Mundo
03/11/2008 - 10h44

"Geração do milênio" pode mudar política nos EUA nas próximas décadas, diz revista

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da Folha Online

Se a "geração do milênio" comparecer em massa às urnas nos EUA nesta terça-feira (4), dia da eleição presidencial do país, isso pode transformar os termos do compromisso cívico nos EUA pelas próximas décadas, diz artigo da revista americana "Newsweek".

"Analistas aprenderam a ser céticos com relação ao assim chamado voto jovem, mas todos os sinais sugerem que esse pode ser o momento em que o país começará a criar um novo quadro de eleitores", diz o texto. "Geração do milênio" é a expressão usada para designar a geração nascida entre entre 1979 e 1990, que chegou à idade de conscientização política durante o governo do democrata Bill Clinton.

O texto, intitulado "Waiting in Line" ("Esperando na Fila", em tradução livre), lembra que o comparecimento dos eleitores jovens às primárias e "caucus" (assembléia de eleitores) neste ano foi o dobro do registrado há oito anos; a campanha "Rock the Vote", de incentivo ao voto jovem nos EUA, conseguiu a adesão de 2,3 milhões de pessoas neste ano, contra 1,4 milhão em 2004.

"O chefe do Departamento de Governo e Política da Universidade Sagrado Coração, em Connecticut [costa leste], que tem levado os estudantes à cerimônia de posse a cada quatro anos, disse que no passado eram necessários meses para encher um único ônibus. Neste ano ele vai alugar um segundo, já que o primeiro ficou cheio em questão de dias", diz o texto.

O artigo lembra que assuntos importantes para os eleitores jovens --como direitos dos homossexuais, questões ambientais e o custo da educação universitária-- ganharam o primeiro plano. "Essa é a geração do milênio, mais pragmática e otimista que a de seus pais."

"O resultado final é que o efeito do entusiasmo dos jovens eleitores sobre [o candidato democrata] Barack Obama deve superar sua candidatura. Há mais dados sugerindo que, depois de votar uma vez, as pessoas votarão de novo, tornando isso um hábito cívico", diz o texto. Além disso, a afiliação partidária também deve se manter: "os jovens democratas a votar hoje serão os democratas de meia-idade de amanhã. Como escreveu Norman Ornstein há mais de 20 anos, o partido que assegura os votos dos jovens garante o poder para a próxima geração".

Pesquisa USA Today/MTV/Gallup publicada no início de outubro mostrou que que 61% dos eleitores com menos de 30 anos preferem Obama contra apenas 32% que favorecem o republicano John McCain --a maior diferença entre os candidatos em todas as faixas etárias. Os jovens parecem mais abertos à idéia de eleger um primeiro presidente negro. Além disso, a relativa juventude de Obama -- 47 anos em vez dos 72 anos de McCain-- também atrai os novos eleitores, aponta a pesquisa.

A idade mínima para votar nos EUA foi reduzida de 21 para 18 anos em 1972. O comparecimento eleitoral dos jovens atingiu um auge de 55% nesse ano, quando disputavam a Casa Branca o democrata George McGovern e o republicano Richard Nixon. Desde então, o comparecimento desse público decaiu até 40% em 1996 e 2000, mas se recuperou para 49% em 2004. Naquele ano, os jovens representaram 16% do total de votos, contra 14% em 2000.

Para esta eleição, 48% dos jovens estão registrados para votar, enquanto entre os maiores de 30 anos a taxa chega a 83%, afirma Scott Keeter, da entidade Pew Research Center.

 

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