Rebeldes declaram cessar-fogo e pedem diálogo com governo no Congo
colaboração para a Folha Online
Os rebeldes do Congo declararam nesta quinta-feira cessar-fogo unilateral e, com os confrontos aparentemente diminuindo, pediram conversas diretas com o governo. Enviados dos Estados Unidos e da ONU (Organização das Nações Unidas) foram ao país africano para mediar as negociações.
O general rebelde que lidera as tropas do Congresso Nacional pela Defesa das Pessoas ordenou o cessar-fogo a suas forças disse ainda que ofereceu para criar um "corredor humanitário" para que a ajuda possa chegar aos milhares de deslocados pelos quatro dias de confrontos no oeste do Congo.
Entenda os confrontos entre governo e rebeldes no Congo
| Karel Prinsloo/AP |
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| Deslocados passam por tanque das forças da ONU em meio aos conflitos em Goma, no Congo |
Laurent Nkunda disse, em entrevista à rede americana CNN, que quer trabalhar com a missão da ONU no Congo, conhecidos como Monuc, para que as pessoas possam voltar para suas casas.
"Nós estamos respeitando o nosso cessar-fogo. Nós estamos esperando pela resposta [da oferta de um corredor humanitário] do governo e do Monuc", disse. "Nós queremos ter uma agenda na qual possamos discutir assuntos políticos com o governo".
A agência internacional Associated Press relata que, nesta quinta-feira, tiros esporádicos ainda podiam ser ouvidos em Goma, principal foco dos confrontos. Contudo, a cidade esteve tranqüila durante o dia.
O cenário foi contrastante com a visão de quarta-feira, quando milhares de moradores, refugiados e soldados do governo fugiram do avanço das forças rebeldes.
"Nós queremos paz em nossa região", disse Nkunda, à AP, depois de encerrar a ofensiva em Goma. O líder quer discutir suas objeções ao acordo de US$ 9 bilhões que dá à China acesso vasto às riquezas minerais do país em troca de uma ferrovia e uma estrada.
Ele também quer discutir o urgente desarmamento da milícia Hutu, a qual, segundo o líder rebelde, trabalha com o governo e pressiona a minoria tutsi. "Não é aceitável que os soldados do governo lutem ao lado de genocidas", disse Nkunda, um tutsi.
Nkunda culpa o governo por não conseguir proteger os tutsi da ofensiva da milícia no Congo. Os rebeldes Hutu têm agido nas florestas do oeste do Congo desde o genocídio de Ruanda, em 1994, segundo a ONU.
A ONU estima que, durante os cem dias de genocídio em Ruanda, a maioria Hutu matou cerca de 800 mil tutsis e hutus moderados.
Tensão
Mesmo com o cessar-fogo, a situação continua tensa enquanto milhares de pessoas continuam a buscar abrigos seguros, afirmou um porta-voz da ONU no Congo.
"A informação que temos é que o cessar-fogo está sendo obedecido somente em North Kivu", disse Kevin Kennedy.
Em Goma, centro dos conflitos, uma brigada indiana a serviço da ONU ficou em patrulha a noite inteira. não houve relatos de tiros ou mortes.
Kennedy disse ainda que as forças da ONU estão em desvantagem e tentando manter a paz na região. "Nós temos recursos limitados em terra. Esta é uma cidade de milhões de pessoas e nós temos um batalhão de 850 soldados junto a algumas unidades de apoio", disse.
O porta-voz disse que reforços foram deslocados de outras regiões do Congo, incluindo 90 soldados das forças especiais da Guatemala, uma unidade policial e um helicóptero militar. "É uma situação muito tensa".
Anneke Van Woudenberg, da organização Human Rights Watch, afirmou que mais de 20 pessoas foram mortas em Goma. "As pessoas estão confusas e assustadas", ressaltou.
Com Associated Press



