Mundo
31/10/2008 - 15h59

"Obamania" invade o mundo mas poucos conhecem idéias do candidato

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da France Presse

A "Obamania" invadiu o mundo e, internacionalmente, o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, parece ser o preferido para vencer as eleições na próxima terça-feira. Mas essa popularidade, no entanto, não implica que suas idéias sejam realmente conhecidas.

Obama é o candidato favorito de 42% da população de várias cidades do mundo, enquanto apenas 12% votariam em seu adversário republicano, John McCain, segundo pesquisa da rede de TV britânica BBC. Ao todo, 22.500 pessoas foram ouvidas em 22 países. Na Europa, o primeiro negro com possibilidades de virar presidente americano é particularmente popular, com 80% de opiniões favoráveis na França e Alemanha.

AP/Obama Campaign/29.out.2008
Entrevistados em 22 países preferem Obama mas desconhecem propostas do candidato
Entrevistados em 22 países preferem Obama mas desconhecem propostas do candidato

Mas para especialistas entrevistados pela reportagem, as propostas de governo do democrata não são responsáveis por sua popularidade.

"O atual presidente, George W. Bush, terminou encarnando o pior dos Estados Unidos: adepto à linha política européia mais rústica, embriagado pela religião e adepto das armas. Já Obama personifica o que há de bom nos Estados Unidos, é jovem e traz consigo o sentimento de esperança. Mas estas duas visões têm uma grande cota de fantasia", observa Max Wolff, professor da Universidade New School de Nova York.

Nos Estados Unidos como na Europa, Obama aparece como aquele que pode proporcionar a mudança. Mas em dois assuntos de peso, como a economia ou a política externa, não se pode esperar uma mudança total, segundo Wolff.

"Obama conta entre seus conselheiros financeiros com Austan Dean Golsbee, da Universidade de Chicago, conhecido por ter o programa neoliberal mais ortodoxo da terra, e Paul Volcker, artesão da política monetária de (Ronald) Reagan, um falcão em termos de inflação", acrescentou.

"Na política externa, também se vê 'novos rostos'", afirma o especialista. Como exemplo, ele cita o companheiro de chapa de Obama, Joe Biden, "um dos partidários da invasão no Iraque em 2003", e Zbigniew Brzezinski, conselheiro de Segurança na presidência de Jimmy Carter, "considerado um dos responsáveis pelos talebans".

Para Julien Vaisse, pesquisador francês da Instituição Brookings de Washington, é preciso analisar o projeto político, social e econômico de Obama dentro de uma perspectiva americana. "Os democratas estão muito mais perto dos republicanos que os europeus", enfatiza.

Programa social

"A extensão da cobertura social anunciada por Obama, por exemplo, está muito longe do sistema europeu de atendimento médico para todos", explica Vaisse. "Quanto à pena de morte, ele não parece ser contrário, apesar de Illinois, Estado pelo qual é senador, introduzir mecanismos para dar maiores garantias ao processo, como verificação da neutralidade do júri e filmagem dos interrogatórios", comentou.

"Não digo que não seja o homem que as pessoas acreditam que é, só digo que o fascínio que ele exerce, seu carisma similar ao de Bill Clinton, levaram --principalmente os europeus-- a esquecer que ele é norte-americano", acrescenta.

O historiador, que acaba de publicar "História do neoconservadorismo nos Estados Unidos", considera errônea qualquer analogia com o tabuleiro político europeu. "Dizer aqui que alguém é socialista é o pior dos insultos", recorda Vaisse, enfatizando o quanto o eixo político se deslocou para a direita nos últimos anos nos Estados Unidos.

Ainda de acordo Vaisse, fora os efeitos que provocam alguns de seus pronunciamentos, Obama é bastante vago sobre suas intenções. "É uma tática para reunir um máximo de pessoas e para que possamos projetar nele os Estados Unidos que amamos", conclui.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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