Mundo
05/11/2008 - 02h54

"Rocha" da família, Michelle Obama é a próxima primeira-dama dos EUA

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da Folha Online
da Efe, em Washington

Michelle Obama, advogada de Chicago de 44 anos, é a próxima primeira-dama dos Estados Unidos. O marido dela, o senador democrata por Illinois Barack Obama, foi eleito o primeiro presidente negro e o 44º da história do país nesta quarta-feira.

No começo da campanha, Michelle foi muito criticada por, supostamente, prejudicar a imagem de Obama ao dizer que ele ronca, tem mau hálito pela manhã, esquece de colocar a manteiga na geladeira e deixa meias soquetes jogadas pela casa. Na época, a colunista de "New York Times" Maureen Dowd a chamou de mulher "dominante" e "castradora".

Na época, ela ainda ganhou fama de ressentida por dizer que a candidatura do marido a fez sentir-se "realmente orgulhosa de seu país" pela primeira vez na vida.

Mesmo com a defesa pública do marido --é "o amor da minha vida" que me ajuda a "não me desnortear", disse ele--, Michelle suavizou a personalidade forte, direta e sarcástica ao longo da campanha. Fez questão de deixar claro que não irá se intrometer no governo de Obama e seu principal papel será ser "mãe-em-chefe" das duas filhas do casal, Malia, 10, e Sasha, 7.

Sara D. Davis/AP

Nascida e criada em um bairro pobre e negro no sul de Chicago, seus pais a educaram para que pensasse no possível e não no impossível, e a motivaram a se superar e ter a educação que eles não puderam ter. "Meus pais repetiram várias vezes para mim e para meu irmão Craig: 'Não nos digam o que não podem fazer e não se preocupem com o que poderia não funcionar'", diz Michelle com freqüência nos atos eleitorais a favor de seu marido.

Sua mãe, Marian, forneceu o carinho e a disciplina necessários para que seus filhos, a quem só deixava ver televisão uma hora por dia, seguissem em frente. Seu pai, Fraser Robinson, era um homem de poucas palavras e muita autoridade que madrugava diariamente para ir para o trabalho no departamento de serviços hidráulicos da Prefeitura de Chicago, apesar de sofrer de esclerose múltipla.

"A última coisa que queríamos era decepcioná-lo", declarou Michelle Obama em fevereiro passado em entrevista à "Newsweek", na qual lembrou que quando pequena derramava lágrimas quando, por causa de alguma travessura, seu pai lhe dizia "estou decepcionado".

A jovem Michelle se propôs a não decepcioná-lo e ignorou os professores que lhe disseram que não tinha a capacidade para ir a uma universidade Ivy League, um reduzido grupo de exclusivos centros acadêmicos no litoral Leste do país. Sua força de vontade a levou a duas dessas universidades: Princeton e Harvard, onde estudou sociologia e direito.

Em ambos os centros envolveu-se em atividades para aumentar a minúscula cota de professores e estudantes negros.

Quando saiu de Harvard começou a trabalhar em um famoso escritório de advogados de Chicago, onde alguns anos mais tarde chegaria Obama, que pouco depois de conhecê-la convidou-a "para sair". Michelle Obama se mostrou reticente em um primeiro momento a "misturar prazer com negócios", mas demorou pouco a se render aos encantos dele.

Em 1991, morreu seu pai e quase ao mesmo tempo uma de suas melhores amigas morreu em Princeton. Esses dois eventos fizeram com que remodelasse sua vida, levando-a a buscar sua verdadeira paixão: o trabalho social, e a deixar-se guiar por ela. Em 1992 se casou com Obama.

 

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