Mundo
30/10/2008 - 19h58

Ex-refém das Farc diz ter comido ratos, macacos e tamanduás

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da Folha Online
da Efe

O ex-refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) Óscar Tulio Lizcano fez nesta quinta-feira um relato emocionado de vários episódios de seu seqüestro, que durou mais de oito anos, e de sua fuga, na qual teve a ajuda de um guerrilheiro que o vigiava.

O ex-refém afirmou que a pressão do Exército e da fome --que os obrigou a comer ratos, macacos e tamanduás-- foram algumas das causas que levaram o guerrilheiro a tomar a decisão de fugir com ele.

Carlos Ortega/Efe
Óscar Tulio Lizcano durante entrevista no domngo após oito anos em cativeiro das Farc
Óscar Tulio Lizcano durante entrevista no domngo após oito anos em cativeiro das Farc

"Quando vi o posto militar, caí, o abracei e lhe disse: 'amigo para sempre, o senhor salvou minha vida'", disse o ex-refém ao narrar a travessia que viveu junto ao guerrilheiro que tomou a "decisão unilateral" de libertá-lo.

Em entrevista coletiva concedida em uma clínica da cidade de Cali, onde está sendo atendido, o ex-congressista pediu que o governo colombiano não esqueça os demais seqüestrados que estão "apodrecendo" na selva e afirmou que a única maneira de conseguir o retorno deles é por meio do diálogo.

Lizcano agradeceu a solidariedade dos colombianos disse que a única maneira de pôr um fim a este drama é uma negociação com as Farc.

Arte Folha Online

"Convido o país e o governo a, por Deus, ajudar a salvar esta gente. Estão morrendo e sinto muita dor", disse.

Sobre seu futuro, o ex-congressista afirmou que não sabe se viajará ao exterior ou ficará na Colômbia, mas garantiu que não voltará para a política.

"Esse espaço o meu filho já ocupou (Mauricio, hoje congressista). Quero me dedicar ao meio acadêmico, ao estudo e à vida, aproveitá-la. E não penso nem agora nem nunca na política. Com esta experiência, não quero saber disso", disse.

 

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