Mundo
31/10/2008 - 11h23

Chanceler francês viaja ao Congo para ajudar em negociações

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colaboração para a Folha Online

O ministro das Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, viaja hoje para Goma, no Congo, para auxiliar nas negociações de paz entre o governo e os rebeldes tutsis. Nos últimos quatro dias, o avanço das forças rebeldes causou a fuga de milhares de pessoas.

Fontes do Ministério das Relações Exteriores, citadas pela emissora "France Info", disseram que Kouchner partirá esta mesma tarde para Goma, acompanhado do secretário de Estado de Cooperação, Alain Joyandet.

Dezenas de milhares de pessoas se concentraram nos últimos dias em campos de deslocados próximos a Goma, em torno da qual houve combates entre as Forças Armadas do Congo e da guerrilha do Congresso Nacional da Defesa do Povo (CNDP).

Kouchner tinha dito ontem, após um encontro com o Alto Representante da União Européia para a Política Externa e de Segurança Comum, Javier Solana, que os 27 países membros estudavam a possibilidade de auxiliar os desabrigados.

O responsável pela diplomacia francesa se referiu à possibilidade de levar até 1.500 militares europeus do grupo tático que ajudariam na manutenção da paz.

ONU

Os esforços diplomáticos no país foram intensificados nesta sexta-feira, depois que as forças rebeldes declararam cessar-fogo e os confrontos foram reduzidos a pontos isolados.

O principal representante diplomático dos Estados Unidos para a África, Jendayi Frazer, se encontrou com o presidente congolês, Joseph Kabila, nesta quinta-feira. Ele deve viajar ainda para RUanda, onde se reúne com o presidente Paul Kagame, afirmou o vice-porta-voz do Departamento de Estado, Robert Wood.

Wood disse que Frazer tentará "fazer com que todos os partidos concordem em respeitar as regras internacionais e os direitos humanos".

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, também conversou com Kagame e afirmou estar em contato com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon.

Pedido

O general rebelde que lidera as tropas do CNDP ordenou o cessar-fogo a suas forças disse ainda que ofereceu para criar um "corredor humanitário" para que a ajuda possa chegar aos milhares de deslocados pelos quatro dias de confrontos no oeste do Congo.

Laurent Nkunda disse, em entrevista à rede americana CNN, que quer trabalhar com a missão da ONU no Congo, conhecidos como Monuc, para que as pessoas possam voltar para suas casas.

O líder quer discutir com o governo suas objeções ao acordo de US$ 9 bilhões que dá à China acesso vasto às riquezas minerais do país em troca de uma ferrovia e uma estrada.

Ele também quer discutir o urgente desarmamento da milícia Hutu, a qual, segundo o líder rebelde, trabalha com o governo e pressiona a minoria tutsi. Nkunda culpa o governo por não conseguir proteger os tutsi da ofensiva da milícia no Congo. Os rebeldes Hutu têm agido nas florestas do oeste do Congo desde o genocídio de Ruanda, em 1994, segundo a ONU.

A ONU estima que, durante os cem dias de genocídio em Ruanda, a maioria Hutu matou cerca de 800 mil tutsis e hutus moderados.

Com Efe

 

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