Mundo
31/10/2008 - 22h24

Cerca de um milhão de pessoas fogem de conflito no Congo, diz ONU

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da Folha Online

Cerca de um milhão de pessoas tiveram de fugir de suas casas devido aos combates entre rebeldes e as forças do governo da República Democrática do Congo, afirmou a agência da ONU para refugiados nesta sexta-feira, citada pela CNN. O Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) disse ainda que campos de refugiados foram queimados e saqueados.

Um porta-voz dos rebeldes afirmou que eles estavam mantendo um cessar-fogo para que a ajuda possa chegar aos deslocados.

Arte Folha Online

Babou Amare, porta-voz do grupo rebelde Congresso Nacional para a Defesa do Povo, afirmou que suas forças haviam se retirado para cerca de 15 km ao norte da cidade da cidade de Goma para criar um "corredor humanitário".

Apesar do cessar-fogo declarado nesta quarta-feira, a segurança na Província do Kivu Norte é tênue, com muitas organizações humanitárias se recusando ou relutantes em se aventurar a ajudar os desabrigados, segundo autoridades.

O Acnur investiga relatos de que alguns dos campos de refugiados foram "forçosamente esvaziados, saqueados e queimados".

Em comunicado, o porta-voz do órgão Ron Redmond disse nesta tarde que a situação em Goma "é calma porém tensa". "Nosso escritório está aberto, e as pessoas estão trabalhando, mas restrições de segurança sobre a movimentação continuam estritas."

Karel Prinsloo/AP
Refugiados passam por tanque das Nações Unidas em Goma, no leste do Congo
Refugiados passam por tanque das Nações Unidas em Goma, no leste do Congo

Ele afirmou que rebeldes controlam Rutshuru, onde o Acnur tem um escritório. Rutshuru fica a 90 km ao norte de Goma, a capital provincial.

Redmond disse que o Acnur está tentando verificar "relatos perturbadores" de "parceiros humanitários" sobre ataques nos campos de refugiados perto de Rutshuru.

"Nós estamos extremamente preocupados com o destino de cerca de 50 mil desalojados que vivem nesses campos", disse o porta-voz.

Genocídio

O líder rebelde, Laurent Nkunda, disse à CNN na quinta que ele havia ordenado um cessar-fogo pois ele quer trabalhar com a missão da ONU no Congo para permitir o retorno da população às suas casas.

"Estamos respeitando nosso cessar-fogo (...) Esperamos pela resposta (à oferta do corredor humanitário) do governo e das forças da ONU", afirmou o líder. "Queremos ter uma agenda que possamos discutir questões políticas com o governo."

Nkunda, tutsi, tem culpado o governo congolês por falhar em proteger a tribo tutsi das milícias hutus oriundas de Ruanda. Rebeldes hutus agem nas florestas do leste do Congo desde o genocídio de Ruanda, em 1994, segundo a ONU.

As Nações Unidas estimam que nos cem dias de genocídio em Ruanda, a maioria hutu matou cerca de 800 mil tutsis e hutus moderados.

 

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