EUA declaram culpado de tortura filho de ex-presidente da Libéria
colaboração para a Folha Online
O filho do ex-presidente da Libéria Charles Taylor Jr. foi declarado culpado nesta quinta-feira (30) por prática de tortura. O veredicto foi dado por um júri em Miami e foi o primeiro julgamento nos Estados Unidos de um cidadão americano por crimes cometidos no exterior, possibilidade prevista em uma lei de 1994.
Charles McArthur Emmanuel Taylor, 31, mais conhecido como "Chuckie" Taylor, foi considerado culpado em oito acusações, entre elas a de tortura, conspiração para cometer tortura e posse de armas durante ato violento. A sentença ainda será decidida, mas ele pode pegar prisão perpétua por causa da gravidade de todas as acusações.
Taylor nasceu em Boston, no Estado de Massachusetts, mas foi para a Libéria assim que o pai assumiu a Presidência do país, em 1997. O filho chefiou a unidade antiterrorista --conhecida como "forças do demônio"-- e a polícia nacional durante o mandato de seu pai. Os dois grupos são acusados seqüestro, tortura e assassinato de pessoas a serviço do governo.
Segundo as denúncias, o grupo antiterrorista perseguia membros da oposição, torturando-os com plástico derretido, queimaduras com cigarros, água fervente, descargas elétricas e enterrando-os vivos em fossas com formigas.
O procurador de Miami Alexander Acosta, que moveu a ação contra Taylor Jr., disse que o caso servirá como modelo para futuros processos envolvendo torturas praticadas no exterior por cidadãos americanos. "É realmente histórico. É o primeiro caso desse tipo, mas não será o último", afirmou Acosta. No julgamento, várias vítimas trazidas da África testemunharam contra Taylor Jr.
O ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, foi pressionado a deixar o governo em 2003 e atualmente enfrenta processo no Tribunal Internacional de Haia, na Holanda, por crimes de guerra praticados durante a guerra civil em Serra Leoa durante os anos 90. Na época, Taylor foi considerado um dos líderes mais brutais do continente africano, acusado de recrutar crianças para a guerra.
Com France Presse, Associated Press e Reuters

