Mundo
05/11/2008 - 02h31

Obama vira símbolo de mudança ao se tornar 1º presidente negro nos EUA

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TEREZA BOUZA
da Efe, em Washington

Barack Obama, um político pouco conhecido há oito anos e que acaba de ser eleito presidente dos Estados Unidos, segundo projeções da CNN, é o primeiro negro a assumir o cargo e costuma dizer que embarcou em uma viagem incerta e para a qual poucos teriam imaginado um final feliz.

A história do candidato presidencial democrata é, como ele mesmo gosta de dizer, "pouco convencional".

Jae C. Hong/AP
Barack Obama foi eleito nesta terça o primeiro presidente negro dos EUA
Barack Obama foi eleito nesta terça o primeiro presidente negro dos EUA

Nascido em 1961 no Havaí, é filho de Stanley Ann Dunham, uma antropóloga nascida no Kansas, e de Barack Obama Sr., um economista queniano educado em Harvard, ambos já falecidos.

Dunham e Obama Sr. se separaram quando ele tinha dois anos. Obama só voltou a ver seu pai mais uma vez, quando ele fez uma visita aos EUA.

Sua mãe voltou a se casar com Lolo Soetoro-Ng, um cidadão da Indonésia, onde Obama passou vários anos de sua infância antes de retornar ao Havaí aos dez anos para viver com seus avós maternos e ter acesso, assim, a uma melhor educação.

Segundo Obama, essas mudanças em sua vida o equiparam com as ferramentas necessárias para construir pontes e criar alianças.

Convenção Nacional

Sua meia irmã, Maya Soetoro-Ng, prefere definir Obama de outra maneira. "Ele se movimenta entre vários mundos, é o que fez em toda sua vida", comentou.

Batizado por alguns como "a grande esperança", por encarnar o sonho de reconciliação em um país com profundas divisões raciais, Obama ganhou relevância no panorama político americano durante a Convenção Nacional do Partido Democrata em Boston, em 2004.

Foi ali que ele pronunciou um discurso, chamado por muitos de histórico, em que pediu que fossem fechadas as feridas raciais abertas no país.

"Não há um EUA branco e um EUA negro, mas os EUA da América", disse na ocasião.

Mensagem

Além de conciliatória e unificadora, a mensagem do jovem senador por Illinois foi também uma mensagem de esperança, ingredientes que dominam sua retórica desde então.

Com discursos que mencionam, por exemplo, a situação de "escravos entoando cânticos de liberdade" e de imigrantes, Obama, filho de pai negro e mãe branca sempre acreditou que nos EUA também havia um lugar no país para gente como ele.

Sua adolescência no Havaí foi marcada não só por uma destacada trajetória escolar, mas também por anos de rebeldia e, até por experiência com drogas, como ele mesmo já admitiu.

Esses anos foram seguidos por sua formação nas universidades Columbia e Harvard, a etapa como professor e defensor dos direitos civis em Chicago e sua eleição como senador por Illinois em 2004.

Celebridade

Favorecido por seu carisma, Obama conquistou uma popularidade similar à de uma estrela de rock, que seus adversários políticos utilizaram contra ele para apresentá-lo como uma mera celebridade com muita lábia e pouco preparo para os desafios do poder.

Seus dois livros autobiográficos "The Audacity of Hope" (A Audácia da Esperança) e "Dreams From my Father" ("Sonhos do meu Pai") entraram para a lista dos mais vendidos nos EUA.

Analistas políticos mencionam com freqüência que o segredo de seu sucesso segue uma técnica básica: o poder da palavra.

Obama afirma que não tinha consciência do poder de sua oratória até ter participado de uma manifestação contra a segregação racial na universidade, quando descobriu que tinha captado a atenção dos presentes assim que começou a discursar.

Os presentes "ficaram calados e me olhavam", lembra Obama em "Dreams From my Father".

Carreira

Sua carreira política arrancou, curiosamente, com discursos que não despertavam grande interesse do público e nos quais predominavam os detalhes sobre seus programas.

Isso começou a mudar em 2004, durante sua campanha ao Senado, quando introduziu os elementos "esperança, mudança e futuro", que dominam a entusiasta retórica que tão bons resultados lhe rendeu.

Obama é casado com Michelle Robinson Obama. O casal tem duas filhas, Malia Ann e Natasha.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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