação de Assam (ULFA), luta desde 1979 pela independência. Os conflitos provocaram 10 mil mortes em 20 anos. Nesta quinta-feira, porém, a organização negou envolvimento com os ataques a bomba.

Em outubro passado, ao menos duas pessoas morreram e cem ficaram feridas na explosão de quatro bombas em Assim. A polícia culpou grupos militantes islâmicos de Bangladesh.

Repercussão

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, disse estar "confiante" de que "as pessoas da Índia irão se unir perante essas tentativas de perturbar a paz e a harmonia e destruir a nossa malha social". O Ministro do Interior indiano, Shivraj Patil, também condenou o ataque e pediu um relatório detalhado do incidente às autoridades de Assam, enquanto o chefe do governo, Manmohan Singh, pediu unidade na luta contra o terrorismo.

O embaixador dos Estados Unidos no país, David Mulford, também condenou a ação e disse que os americanos "dividem a dor desses horríveis ataques contra pessoas inocentes".

Com Reuters e Associated Press

 

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