Mundo
31/10/2008 - 18h29

Lula compara eleição de Obama a "vitória da esquerda" e defende mudança

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da Efe, em Havana

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou nesta sexta-feira a eleição do democrata Barack Obama --candidato à Presidência dos Estados Unidos-- à sua vitória e a de outros líderes de esquerda da América do Sul. Para Lula, a eleição de Obama irá "colocar fim" ao embargo econômico de Cuba.

"Da mesma maneira que o Brasil elegeu um metalúrgico, a Bolívia um indígena (Evo Morales), a Venezuela (Hugo) Chávez e o Paraguai um ex-bispo (Fernando Lugo), acho que será uma coisa extraordinária se na maior economia do mundo um negro for eleito presidente", afirmou Lula em Havana.

Tuca Vieira/Jae C. Hong/Folha Imagem/AP
Lula elogia Barack Obama, mas afirma "não conhecer bem" o candidato democrata
Lula elogia Barack Obama, mas afirma "não conhecer bem" o candidato democrata

O presidente disse ao líder de Cuba, general Raúl Castro, que "no mundo todo existe uma pontada de alegria" nas mentes das pessoas que pensam em "como seria bom se um negro fosse eleito presidente dos Estados Unidos".

"Passamos por um momento extraordinário na América do Sul. Em mais de 500 anos, com mais de 200 anos de independência para muitos países latino-americanos [...], não tivemos um único momento em que os setores de esquerda [...] chegassem ao poder em tantos países da América Latina", afirmou.

"Tomara que isso também ocorra na maior economia do mundo", disse Lula, apesar de ter ressaltado que não conhece "bem" nem Obama nem o candidato republicano, John McCain. Além disso, Lula afirmou estar "convencido" de que o fim do embargo comercial e financeiro que os EUA sustentam contra Cuba desde 1962 "está muito próximo".

Na última propaganda eleitoral na TV, nesta semana, Obama "copiou" o discurso de Lula em 2002 ao dizer que "a esperança irá vencer o medo". "Sou americano. E opto por lutar. Não desistam da esperança. Sejam fortes. Tenham coragem. E lutem", afirmou.

Embargo

"Eu espero que, depois das eleições nos EUA, qualquer que seja o presidente eleito tome a decisão de pôr fim a esse bloqueio inexplicável e inaceitável", disse o presidente. Para o presidente brasileiro, "a única explicação" para que o bloqueio continue é "a falta de sensibilidade", "a insensatez", ou "quem sabe, apenas interesses políticos eleitorais".

"Não existe outra explicação, a não ser o ressentimento de um país grande que perdeu para um país pequeno", disse o presidente. Lula afirmou que, "em várias ocasiões", conversou com autoridades americanas e questionou o motivo do embargo, mas que não recebeu "qualquer explicação que possa ser explicável".

O presidente disse estar "alegre" com o fato de ter visitado o país na mesma semana que a ONU apoiou, por quase unanimidade, uma resolução para por fim o bloqueio. "Sem dúvida, isto não vai mudar nada, porque já estamos acostumados a ver que as decisões da ONU são cumpridas apenas quando interessa aos grandes e não quando interessa aos pequenos", disse o Lula.

A resolução cubana, apresentada este ano pela 17ª vez consecutiva na Assembléia Geral da ONU, recebeu 185 votos a favor, três contra, duas abstenções e outras duas ausências. Lula fez as declarações após assistir, junto com Raúl Castro, à assinatura de um contrato pelo qual a Petrobras adquiriu os direitos para explorar nas águas profundas de Cuba no golfo do México.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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