Mundo
31/10/2008 - 07h55

Rebeldes declaram cessar-fogo e pedem diálogo com governo no Congo

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colaboração para a Folha Online

Os rebeldes do Congo declararam nesta quinta-feira cessar-fogo unilateral e, com os confrontos aparentemente diminuindo, pediram conversas diretas com o governo. Enviados dos Estados Unidos e da ONU (Organização das Nações Unidas) foram ao país africano para mediar as negociações.

O general rebelde que lidera as tropas do Congresso Nacional pela Defesa das Pessoas ordenou o cessar-fogo a suas forças disse ainda que ofereceu para criar um "corredor humanitário" para que a ajuda possa chegar aos milhares de deslocados pelos quatro dias de confrontos no oeste do Congo.

Entenda os confrontos entre governo e rebeldes no Congo

Karel Prinsloo/AP
Displaced people run past a United Nations tank outside their headquarters as thousands of displaced people stream into Goma in eastern Congo, Wednesday, Oct. 29, 2008. Thousands of refugees started streaming into the eastern provincial capital of Goma in the afternoon, impeded by army tanks, trucks and jeeps pulling back from the battle front. AP Photo/Karel Prinsloo)
Deslocados passam por tanque das forças da ONU em meio aos conflitos em Goma, no Congo

Laurent Nkunda disse, em entrevista à rede americana CNN, que quer trabalhar com a missão da ONU no Congo, conhecidos como Monuc, para que as pessoas possam voltar para suas casas.

"Nós estamos respeitando o nosso cessar-fogo. Nós estamos esperando pela resposta [da oferta de um corredor humanitário] do governo e do Monuc", disse. "Nós queremos ter uma agenda na qual possamos discutir assuntos políticos com o governo".

A agência internacional Associated Press relata que, nesta quinta-feira, tiros esporádicos ainda podiam ser ouvidos em Goma, principal foco dos confrontos. Contudo, a cidade esteve tranqüila durante o dia.

O cenário foi contrastante com a visão de quarta-feira, quando milhares de moradores, refugiados e soldados do governo fugiram do avanço das forças rebeldes.

"Nós queremos paz em nossa região", disse Nkunda, à AP, depois de encerrar a ofensiva em Goma. O líder quer discutir suas objeções ao acordo de US$ 9 bilhões que dá à China acesso vasto às riquezas minerais do país em troca de uma ferrovia e uma estrada.

Ele também quer discutir o urgente desarmamento da milícia Hutu, a qual, segundo o líder rebelde, trabalha com o governo e pressiona a minoria tutsi. "Não é aceitável que os soldados do governo lutem ao lado de genocidas", disse Nkunda, um tutsi.

Nkunda culpa o governo por não conseguir proteger os tutsi da ofensiva da milícia no Congo. Os rebeldes Hutu têm agido nas florestas do oeste do Congo desde o genocídio de Ruanda, em 1994, segundo a ONU.

A ONU estima que, durante os cem dias de genocídio em Ruanda, a maioria Hutu matou cerca de 800 mil tutsis e hutus moderados.

Tensão

Mesmo com o cessar-fogo, a situação continua tensa enquanto milhares de pessoas continuam a buscar abrigos seguros, afirmou um porta-voz da ONU no Congo.

"A informação que temos é que o cessar-fogo está sendo obedecido somente em North Kivu", disse Kevin Kennedy.

Em Goma, centro dos conflitos, uma brigada indiana a serviço da ONU ficou em patrulha a noite inteira. não houve relatos de tiros ou mortes.

Kennedy disse ainda que as forças da ONU estão em desvantagem e tentando manter a paz na região. "Nós temos recursos limitados em terra. Esta é uma cidade de milhões de pessoas e nós temos um batalhão de 850 soldados junto a algumas unidades de apoio", disse.

O porta-voz disse que reforços foram deslocados de outras regiões do Congo, incluindo 90 soldados das forças especiais da Guatemala, uma unidade policial e um helicóptero militar. "É uma situação muito tensa".

Anneke Van Woudenberg, da organização Human Rights Watch, afirmou que mais de 20 pessoas foram mortas em Goma. "As pessoas estão confusas e assustadas", ressaltou.

Com Associated Press

 

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