Mundo
05/11/2008 - 02h25

Análise: Obama fala de mudança, mas deve governar como Bush

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JENNIFER LOVEN
da Associated Press, em Washington

Mesmo com toda a conversa de Barack Obama, 47, sobre mudança, há sinais claros em seu estilo que indicam que a Casa Branca verá um governo muito similar ao do atual presidente, George W. Bush.

Obama tem na disciplina, eficiência e discrição os pilares da sua campanha presidencial. Bush liderou uma administração muito bem gerenciada sob os mesmos conceitos, nos últimos oito anos. Se nos mais diversos assuntos, de Iraque à plano de saúde, a estratégia de Obama parece completamente diferente do que Bush ofereceu aos americanos, ele pede, assim como o impopular presidente americano, um governo organizado.

E isso pode ser concluído de como ele gerenciou, com punho de ferro, a sua campanha presidencial. Os assessores de seu governo, assim como os de sua campanha, devem ser sigilosos e agir como uma família. Eles recebem um discurso "sem dramas" quando são contratados e, mesmo se esta regra for violada, os desacordos sobre política, estratégia ou personalidade devem ser mantidos a portas fechadas.

O estilo de Obama como candidato, sempre pontual, é o sinal de um presidente de escritório, alguém que delega em vez de querer gerenciar e controlar cada detalhe. Novamente, Obama demonstra ter o mesmo estilo de Bush, o primeiro presidente americano com mestrado em administração de negócios.

A semelhança nos estilos de governo vem de algo em comum na história dos dois políticos. Os dois têm dons políticos naturais que os colocaram no rumo da Casa Branca em um caminho de atalhos políticos e pouca espera. Isso significa também que os dois presidentes devem contar com ajuda de grandes assessores.

Obama nem ao menos terminou seu primeiro mandato como senador federal por Illinois e, como Bush, confia principalmente no seu restrito círculo de confiança para tomar decisões importantes. A fórmula tem funcionado, mas pode causar tensão no Congresso entre os legisladores que vêem o time Obama como exclusivo demais.

"A disciplina de Obama é menos sobre a importância do sigilo e mais sobre fazer o trem organizacional andar no ritmo certo", disse a historiadora política da Universidade de Princeton, Julian Zelizer.

Bush e Obama defendem coisas muito diferentes, afirma a historiadora, mas Obama "levou sua campanha com a mesma eficiência metódica de Bush na Casa Branca". "Ele não vai ter uma Casa Branca de livre arbítrio onde as pessoas são livres para fazer as coisas do seu jeito ou mesmo para falar com a imprensa", prevê Zelizer.

Ouvidos abertos

O senador Dick Durbin, amigo de longa data de Obama e também democrata de Illinois, diz que o recém-eleito presidente criou uma equipe controlada e confiável em parte porque está disposto a ouvir o que ele não quer dos assessores. "Houve problemas, mas nada exagerado", diz, acrescentando que Obama permite erros.

Obama é conhecido também por sua lealdade, assim como por preferir assessores que mantém sua mente no trabalho e a atenção no chefe. Conhece David Plouffe, Valerie Jarrett, Pete Rouse, Steve Hildebrand, Robert Gibbs e David Axelrod? Estas mentes que lideraram a campanha democrata podem estar muito em breve na Casa Branca.

Mas o estilo calmo e superior de Obama estará em jogo quando entrar na Casa Branca. Com os democratas finalmente no controle do Executivo e do Legislativo, Obama terá que ser cauteloso, afirma Zelizer, para não abandonar a precaução natural de seu estilo e acabar perdendo popularidade diante dos eleitores.

Prioridades

Obama já definiu os grandes assuntos para seus primeiros cem dias de governo: tirar as tropas no Iraque, começar um plano para iniciar a cobertura universal de saúde e iniciar um plano ambicioso de energia.

Durante os 20 meses de campanha, ele prometeu também investir imediatamente em muitas outras coisas: reforma da imigração, código de ética restrito, revisão das ordem executivas de Bush, prisão de Guantánamo e as técnicas de interrogatório. Com a crise financeira ameaçando trazer a recessão, ele pode ter que adiar tudo isso.

Mas para um homem cuja candidatura conseguiu combustível de sua decisão de se opor à Guerra do Iraque, a única promessa que Obama não pode abandonar é colocar um fim à guerra. Obama prometeu que este tema seria prioridade no primeiro dia que pisasse na avenida Pensilvânia, embora pareça esquecido pelos eleitores diante da crise.

No dia 21 de janeiro, afirmou, um dia depois da posse, Obama afirmou que vai chamar os representantes do poder militar para a Sala Oval e vai ordenar "o fim da guerra de maneira responsável e deliberada, mas decisiva".

Agora, diante da crise, a promessa que parecia lhe garantir votos do senador republicano e veterano de guerra, John McCain, 72, parece atrapalhar no caminho a Wall Street e o mercado financeiro.

Para garantir tantas prioridades diferentes, ele terá que usar sua renomada retórica. Mas agora, em vez dos cem mil apoiadores em polvorosa, ele terá que convencer algumas centenas de legisladores de que suas propostas podem ajudar o país. "Esta é uma ferramenta potente seja na campanha política ou em Washington. E a melhor coisa a fazer é continuar explorando este ponto forte que o propulsou à Casa Branca em primeiro lugar", avalia Zelizer.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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