Mundo
05/11/2008 - 02h40

Para analistas, Obama conseguiu o impossível e o improvável

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MÁRCIA SOMAN MORAES
colaboração para a Folha Online

Em um resultado considerado impossível há alguns anos e improvável há alguns meses, os americanos elegeram nas urnas o democrata Barack Obama, o primeiro presidente negro do país. "O que vemos hoje é um passo enorme na história política americana. Mostra que superamos uma barreira que, há dez anos, parecia intransponível", disse Thomas Brunell, professor de ciência política da Universidade do Texas, em entrevista à Folha Online, por telefone.

A vitória do senador por Illinois marca um novo momento na política dos EUA e coloca as relações inter-raciais --tema delicado no país-- no topo da cena americana. "A eleição de Obama é uma oportunidade de melhorarmos as relações inter-raciais", avalia John Lapinski, cientista político e comentarista da rede de televisão NBC.

Jae C. Hong/AP
Democratic presidential candidate Sen. Barack Obama, D-Ill. addresses supporters in rain at a rally in Chester, Pa., Tuesday, Oct. 28, 2008. (AP Photo/Jae C. Hong)
Democrata Barack Obama faz comício sob chuva; ele é o primeiro presidente negro

Os analistas, contudo, ressaltam o risco de superestimar a conquista de Obama. "Não vai simplesmente resolver o problema, até mesmo porque o próprio Obama tem opiniões divergentes em relação a ações afirmativas, mas mostra que os eleitores estão considerando as minorias", disse Lapinski, em entrevista por telefone à Folha Online, na Pensilvânia.

O fato dos EUA elegerem seu primeiro presidente negro, ressalva Brunell, mostra que a questão racial não deve mais influenciar significativamente nas urnas, mas não que foi superada. "Não acho que podemos simplesmente ignorar o voto guiado pela questão racial, mas o resultado desta eleição é uma indicação que crescemos nos últimos 30 ou 40 anos."

Donald Kettl, professor de ciência política da Universidade da Pensilvânia, engrossa o coro: "Raça, obviamente, é uma ferida aberta na América e na política americana". "A vitória de Obama representa certamente um movimento dramático na longa e turbulenta história da raça nos EUA", disse à Folha Online, por telefone.

Ano dos democratas

Embora a vitória de Obama carregue simbolismo histórico em uma nação marcada pelo preconceito racial, a Presidência democrata não surpreende, No ano em que os EUA vivem sua mais grave crise financeira em 80 anos, as chances do Partido Republicano eram remotas.

Jason Reed-29out.08 /Reuters
Barack Obama cresce nos Estados-pêndulo e em redutos eleitorais republicanos
Democrata Barack Obama evitou rótulo de primeiro candidato democrata negro

Para o professor Brunell, "é surpreendente pensar que, com as taxas de aprovação do presidente [George W.] Bush, a corrida tenha permanecido tão acirrada". "Na minha perspectiva, considerando o que o país está fazendo nos últimos anos, os republicanos não deveriam nem ao menos concorrer nestas eleições", completa. Obama entrou na corrida com a vantagem de que os eleitores estão insatisfeitos com a atuação de Bush, impopularidade agravada pelo estouro da crise financeira.

"Os eleitores culpam o governo pela crise que estamos vivendo e não pensam no governo como aquele que lidera a Câmara dos Deputados, no caso os democratas, e sim quem está na Presidência. Assim, o colapso da economia foi o que propulsou Obama em muitos Estados ganhos por Bush em 2004", avalia Lapinski.

E diante da perspectiva de um novo mandato republicano, os independentes e moderados --grupo que não tem voto definido e por isso pode ser crucial na eleição-- mostraram-se dispostos a sair de casa e votar não só a favor dos democratas, mas contra os republicanos.

Fardo

Mas o fato deste ser o ano dos democratas não traz apenas benefícios ao governo de Obama. Com a liderança do partido na Câmara dos Deputados e no Congresso --conquistada também nas eleições gerais de 4 de novembro--, Obama sofre uma cobrança ainda maior para aprovar suas medidas e solucionar a crise financeira que afeta o país.

Jason Reed-28set.08/Reuters
Democratic presidential nominee Senator Barack Obama (D-IL) and his vice presidential running mate Senator Joe Biden (D-DE) share a laugh on stage during a campaign rally in Detroit September 28, 2008. REUTERS/Jason Reed (UNITED STATES) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008 (USA)
A escolha de Joe Biden (à dir.) como vice amenizou a inexperiência de Barack Obama

"Ter a maioria no Legislativo não é garantia de ter aprovado todos os seus projetos. Ele pode ter problemas para conseguir apoio no Congresso e isso vai enfraquecer sua imagem como líder partidário", ressalta Kettl.

Outra dificuldade a ser enfrentada por Obama é cumprir as ambiciosas promessas de campanha, como a redução dos impostos para 90% da população americana. "Ele vai chegar no governo e perceber que não tem dinheiro para as promessas que fez e aí estará diante de decisões difíceis e impopulares", afirma o professor da Pensilvânia.

Para enfrentar os desafios da Presidência, Obama deve contar com seu companheiro de chapa, o senador veterano por Delaware, Joe Biden. "Biden foi uma escolha segura para a campanha, mas foi, acima de tudo, uma escolha garantida para seu governo", afirma Lapinski, lembrando que Biden é alguém em quem Obama confia e tem um bom relacionamento.

Ao lado do democrata estarão ainda sua mulher, Michelle, que promete ser uma primeira-dama tão proeminente quanto Hillary Clinton, e suas filhas Malia e Sasha --a quem prometeu um cão de estimação assim que chegassem à Casa Branca.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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