Para analistas, Obama conseguiu o impossível e o improvável
MÁRCIA SOMAN MORAES
colaboração para a Folha Online
Em um resultado considerado impossível há alguns anos e improvável há alguns meses, os americanos elegeram nas urnas o democrata Barack Obama, o primeiro presidente negro do país. "O que vemos hoje é um passo enorme na história política americana. Mostra que superamos uma barreira que, há dez anos, parecia intransponível", disse Thomas Brunell, professor de ciência política da Universidade do Texas, em entrevista à Folha Online, por telefone.
A vitória do senador por Illinois marca um novo momento na política dos EUA e coloca as relações inter-raciais --tema delicado no país-- no topo da cena americana. "A eleição de Obama é uma oportunidade de melhorarmos as relações inter-raciais", avalia John Lapinski, cientista político e comentarista da rede de televisão NBC.
| Jae C. Hong/AP |
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| Democrata Barack Obama faz comício sob chuva; ele é o primeiro presidente negro |
Os analistas, contudo, ressaltam o risco de superestimar a conquista de Obama. "Não vai simplesmente resolver o problema, até mesmo porque o próprio Obama tem opiniões divergentes em relação a ações afirmativas, mas mostra que os eleitores estão considerando as minorias", disse Lapinski, em entrevista por telefone à Folha Online, na Pensilvânia.
O fato dos EUA elegerem seu primeiro presidente negro, ressalva Brunell, mostra que a questão racial não deve mais influenciar significativamente nas urnas, mas não que foi superada. "Não acho que podemos simplesmente ignorar o voto guiado pela questão racial, mas o resultado desta eleição é uma indicação que crescemos nos últimos 30 ou 40 anos."
Donald Kettl, professor de ciência política da Universidade da Pensilvânia, engrossa o coro: "Raça, obviamente, é uma ferida aberta na América e na política americana". "A vitória de Obama representa certamente um movimento dramático na longa e turbulenta história da raça nos EUA", disse à Folha Online, por telefone.
Ano dos democratas
Embora a vitória de Obama carregue simbolismo histórico em uma nação marcada pelo preconceito racial, a Presidência democrata não surpreende, No ano em que os EUA vivem sua mais grave crise financeira em 80 anos, as chances do Partido Republicano eram remotas.
| Jason Reed-29out.08 /Reuters |
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| Democrata Barack Obama evitou rótulo de primeiro candidato democrata negro |
Para o professor Brunell, "é surpreendente pensar que, com as taxas de aprovação do presidente [George W.] Bush, a corrida tenha permanecido tão acirrada". "Na minha perspectiva, considerando o que o país está fazendo nos últimos anos, os republicanos não deveriam nem ao menos concorrer nestas eleições", completa. Obama entrou na corrida com a vantagem de que os eleitores estão insatisfeitos com a atuação de Bush, impopularidade agravada pelo estouro da crise financeira.
"Os eleitores culpam o governo pela crise que estamos vivendo e não pensam no governo como aquele que lidera a Câmara dos Deputados, no caso os democratas, e sim quem está na Presidência. Assim, o colapso da economia foi o que propulsou Obama em muitos Estados ganhos por Bush em 2004", avalia Lapinski.
E diante da perspectiva de um novo mandato republicano, os independentes e moderados --grupo que não tem voto definido e por isso pode ser crucial na eleição-- mostraram-se dispostos a sair de casa e votar não só a favor dos democratas, mas contra os republicanos.
Fardo
Mas o fato deste ser o ano dos democratas não traz apenas benefícios ao governo de Obama. Com a liderança do partido na Câmara dos Deputados e no Congresso --conquistada também nas eleições gerais de 4 de novembro--, Obama sofre uma cobrança ainda maior para aprovar suas medidas e solucionar a crise financeira que afeta o país.
| Jason Reed-28set.08/Reuters |
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| A escolha de Joe Biden (à dir.) como vice amenizou a inexperiência de Barack Obama |
"Ter a maioria no Legislativo não é garantia de ter aprovado todos os seus projetos. Ele pode ter problemas para conseguir apoio no Congresso e isso vai enfraquecer sua imagem como líder partidário", ressalta Kettl.
Outra dificuldade a ser enfrentada por Obama é cumprir as ambiciosas promessas de campanha, como a redução dos impostos para 90% da população americana. "Ele vai chegar no governo e perceber que não tem dinheiro para as promessas que fez e aí estará diante de decisões difíceis e impopulares", afirma o professor da Pensilvânia.
Para enfrentar os desafios da Presidência, Obama deve contar com seu companheiro de chapa, o senador veterano por Delaware, Joe Biden. "Biden foi uma escolha segura para a campanha, mas foi, acima de tudo, uma escolha garantida para seu governo", afirma Lapinski, lembrando que Biden é alguém em quem Obama confia e tem um bom relacionamento.
Ao lado do democrata estarão ainda sua mulher, Michelle, que promete ser uma primeira-dama tão proeminente quanto Hillary Clinton, e suas filhas Malia e Sasha --a quem prometeu um cão de estimação assim que chegassem à Casa Branca.
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Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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